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Por Que Dói? #01 | Enxaqueca

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Doença é um dos tipos mais frequentes de dor de cabeça, e pode se tornar um problema incapacitante. Saiba mais neste podcast sobre enxaqueca.

 

A enxaqueca é uma doença neurológica que atinge milhares de brasileiros. O problema é que a grande maioria dificilmente consegue um tratamento adequado e acaba aprendendo a conviver com a dor.

Neste primeiro episódio do podcast Por Que Dói? conversamos com a neurologista Célia Roesler que explica como é possível prevenir as crises da doença.

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Leia a seguir a entrevista na íntegra:

Olá. Meu nome é Juliana Conte, sou repórter do Portal Drauzio Varella e está no ar o primeiro episódio do podcast Por Que Dói?. E para começar, vamos falar um pouco sobre enxaqueca, um assunto pelo qual tenho muito interesse, porque convivo com o problema desde os meus 12 anos de idade e sei que isso está longe de ser só uma dorzinha de cabeça qualquer.

Ela [a enxaqueca] é uma doença que atinge mais de 30 milhões de brasileiros, sendo três mulheres para cada homem, mas o grande o problema é que a maioria dessas pessoas não vão conseguir um tratamento adequado.

Estresse, ansiedade, fome, sono, além da menstruação, são verdadeiros gatilhos para a dor. Gatilho, no caso, é algo que vai desencadear o aparecimento daquela dor. E a dor da enxaqueca é uma dor forte, pulsante, e atinge normalmente um lado da cabeça. Essa dor é tão forte que às vezes impede que o paciente consiga ir para o trabalho, para a faculdade, etc.

E para falar um pouco mais sobre esse assunto, nós convidamos a doutora Célia Roesler, que é vice—coordenadora do Departamento Científico de Cefaleia da Academia Brasileira de Neurologia.

 

Juliana Conte – Bom dia, doutora.

Dra. Célia – Obrigada, bom dia. É um prazer estar aqui. Espero estar contribuindo para melhorar as dores de cabeça das pessoas que estão nos ouvindo.

 

Doutora, acho que senhora já está cansada de ouvir esta pergunta, mas ela é fundamental: qual é a diferença entre dor de cabeça e enxaqueca? O que é que diferencia uma da outra?

Acho que sempre é importante esclarecer isso. Existe mais de 200 tipos de dores de cabeça e a enxaqueca é um desses tipos. Ela é uma dor de cabeça primária, ou seja, a própria dor de cabeça é a doença.

E ela é, dentre as dores de cabeça primária, a mais rica de sintomas, porque não é só a dor de cabeça [em si], mas todos os sintomas que ocorrem com essa dor: que é intolerância à luz, a cheiro, ao barulho, a movimentos; vem acompanhada de náuseas, muitas vezes o paciente tem tonturas, alteração de humor, irritabilidade… E ela tem uma duração, que é de quatro a 72 horas. Começa fraca e vai ficando forte, até muito forte; e é considerada uma das doenças mais incapacitantes, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

 

E ela normalmente surge em que período da vida? Na infância? Na adolescência?

O mais comum é aparecer na idade em que a pessoa é mais produtiva, entre 30~40 anos, mas ela já pode ocorrer na infância, pode começar na menarca — que é a primeira menstruação, no caso das mulheres —, pode melhorar na gravidez e até sarar na menopausa.

 

 Teria uma causa específica? Vocês já sabem qual seria o gatilho para a pessoa ter isso?

Há muitos gatilhos… O gatilho ocorre para aqueles pacientes que já têm enxaqueca, mas é uma doença neurológica, ocorre por uma disfunção química cerebral, geralmente hereditária. Quando você faz uma história de um paciente com enxaqueca, você sempre vai encontrar alguém responsável — na maioria das vezes é a mãe, a avó ou a tia —, alguém da família tem enxaqueca.

 

Uma dúvida muito comum: ela chega a ser considerada uma doença? Qual seria o termo correto?

É uma doença neurológica, porque ela incapacita. Nós falamos que a enxaqueca interrompe a vida. A pessoa tem um casamento, mas ela não consegue ir por causa da luz, do cheiro, do barulho; uma mãe tem uma reunião na escola do filho e ela deixa de ir, mesmo sendo importantíssimo, porque não consegue — ela tem de ficar trancada num quarto escuro, curtindo a dor, até ela passar.

 

É comum, quando as pessoas não conhecem [a doença], acharem que é frescura, como se bastasse apenas tomar um remédio… Mas não é bem assim, não é?

Muitas vezes a pessoa está bem vestida, arrumada, vai trabalhar, mas ela está morrendo. Mesmo falando “não estou conseguindo, tenho que ir embora”, [e as demais pessoas reagem/respondem:] “mas só por causa de uma dor de cabeça?”… Mas ela [a enxaqueca] é realmente incapacitante.

 

E por que é mais comum em mulheres?

Por causa das oscilações hormonais. Para cada quatro mulheres com dor de cabeça, um homem [sofre da doença].

 

Por isso que ela ocorre mais depois da primeira menstruação, não é?

Nos períodos menstruais — pré, entre e pós—menstruais — geralmente piora muito.

 

Doutora, e a enxaqueca com aura? O que seria?

É uma enxaqueca como a outra (sem aura), que tem todos aqueles sintomas — de intolerância à luz, a cheiro —, porém, antes de acontecer a dor, a pessoa pode ter alterações visuais ou sensitivas, [por um período] de dez a 60 minutos. As [alterações] visuais [são]: enxergar cobrinhas luminosas, bolas escuras, ou perder a metade da visão — a pessoa olha para você e enxerga somente metade do seu rosto; as [alterações] sensitivas são: formigamentos na mão, no braço, no rosto e na metade da língua. Isso assusta muito, porque a(o) paciente pensa que está tendo um derrame. É o mesmo mecanismo da enxaqueca: é pela vasoconstrição, vasodilatação — mas isso assusta muito.

 

Mulheres que utilizam anticoncepcional também precisam ficar atentas?

O maior problema da enxaqueca com aura, não só para quem usa anticoncepcional, mas para quem fuma, é que ela aumenta a incidência do acidente vascular cerebral, do derrame, tanto em homens quanto em mulheres. [No caso das mulheres] Quando a paciente toma anticoncepcional combinado — que é progesterona e estradiol —, ela tem um risco maior de ter um acidente vascular cerebral se ela tiver a enxaqueca com aura… Agora imagina se ela tomar o anticoncepcional combinado, fumar e ter a enxaqueca com aura… O risco é três vezes maior.

 

 Nossa. É importante explicar isso para o ginecologista, não é?

Sempre que for ao ginecologista avise que tem enxaqueca, porque mesmo para a sem aura é melhor que use uma baixa dosagem.

 

 Essa com aura também é mais comum em mulheres ou os homens também podem ter?

É mais comum em mulheres, mas os homens têm também. E o homem sente mais dificuldade de viver com a dor, então ele fica desesperado. Ele quer uma solução imediata, pois sofre muito.

 

Qual seria o perfil do paciente enxaquecoso? É assim que vocês denominam?

O paciente enxaquecoso geralmente é um paciente que nós chamamos de perfeccionista; é aquele paciente que se cobra muito, que não se permite errar. E ele já tem mais transtorno de ansiedade, já é mais depressivo… Já são características dele. Qualquer coisa que ele faça e que saia de seu controle já é um gatilho… Por isso que o estresse é o maior gatilho para a enxaqueca.

 

Além de hábitos alimentares…

Alterações no horário do sono, vida sedentária, uma dieta muito gordurosa, jejum prolongado… Tudo isso contribui como gatilhos para dor de cabeça.

 

Doutora, eu tenho enxaqueca desde os 12 anos, e eu lembro que quando fui a uma especialista ela perguntou se eu tinha as mãos geladas. Qual é a relação disso [com a enxaqueca]?

É muito comum. Os pacientes com enxaqueca têm as extremidades [do corpo] frias. Não só as mãos, mas também os pés, e, muitas vezes, soam também nas mãos e nos pés, justamente por serem pessoas mais ansiosas. E no momento da crise isso piora muito. Então a ansiedade é uma descarga (de maior adrenalina) que provoca vasoconstrição, isso dificulta a circulação sanguínea e então esfriam as extremidades.

 

Também tem outras características, não é? Por exemplo, quando uma crise está para chegar, a pessoa de repente começa a bocejar do nada…

 Até dois, três dias [antes da crise] a pessoa fala “ai, eu acho que vou ter enxaqueca. Já estou bocejando muito, estou ficando meio irritada…”, “estou ficando mais cansada” ou “estou com compulsão por doces”… Estes já são (pródromos) para enxaqueca.

 

Exatamente… Bom, no meu caso, eu sei que uma crise está para chegar quando a minha vontade por doces aumenta bastante, além da questão do barulho.

 [Antes da crise] Qualquer coisa, qualquer batidinha parece um estrondo; a luz de um carro, que poderia ser normal, parece um flash luminoso… Durante a crise é muito pior, mas antes de acontecer, essas coisas já começam a incomodar.

 

E nessa fase (premonitória) é possível fazer algo pelo menos para evitar que a crise se instaure?

O médico que está acompanhando vai orientar o paciente a usar uma medicação, para tentar evitar que a dor chegue tão forte. Às vezes, não é possível evitar que ele venha, mas é possível fazer com que ela venha mais suave.

 

Doutora, em relação ao tratamento, por que é que é tão difícil tratar a enxaqueca? E por que é que não existe um remédio específico para ela?

Porque a enxaqueca é um diagnóstico clínico, ela ocorre por uma alteração química cerebral, então não tem nenhum exame que vá mostrar que você tem enxaqueca. Por isso uma anamnese, uma história de um paciente que chega pela primeira vez numa consulta leva muito tempo, porque você faz perguntas que vão dos pés à cabeça, literalmente. Então, nós temos que emprestar medicamentos da epilepsia, usando os anticonvulsivantes, que funcionam muito bem como tratamento preventivo; da psiquiatria, alguns antidepressivos, que também têm uma resposta muito boa; da cardiologia, medicamentos para pressão a medicamentos para labirintite. Mas, atualmente, está chegando ao mercado mundial, e agora ao Brasil também, um medicamento específico para tratar enxaqueca.

 

 Seriam aquelas injeções das quais vocês tem falando?

É um medicamento biológico, já muito usado para o câncer, para artrite reumatoide… Por ser biológico, por ser um anticorpo humano, tem poucos efeitos colaterais.

 

Diferente daqueles remédios que a senhora comentou [antes], não é? Porque conversando com outros pacientes, essa desistência do tratamento é bastante comum, devido aos efeitos colaterais.

Tem aqueles pacientes que têm que tomar algum medicamento que leva ao aumento de peso ou queda de cabelo; outros, até ajudam a não perder peso, mas a memória fica difícil, a cognição fica ruim. Às vezes, remédios para pressão baixam muito a pressão, ou deixam o paciente bastante cansado; os de labirintite podem dar muito sono; os de depressão também podem dar sono e [contribuir com o] aumento de peso…

 

Uma dúvida: o que é que remédios para depressão e epilepsia tem a ver com enxaqueca?

Eles agem na disfunção química cerebral. Os antidepressivos bloqueiam a recaptação de serotonina, que é uma substância química muito importante nos casos de depressão e de dor, de enxaqueca; dor crônica. Os anticonvulsivantes são neuromoduladores, servem tanto para epilepsia, como também como estabilizador de humor, e agem no centro da dor. Já os da cardiologia agem como bloqueadores de adrenalina, então diminuem a descarga de adrenalina.

 

Ainda falando sobre tratamento, somente o [tratamento] farmacológico tem eficácia, ou as terapias alternativas — como acupuntura e psicoterapia —, também ajudam?

Eu diria que acupuntura, psicoterapia, mudanças de hábitos de vida e atividade física complementam um tratamento medicamentoso, mas não o substituem.

 

 Voltando à questão das injeções que a senhora comentou há pouco, quais seriam os benefícios em relação aos medicamentos? Seriam somente os [a ausência de] efeitos colaterais?

Todo paciente que tem uma enxaqueca crônica — aquela que é sentida em, pelo menos, 15 de 30 dias — faz uso abusivo de analgésicos. Ele toma bastante medicamento. Como essa injeção já vai ter resposta a partir da primeira, ele já começa a reduzir o uso abusivo de analgésicos. Então, isso é muito bom. Os trabalhos que foram feitos, foram com pacientes de 18 a 65 anos, por 24 semanas, mas os resultados são muito promissores.

 

No meu caso, eu andava — na verdade ainda ando — com vários remédios para dor de cabeça na bolsa. E a senhora comentou uma vez que é muito comum o paciente enxaquecoso andar para lá e para cá com uma bolsinha cheia de analgésicos. Mas, é perigoso tomar tantos remédios, não é?

É. O paciente enxaquecoso tem uma coisa que nós chamamos de cefalofobia — que é o medo de ter dor. Então, ao menor sinal de dor, ele já toma um remédio. Quando nós damos uma martelada no dedo, por exemplo, vem aquela dor forte, o latejamento… E o que que acontece? O nosso cérebro produz endorfina, que é a nossa morfina interna, e essa dor vai melhorando aos poucos. Quando o paciente que tem enxaqueca começa a usar cada vez mais analgésico, o cérebro se acomoda e para de produzir a endorfina. O que é que vai acontecer? Ele [o cérebro] vai pedir cada vez mais analgésico. Então fica: dor—analgésico—dor, dor—analgésico—dor. Nós chamamos isso de efeito rebote. Por isso, quando um paciente chega [até nós] fazendo uso abusivo de analgésicos, a primeira coisa que fazemos para ele melhorar é o desmame dos analgésicos.

 

Nossa, mas isso deve ser difícil…

É muito difícil, tem que existir uma cumplicidade muito grande do médico com o paciente, ele tem de dar uma medicação de suporte para substituir esses analgésicos, e ficar do lado [do paciente] a todo momento — porque ele [o paciente] fala “eu não vou aguentar, eu vou tomar…”, “doutor, o que é que faço?”… você orienta, mas consegue. Não é na primeira, nem segunda [vez], mas consegue.

 

Eu acho que essa é a grande questão dos pacientes: encontrar um tratamento que resolva, porque é muito comum, principalmente para aqueles que têm plano de saúde, conseguir acesso a um neuro que pede diversos exames, mas que no final diz que é só uma dor de cabeça. Nada é feito para prevenir [a dor]. Ou, então, o paciente que não tem plano e recorre ao SUS, espera uma década para ser atendido, e dificilmente vai conseguir um tratamento adequado. Doutora, eu queria que a senhora dissesse o que é mais prudente de se fazer nesses casos: procurar um centro de referência ou algum hospital universitário? O que é melhor?

O ideal seria isso. Bom, se o paciente tem um plano de saúde, ele vai marcar [consulta] com um neurologista e tem que perguntar “doutor, você trata dor de cabeça crônica?”. [Tem de] usar esse termo, porque daí o médico vai direcionar mais: “ah, eu trato mais epilepsia”, “eu trato esclerose múltipla”… Se não tiver esta opção, o paciente pode procurar o Hospital São Paulo, por exemplo. Vai demorar, ele vai passar pela triagem, mas [depois] vai para o Ambulatório de Cefaleia do HC, para a Liga de Cefaleia do Hospital das Clínicas, para o Ambulatório de Cefaleia do Hospital São Paulo, para a Santa Casa — que também conta com um pessoal bom em cefaleia.

 

Teria alguma dica para as pessoas que não estão em São Paulo? O que elas deveriam fazer primeiro?

A Sociedade Brasileira de Cefaléia tem especialistas no Brasil inteiro, em qualquer estado. Então, o paciente entra no site www.sbcefaleia.com.br, que ele vai encontrar um médico da cidade dele, ou pelo menos no estado dele, que vai tratar sua dor de cabeça dele.

 

Nós já falamos um pouco sobre isso, mas eu queria que a senhora reforçasse… Além do tratamento medicamentoso, o que você costuma recomendar para os seus pacientes?

Primeira coisa: dieta equilibrada; atividade física regular; horário de sono regular; não fazer jejuns prolongados. Se você não tem horário certo para se alimentar, leve uma barrinha de cereal, uma fruta. Beba muita água, porque a água hidrata as células nervosas, faz o paciente urinar mais e, assim, vai eliminar as toxinas que estão contribuindo para as dores. E tente tirar férias, não se sobrecarregar — sei que hoje é difícil, mas o paciente tem que se respeitar.

 

Quando a senhora fala de dieta equilibrada, o que isso quer dizer?

Pouca gordura, pouca fritura, consumir — se for consumir — álcool com moderação, não fumar…

 

E exercícios físicos, porque liberam a endorfina…

A endorfina é um analgésico interno, então se você faz uma atividade física regular, principalmente uma aeróbica, o teu cérebro vai produzir mais endorfina, te ajudando a ter menos dor.

 

E os medicamentos utilizados para crises? São de que tipo?

São medicamentos vasoconstritores, porque numa crise — além do processo inflamatório, da liberação de substâncias químicas —, os vasos que ficam entre calota craniana e o couro cabeludo contraem, depois dilatam. Esses medicamentos específicos para enxaqueca são os chamados vasoconstritores — também conhecidos como triptanos. Nós temos vários triptanos no mercado.

 

 É por isso que dizemos que a enxaqueca é uma dor que pulsa, certo?

A dilatação que provoca o latejamento. Primeiro contrai, daí a dor vem no momento da dilatação e lateja.

 

Normalmente o paciente com enxaqueca faz uma peregrinação de médico em médico até conseguir um tratamento adequado. Como os pacientes acabam chegando até a senhora?

Muitas vezes é por indicação, [por meio de] matérias na mídia, uma amiga que passou [o contato]… Eles usam muito o Facebook, então postam “quem trata dor de cabeça? Estou desesperado” e as pessoas indicam.  E quando você recebe este paciente é uma responsabilidade muito grande, porque é aquele paciente que se considera desenganado. Ele fala “a senhora já é a oitava/nona [médica/neurologista]…”, isso em qualquer consultório especializado, “…eu estou passando por vários consultórios e ninguém resolve, ninguém acredita na minha dor, ninguém leva a sério o que eu estou sentindo… ninguém me ouve…”, porque ele gosta de ser ouvido, quer contar tudo que acontece — por isso a importância do diário, para saber o que aconteceu antes, durante e depois de uma crise.

 

Gostaria que a senhora comentasse um pouco sobre a importância desse diário de dor. Como que ele funciona?

 Nós damos um diário para o paciente, no qual ele vai marcar o dia do mês em que [a cabeça] doeu; o momento em que doeu — se foi de manhã, à tarde ou à noite; não a hora, mas o período —; se essa dor foi muito forte, forte, média ou fraca; e o que ele tomou, qual remédio ele usou para [amenizar] essa dor. No caso das mulheres, o dia em que ela menstruou; se tem ou não dor — pois, às vezes, a dor pode ser presente apenas na ovulação —; e aí ela vai colocar alguma observação: o que aconteceu antes daquela dor, se foi algum alimento que ela ingeriu, se foi álcool, um stress no trabalho ou no trânsito, na família… Vamos supor que você se consultou comigo e retorna, dali a dois meses.  Vou perguntar “Juliana, quantas vezes você teve dor de cabeça neste mês? Quantas vezes foi de manhã? Quantas vezes foi à tarde, no período menstrual?”… Por que isso é importante? Primeiramente porque, se você não anotar, você não vai lembrar; segundo: o horário é importante, porque, às vezes, posso te dar uma medicação à noite, sendo que a sua dor de cabeça normalmente se dá à tarde. Então, eu preciso de uma medicação que você comece [a tomar] de manhã, para que, quando chegar a tarde, não tenha dor. Então a gente vai acertar a medicação de acordo com o diário. E também vou controlar o número de analgésicos que você está tomando de acordo com o diário.

 

Doutora Célia, para encerrar, qual seria o conselho que a senhora daria para aquelas pessoas que estão ouvindo a gente, que têm enxaqueca, mas que ainda não sabem o que fazer para tratar o problema?

Primeiro conselho é: não se acostume com dor de cabeça, não fique sofrendo. Para [curar a] dor de cabeça tem que procurar ajuda, tem que tratar, e a tua qualidade de vida pode melhorar muito com o tratamento. Então, enquanto você procura ajuda, busque mudar seus hábitos de vida, fazer uma atividade física regular, [ter] horas de sono equilibradas… [E quanto à] atividade física você tem que escolher aquela que você gosta, porque é a que você vai fazer. Não adianta eu falar pra você que correr é o melhor, se você gosta apenas de fazer musculação, pilates ou ioga. Mas faça alguma coisa para ter o seu momento, para você relaxar, e se puder, faça também uma terapia associada. Mas cuida de você, que a tua qualidade de vida vai melhorar muito.

 

Doutora, muito obrigada pela sua presença aqui no nosso estúdio. A gente vai encerrando por aqui agora.

Esse podcast, para quem não sabe, é para falar sobre dor — no sentido geral. E a gente quer saber qual que é a sua dor. Se você tem algum problema que passa despercebido, manda lá pra gente, na Página do Facebook do Drauzio, em qualquer post. Comenta lá com a #pqdoi um tema sobre o qual você queira saber mais, que a gente vai tentar falar no próximo mês. Lembrando também que nós temos um outro podcast, chamado Entrementes — que é sobre saúde mental. Para acessar é só entrar no Portal do Drauzio, onde já tem alguns episódios disponíveis.

Sobre o autor: Juliana Conte

Juliana Conte é jornalista, repórter do Portal Drauzio Varella desde 2012. Interessa-se por questões relacionadas a manejo de dores, atividade física e alimentação saudável.

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