Psicose pós-parto: sintomas, tratamento e fatores de risco

A condição exige atendimento psiquiátrico imediato. Mulheres com transtorno bipolar têm mais risco de desenvolver o quadro.

Isabelle Manzini

Isabelle Manzini é jornalista e analista de redes sociais. Interessa-se por assuntos relacionados à saúde mental, saúde da população negra e saúde LGBTQIA+.

A condição exige atendimento psiquiátrico imediato. Mulheres com transtorno bipolar têm mais chances de desenvolver o quadro.

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Publicado em: 15 de junho de 2022

Revisado em: 15 de junho de 2022

A condição exige atendimento psiquiátrico imediato. Mulheres com transtorno bipolar têm mais risco de desenvolver o quadro.

 

O período perinatal – que abrange desde a gestação até o pós-parto – é um intervalo bastante sensível para a saúde mental materna. E isso não apenas pela oscilação natural de hormônios da gravidez, mas também por causa das expectativas em torno do novo bebê, do futuro da família, inseguranças gerais etc. 

É por isso que, de acordo com dados da revista Jama Network, 1 a cada 7 mulheres desenvolve algum transtorno psiquiátrico perinatal. Embora a depressão pós-parto e o “baby blues” (quando há os mesmos sintomas da depressão pós-parto, mas de forma mais leve e passageira) sejam mais comuns, a psicose pós-parto também pode acometer as novas mães. 

Dra. Samantha Meltzer-Brody, psiquiatra, presidente do Departamento de Psiquiatria da Universidade da Carolina do Norte (UNC, na sigla em inglês) e coordenadora do Centro dos Transtornos de Humor da Mulher da mesma universidade, falou sobre o transtorno durante o VII Simpósio Internacional de Neurociências da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).

“A psicose pós-parto é rara. Estima-se que ela atinja cerca de 1 ou 2 mulheres a cada mil. Mas, quando falamos de mulheres com transtorno bipolar, o cenário muda: de 10% a 20% delas desenvolvem o transtorno. O aumento do risco chega a 100%”, explica. 

 

FATORES DE RISCO

 

A psicose pode ser a continuação de uma depressão pós-parto não tratada ou surgir isoladamente. Ainda não se sabe o que provoca a psicose, mas assim como em outros transtornos mentais a suspeita é de que ela seja multifatorial, envolvendo fatores genéticos, ambientais e psicossociais. 

“O histórico psiquiátrico pessoal e/ou familiar, o fato de ter vivenciado algum trauma, gravidez indesejada ou complicações no parto podem estar associados a um risco maior de desenvolvimento da depressão e da psicose perinatal”, explica dra. Samantha Meltzer-Brody.

 

SINTOMAS

 

Os sintomas costumam surgir entre 2 a 3 dias após o parto. Ao notá-los, é importante levar a mãe imediatamente até um serviço de saúde de emergência. 

São sintomas da psicose pós-parto:

  • Desilusão;
  • Alucinações;
  • Fala desorganizada, confusa;
  • Comportamento desorganizado ou catatônico;
  • Desorientação;
  • Humor anormal e persistentemente elevado, expansivo ou irritado, que seja nitidamente diferente do usual.

A psicose pós-parto pode acontecer novamente em uma nova gestação. 

 

DIAGNÓSTICO

 

O diagnóstico é clínico, com base no relato da paciente e de familiares, parceiros ou parceiras. Para que seja concluído, a pessoa deve apresentar um ou mais dos sintomas listados acima, durando pelo menos 4 dias, dentro de um período de até 12 semanas após o parto.

 

Veja também: Como dar más notícias em pediatria?

 

TRATAMENTO

 

Em quadros de psicose, é comum que seja recomendada a internação hospitalar. Isso é para evitar que a mãe ou o bebê se machuquem, pois a condição tem risco de 5% de suicídio e 4% de infanticídio. 

O tratamento costuma envolver estabilizadores de humor e antipsicóticos, além da recomendação de psicoterapia e acompanhamento com um psiquiatra. O apoio dos familiares e amigos também é chave fundamental para o processo de cura.

 

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