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Por Que Dói? #29 | Tendinite



Saiba quais ações podem ser adotadas para diminuir o desconforto causado pela tendinite, na entrevista que fizemos com o ortopedista Dennis Barbosa.

 

 

 

Com parte da população trabalhando de casa (home office) durante a pandemia, explodiram as queixas de dores nos punhos e nos ombros. Elas podem ser causadas pela tendinite, um processo inflamatório na região dos tendões que pode ter diferentes origens e graus de intensidade. Neste episódio do Por Que Dói?, o dr. Dennis Barbosa, médico do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas da FMUSP, conta o que é possível fazer para evitar esse tipo de problema e quais são os tratamentos disponíveis em cada caso.

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Olá, pessoal, bem-vindos aí a mais um episódio do podcast Por Que Dói. Eu sou a Juliana Conte, repórter do Portal Drauzio Varella, e hoje o nosso bate-papo vai ser sobre tendinite.

 

Em tempos de home office, explodiu aí o número de queixas nos consultórios médicos de gente reclamando principalmente de dor nos punhos e nos ombros. Mas, saiba que essa dor pode surgir aí, em qualquer região do corpo que tenha algum tendão, daí vem o nome. E só para constar, o nosso corpo humano tem mais de quatro mil tendões, então, hoje, eu estou aqui com o doutor Denis Barbosa, ele que é do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do HC, aqui da USP, e ele vai tirar pra gente as principais dúvidas sobre o tema. Boa tarde, doutor, obrigada aí pela presença.

Doutor Denis Barbosa — Maravilha, obrigado. Eu que agradeço o convite aí pra gente conversar um pouquinho.

 

Legal, bom, doutor, então, pra gente começar, explica pra gente o que que é tendinite. 

Tendinite é o que a gente chama de uma inflamação, né, é um processo inflamatório na região dos tendões. Como você disse, a gente tem um monte de tendão, aí, no corpo, né, e tem alguns tendões que são mais propícios a você ter uma inflamação, um processo inflamatório, como você tomar uma pancada — quando você toma uma pancada, incha, né. A mesma coisa, né, quando você machuca o tendão, inflama, né, você tem um inchaço na região e um dos sinais é a dor também, né?!

 

E doutor, quais seriam os tipos mais comuns, assim, de tendinite?

Bom, a gente pode separar a tendinite em vários tipos, né. A gente pode ter uma tendinite que é inflamatória, a gente pode ter uma tendinite traumática, a gente pode ter uma tendinite infecciosa também, e cada um, por exemplo, ter uma causa própria, né.

Na traumática, é uma tendinite que é uma inflamação pós-trauma, né; uma infecção, uma tendinite que é infecciosa, ela pode ser após ou a inoculação ou uma bactéria para na região e você forma um pus na região dos tendões, no túnel tendíneo, né… Você pode formar uma tendinite infecciosa, e o mais comum, sem dúvida, são as inflamatórias, que também tem alguns tipos, né, então, ou inflamatórias por doenças reumáticas, ou inflamatória aguda, que é uma crise aguda de dor que você tem, ou as tendinites crônicas, né, que aí são aquelas que ficam uma dor recorrente — quando você não trata, a queixa dolorosa sempre volta.

 

E no caso, assim, agora que, né, por conta da pandemia, aumentou o número de pessoas trabalhando em casa. O senhor notou se houve um aumento pela procura no diagnóstico? 

Ah, não só da tendinite, né. Realmente, como pessoal não sabe muito, né, e não entende muita coisa e também não são orientados né, por conta da ergonomia, então, muita gente tem trabalhado de forma errada, né, ou fica deitado com o notebook na barriga, por exemplo, né, não tem os apoios de braço adequado, a mesa muitas vezes não é adequada, a altura da cadeira às vezes não é adequada… Às vezes, até iluminação não é tão boa… Enfim, tem uma série de fatores que podem levar você a ter esses problemas, né. A tendinite é uma delas, mas não só, né. Eventualmente uma dor nas costas, dor na coluna cervical, dor nos ombros, né, isso é uma coisa que tem aparecido bastante, aí, por conta do home office. 

 

Sim, no caso, para quem trabalha em casa, né, e aí fica mais de seis a oito horas em frente ao computador, né, e como o senhor falou, às vezes não tá com o computador na altura correta, cadeira não é adequada… Além dessa questão da ergonomia, teria outra coisa que seria imprescindível? Sei lá, de repente levantar, fazer alongamento… Que que é mais sugerido nesses casos?

Então, vamo lá. O mais importante, assim, o principal surgimento aí da tendinite ocorre que a gente normalmente está fazendo um esforço maior do que a gente deveria. Então, ou você não prepara a musculatura adequadamente para você ter esse trabalho que você vai ter…

Então, assim, sem dúvida, a principal forma para você evitar as tendinites, né, seria atividade física. Sem dúvida, ter uma atividade física regular, é uma das coisas mais importantes aí que você tem que ter, mas outras coisas, né, são basicamente na parte da ergonomia mesmo, né. 

Ou seja, você tem que digitar, ficar na frente do computador mais ou menos uns 40 minutos, depois, dá uma paradinha, uns cinco minutinhos, alonga, tira um pouquinho da tensão do local, né, mexe as articulações, dá aquela espreguiçada, né, levanta dar uma caminhada, dá uma descansada, toma um pouco d’água — que também a hidratação é uma coisa importante—, e aí, depois de tudo isso, aí você volta, né, e faz essas atividades. Ficar muitas horas na frente do computador, isso realmente é um problema e pode desencadear algum processo da tendinite.

 

Certo. Doutor, agora tem algumas pessoas que precisam trabalhar em frente ao computador, mas estão trabalhando de pé. Isso também ajuda (ficar um tempo maior de pé do que sentado)? 

Na verdade, tudo tem a ver com a postura. Se você ficar de pé com uma postura boa, dá essa parada, tá com uma musculatura bem trabalhada, faz atividade física frequente, não tem muita diferença se ficar de pé ou sentado, né. Mas, se você estiver de pé com a postura ruim, não levanta a coluna da maneira adequada, não tem o apoio de braço — que é super importante para você descansar a mão, né —, você tem que ter normalmente o apoio do cotovelo, apoio do punho, né, para você não forçar os membros superiores e fazer a digitação de uma forma correta, se você não tiver com a postura adequada ou ergonomia adequada, você está mais propenso a desenvolver esse processo de tendinite. Entendeu?

 

Certo. Doutor, e como que é a dor da tendinite? Não sei se as pessoas podem confundir com outro tipo de inflamação…

Bom, assim, normalmente, o que que você vai ter, é, você vai ter uma dor, localizada numa região onde tem os tendões. Essa dor, normalmente pode ser ou aguda ou, assim, com uma dor forte (às vezes, incha, inflama, não sei o quê), e você tem uma dor no local, normalmente em ou em aperto ou que piora quando você faz um movimento ou esforço. 

Ou, se for aquele caso mais crônico, às vezes é uma dor que é de baixa intensidade, né, mas começa a ficar constante — e aí você tem um maior tempo com dor, do que você tinha antes. Isso aí, às vezes, aumenta o tempo de dor, às vezes aumenta a intensidade da dor, e tudo isso são coisas que a gente investiga, né, pra saber com que tipo de tendinite que a gente está lidando, pra gente fazer o tratamento adequado pra essa pessoa.

 

E a tendinite no punho costuma ser a mais comum ou não? Isso varia?

Punho e ombro, sem dúvidas, são as mais comuns, porque é de muito tempo de usar, é uma… é de você estar usando inadequadamente, ou uma postura errada, você está usando principalmente, computador, né, você tem esse tipo de coisa, né, mas, existem outras atividades repetitivas que não só o computador, que também pode desenvolver uma tendinite. Mas, sem dúvida nenhuma, punho, ombro e cotovelo — talvez, em terceiro lugar — aí, vamos dizer, talvez sejam as mais comuns aí. 

 

Bom, o senhor falou um pouquinho, mas normalmente a tendinite é uma doença ortopédica ou reumática. 

Pode ser uma outra. Pode ser as duas, entendeu? A reumática, né, normalmente é uma doença que você tem alguma doença reumática associada, como por exemplo, uma artrite reumatóide, que talvez seja a doença reumática das mais comuns, né, ou a osteoartrite primária também, que é uma outra doença extremamente comum, uma doença reumática, né.

Mas, a artrite reumatóide é uma das inflamatórias que você mais tem incidência de tendinite, mas, eventualmente se for infecciosa, normalmente é ortopédica, porque você tem que drenar, você tem que operar, né, mas muitas vezes isso confunde e a gente acaba tratando também as tendinite — nós, ortopedistas, muitas vezes o reumatologista… Então, enfim, fica sendo mais ou menos independente, né.

Se a gente nota, por exemplo, que essa tendinite é secundária a uma doença reumática, eu, por exemplo, normalmente eu prefiro que o reumatologista acompanhe, porque ele vai ter que tratar a causa de base, né, porque se ele não tratar a causa de base, essa reincidência da dor e da patologia das crises vai acabar acontecendo, entendeu? Então, muitas vezes a gente, os ortopedistas e os reumatologistas, também acabam pegando, e a gente acaba tratando meio que em conjunto, né. Às vezes uma, às vezes outra, às vezes os dois em conjunto… Enfim, depende de cada caso. 

 

Tá, e essas tendinites agudas, né, tirando agora a questão reumática, elas são assim fáceis de tratar, por exemplo, só [com] anti-inflamatório, mudar hábitos, né… Que que funciona?

A gente fala basicamente de três tipos, né. O que a gente chama de aguda é uma subaguda e seria a crônica; a aguda normalmente que é uma coisa nova, com um tempo muito pequeno, que dói somente com a atividade que o paciente tá tendo, né, mas às vezes, muitas vezes, com um remédio e tal, se faz um pouquinho… pode fazer um pouco de gelo, se está inchado no local, e normalmente acaba melhorando; a subaguda, vamos dizer assim, é uma que reaparece algumas vezes, mas reaparece basicamente no esforço; e a das crônicas, a mais grave, é aquela que a pessoa, independentemente se ela está fazendo exercício ou não, a dor continua. Essa sem dúvida é a mais grave, né, de tratar? 

Quanto mais aguda a gente pegar, né, melhor é o resultado do tratamento; aquelas pessoas que já tem dor, independentemente se está em repouso ou se não está, ou se está fazendo atividade, essas são as mais difíceis. Por isso que precisa de uma avaliação ampla, né, e aí cada caso a gente vai manejar de maneira diferente. 

 

E essa, por exemplo, essa aguda… Ela pode evoluir pra uma crônica?

Pode, se você não cuidar, deixar passar e você continua na mesma atividade, né, às vezes a frequência ou a intensidade da dor começa a piorar. E se você não fizer nada e continua fazendo o mesmo tipo de atividade sempre, isso pode acabar cronificando, sim. 

Na verdade, é por isso que acaba cronificando a tendinite: por não… um tratamento inadequado, né, e a pessoa não dá tanta bola, aí, pra dor, aí acaba tendo problemas maiores no futuro. 

 

Certo. E assim, além dessa cronificação da doença, pode evoluir pra uma outra coisa, sei lá, virar um problema muito maior, ou não necessariamente?

Você ter dor 24 horas por dia, mesmo em repouso, eu acho que já é uma é um problema grande, né, mas, assim, não é que isso vai levar… “ah, isso vai levar a um tumor, por exemplo, câncer?!”… não, não tem nada disso, mas o crônico é o pior, né? Quando uma pessoa tem dor, independentemente se ele está fazendo atividade ou não, ele tem dor 24 horas por dia — esse é um grande problema. 

Viver com dor é horrível, né, a gente fica de mal humor, você não consegue pensar direito. É horrível, então a gente tem que tentar evitar, tem que se atentar a isso e procurar o tratamento médico assim que possível, né? 

 

Agora o senhor comentou bastante de atividade física, né. Além da atividade física em si, também falou de alongamento… Alongar todo dia, isso também ajuda, né, doutor, a prevenir a pessoa que tenha algum problema nos tendões?

Ajuda. Na verdade, o alongamento é… na verdade, você está dando uma preparada no na musculatura pra fazer aquele trabalho, por exemplo, entendeu? Se você não faz os alongamentos ou não faz atividade física, o músculo não está preparado pra’quela atividade naquele momento. Uma, duas, dez, vinte vezes, pode ser que não aconteça nada, mas se sempre isso acontecer, pode ser que você esteja machucando um pouquinho, todos os dias, e isso pode evoluir para uma inflamação maior, e aí vem a tendinite, por exemplo.

Então, assim, alongar é, na verdade, é que nem se você for ver os cachorros, eles, quando acordam, antes deles começarem a caminhar, você vê que eles estão sempre se espreguiçando, sempre se alongando… O gato também faz muito isso, né? Se vocês observarem, ele já tem isso mais ou menos na natureza deles, né, e isso é importante; a gente também, às vezes, quando a gente acorda, é gostoso, né, você dar uma esticada no corpo, né, antes da gente pensar em fazer alguma atividade física.

Então, muitas vezes, o alongamento é importante pra dar aquela relaxada, pra preparar e falar para o corpo “ó, vamos começar a fazer alguma coisa, agora a gente já não vai mais ficar parado, deitado, sem fazer nada, agora vamos fazer uma atividade pra dar uma estimulada aí, para pôr o corpo em ordem pra gente começar a fazer atividade física”. 

 

É, acho que quem trabalha em frente ao computador, né, normalmente não leva muito a sério isso, mas acho que se tirar uns minutinhos aí pra dar uma alongada, acho que vai fazer uma diferença no futuro.

Sim, se você tiver alguma orientação de ergonomia, né, qualquer médico do trabalho vai dar esse tipo de orientação para você. Além do tipo de cadeira, de altura, de altura de luz, de apoios dos braços e tudo mais, uma das coisas é aquilo que eu falei antes, né: você ter um tempo de trabalho, dar uma parada, dar um descanso, pra depois você voltar a fazer.

 

Certo. Doutor, uma dúvida que perguntaram: quem tem tendinite pode fazer, por exemplo, atividade mais intensa, como, por exemplo, luta (de impacto)? 

Isso vai ser mais personalizado pra cada um, né. Então, assim, a princípio você não tem grandes restrições para fazer nenhuma atividade física, mas vamos pensar, por exemplo, quando a gente torce feio o tornozelo, e fica inchado, bastante, a gente normalmente não consegue mais jogar ou fazer atividade que está fazendo, tem que passar um tempo de repouso, esperar essa inflamação diminuir, pra depois você voltar a fazer essa atividade física.

Então, muitas vezes, né, numa crise aguda, por exemplo, se você tem uma crise aguda com bastante inchaço, por exemplo, isso acontece algumas vezes, né, o que a gente tem que fazer é restringir um tempo. Parar um pouco, esperar o corpo resolver esse processo inflamatório, pra depois você voltar a fazer.

Na verdade, é isso, mas aí vai depender da onde, a localização, que tipo de tendinite você tem, se ela é mais aguda, se ela é mais crônica, se ela foi traumática, se ela é inflamatória… Enfim, é muito, é muito genérico você falar “posso fazer luta?”, tem que ver se a pessoa também tem 80, 70, 15, 20 anos de idade — é muito personalizado isso daí. Então, por isso que tem que passar no médico, né, tem que passar com a gente, né, porque aí o tratamento vai ser personalizado pra’quela pessoa.

 

Sim, e doutor, outra dúvida muito comum que as pessoas confundem é a tendinite e a bursite.

Isso. Tendinite é a inflamação dos tendões, a bursite é uma inflamação da bursa. São duas estruturas diferentes que a gente tem no corpo, né? Pra que serve o tendão? O tendão, na verdade, é aquela cordinha, por exemplo, se a gente está longe, você vai puxar… por exemplo, está pescando, o tendão é a corda da vara de pescar, que você vai puxar o peixe à distância, você não vai pegar lá com a mão.

Por exemplo, no antebraço, os músculos começam na região do cotovelo, mas o músculo não chega até a região da mão, porque ele é muito volumoso, então ele emite o tendão, que ele faz um movimento mais fino dos dedos — e esse é o tendão.

A bursa é como se fosse uma bolsinha que a gente tem, que normalmente fica entre duas estruturas, quando existe movimento uma sobre a outra. Por exemplo, entre um tendão e um osso, então para você não ter o atrito direto do tendão com o osso, você tem uma bolsinha no meio, que tem um pouquinho de líquido, que ela faz ao movimento de atrito, para você não ter o atrito direto do tendão com o osso. E isso é super normal. 

A gente tem bursa em vários e vários lugares no corpo, e essa é a grande diferença: na verdade, é uma dor mais ou menos parecida, mas localização diferente e muitas vezes causas diferentes. 

 

É como se fosse o amortecedorzinho ali, né?

Na verdade, é mais ou menos, não é um amortecedor, porque ele não atua no impacto, ele é uma bolsa que tem um espaço que a gente chama de virtual, só tem uma lâmina de líquido. Não é que tem uma bola, como se fosse uma almofada, por exemplo, que ela tem bastante volume e que ela vai absorver o seu impacto, não. Ela ajuda no escorregamento de uma estrutura sobre a outra. É isso. 

Às vezes, entre a pele e o osso, por exemplo, no joelho, a gente tem a rótula, o osso da frente do joelho, né, que ele é muito superficial, né, e às vezes, a gente ajoelha e tudo mais, então, existe uma bursa, por exemplo, que fica entre a pele e a patela — que é a rótula, né. Então, pra ajudar a deslizar a pele sobre o osso, entendeu, e não machucar nem a pele e nem machucar o osso.

 

Que legal..

São estruturas diferentes, mas a dor, às vezes, é muito parecida também, tá?! Na verdade, uma localização é uma estrutura diferente que está inflamada.

 

Tá, normalmente esse período de inflamação, assim, que o paciente está lá, sentiu a dor e é um processo agudo… Ele fica ali quanto tempo com com a dor? 

Ah, isso é extremamente variável, mesmo porque a gente precisa saber a causa do problema, né, e também tem que ver se é uma patologia aguda, se é uma patologia crônica, meio subaguda… Também depende da condição do paciente.

Por exemplo, pacientes que têm uma condição física melhor, normalmente você consegue trazer essa pessoa para voltar a fazer atividade dela mais cedo, do que aquela pessoa que nunca fez atividade física, e aí pra você chegar numa condição física boa pra ela aguentar, entre aspas, o tranco da do trabalho dela, ela vai demorar um tempo muito maior para chegar nessa condição física ideal.

Então, é extremamente variável Se é uma doença reumática associada, então vai estar muito associado também ao processo da atividade reumática da doença que ela tem, e isso também é variável, então é muito difícil a gente falar, né, o tempo. 

Como eu falei, na crônica, uma pessoa tem dor toda hora, né, isso pode demorar meses, até anos, pra gente conseguir resolver o problema da dor da pessoa. Então, é extremamente variável, e é mais ou menos personalizado pra cada pessoa, porque depende de milhares de fatores, né; não é de um só.

 

Certo. Doutor, agora para finalizar, o paciente, ele precisa fazer fisioterapia ou nem sempre?

Normalmente a gente acaba precisando fazer. Talvez um caso numa tendinite traumática, teve o trauma, né, como teve a torção, teve uma torção, inflamou, né, tomou um pouquinho de remédio para aliviar a dor, esperou o corpo desinchar lá, depois você volta a ter uma atividade normal.

Eventualmente pode ser; talvez não precise fazer uma fisioterapia, mas naqueles casos onde a gente tem uma inflamação um pouco mais crônica, muitas vezes, a gente altera a mecânica do funcionamento das articulações, tá. O que que eu quero dizer com isso? Toda articulação funciona, ela depende dos tendões e da musculatura para ela funcionar adequadamente, e quando uma parte dos tendões não está funcionando direito, essa outra parte que está funcionando, ela começa a trabalhar diferente, para tentar suprir aquela que não está funcionando.

E aí depois ela melhora, mas aí fica uma informação no nosso cérebro, né, aquele modelo errôneo, né, que aconteceu por conta daqueles que estavam machucados. E isso fica uma coisa crônica, e se a gente não trabalhar com isso, não fazer a musculatura reaprender a movimentar mecanicamente a articulação de uma maneira adequada, aí a pessoa acaba não melhorando, porque fica uma coisa meio viciada, e a gente… É muito difícil, porque muitas vezes as mudanças são extremamente sutis, se você não atentar a isso e não começar um tratamento específico pra isso, é difícil de a gente perceber e fazer essa esse tipo de coisas sozinho, entendeu?

Então, às vezes, a gente tem que ver: então, quais são os tendões que estão acometidos? Quais são os tendões antagonistas a ele? — Ou tendões antagonistas, que são aqueles, né, ou que faz o mesmo movimento, ou que faz o movimento contrário dele — Pra saber que tipo de fortalecimento que a gente vai fazer, que tipo de relaxamento, de que tipo de musculatura que está acometida, enfim, é realmente um capítulo extremamente extenso e é muito personalizado, entendeu? 

Mas muitas vezes, a grande maioria das pessoas precisa fazer fisioterapia. Pra quê? Para fazer voltar aquela articulação funcionar da maneira adequada, e depois disso, né, depois do tratamento da tendinite, a gente normalmente precisa que a pessoa tenha uma manutenção, que ela não para de fazer atividade física e mantenha essa musculatura trabalhada, com outro tipo de atividade física, para evitar que ela tenha de novo alguma crise de tendinite.

 

Ótimo. Doutor, assim, pra fechar, se você pudesse dar uma orientação, assim, pra todo mundo que está ouvindo a gente e é sedentário, tipo, pra prevenir tendinite, dor nas costas, bursite, todos esses problemas, né, que a gente sabe que poderiam ser muito preveníveis com movimento… O que que você falaria?

Olha. vai ser um clichezão, mas ele é o mais importante: então, é alimentação saudável, evitar hábitos ruins, como por exemplo tabagismo, o alcoolismo é uma coisa muito ruim, sedentarismo também é muito ruim… Má postura, não trabalhar a parte ergonômica e não entender por que que está acontecendo, por exemplo, a tendinite com você, quais são as coisas que você precisa mudar, pra você evitar com que isso apareça de novo… É basicamente isso. É um clichezão, cê vai falar “mas é tudo isso? Tudo na vida é isso?” , basicamente, muitas coisas na vida é. A gente precisa…

 

…Se movimentar, né?

É, se movimentar. A gente não foi feito pra ficar parado, não é que nem a esponja do mar, que ela fica lá paradona e tudo bem. A gente tem músculo, a gente tem movimento, porque a gente foi criado para isso. 

Então, assim, é vida ter uma vida saudável, que é assim que a gente vai evitar o aparecimento dessas, dessas patologias. 

 

Legal, doutor, muito obrigado aí pelas respostas, acho que foi ótimo, né, aprender mais um pouquinho, e eu tenho certeza que vai ajudar muita gente.

Legal, maravilha. 

 

E pra finalizar eu só vou deixar aqui um recadinho bem rápido, dizendo que o nosso programa ‘Por Que Dói?’, ele vai ao ar todo mês, né, com episódios inéditos.

Então, se você está ouvindo a gente pela primeira vez, é só para explicar que a gente já falou sobre vários tipos de dores, como enxaqueca, cólica menstrual, dor nas costas e por aí vai… Então, se você tem uma sugestão, é só pedir lá nos comentários, e no nosso canal do YouTube também dá para ouvir o ‘Por Que Dói?’.

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Veja também: Dor no ombro | Entrevista

Sobre o autor: Juliana Conte

Juliana Conte é jornalista, repórter do Portal Drauzio Varella desde 2012. Interessa-se por questões relacionadas a manejo de dores, atividade física e alimentação saudável.