Por Que Dói? #28 | Joanete

O joanete é, digamos assim, aquele “osso do dedão do pé que fica pra fora". Embora o surgimento dessa deformação esteja associado ao uso de sapatos apertados e de bico fino, o joanete é considerado uma condição com predisposição hereditária.

Juliana Conte

Juliana Conte é jornalista, repórter do Portal Drauzio Varella desde 2012. Interessa-se por questões relacionadas a manejo de dores, atividade física e alimentação saudável.

Compartilhar

Publicado em: 17 de setembro de 2021

Revisado em: 20 de dezembro de 2021

O joanete é, digamos assim, aquele “osso do dedão do pé que fica pra fora”. Embora o surgimento dessa deformação esteja associado ao uso de sapatos apertados e de bico fino, o joanete é considerado uma condição com predisposição hereditária.

 

 

 

O joanete pode ser classificado em três níveis: leve, quando a deformação está dentro do normal; moderado, quando ela é um pouco maior, mas não causa dor; e grave, quando está associada a complicações. Essa condição está ligada a causas genéticas e uso de sapatos muito flexíveis ou apertados.

Além disso, pacientes com doenças reumáticas, como lúpus e artrite reumatoide devem ter atenção redobrada, pois o risco de deformidade nos pés aumentam com a idade. Ouça agora a entrevista com o dr. Alexandre Godoy, chefe do grupo de pé e tornozelo do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do HCFMUSP.

Ouça também no YouTube:

Olá, pessoal, sejam muito bem-vindos aí a mais um episódio do podcast Por Que Dói. Eu sou a Juliana Conte, repórter do Portal Drauzio Varella, e a nossa conversa de hoje vai ser sobre joanete.

Eu acho que todo mundo aí já ouviu falar, né, sobre esse problema, mas, se você nunca ouviu, a joanete é, digamos assim, aquele osso do dedão do pé que ele fica um pouco pra fora. Mas, se você ainda tá com dúvida, eu sugiro você dar um google ali rapidinho e colocar no buscador o pé do jornalista André Rizek.

Brincadeiras à parte, a joanete é um problema sério, que causa bastante dor de cabeça pros seus portadores porque, além de ir deformando os pés das pessoas com o passar do tempo, ela é uma condição que gera muito desconforto e complicações, principalmente por conta da dor. E também o paciente, ele sente muita dor quando o quadro inflama. Então, quanto mais cedo você cuidar, é melhor.

 

Quem vai falar melhor sobre o assunto, hoje, aqui com a gente, é o doutor Alexandre Godoy, ele que é chefe do Grupo de Pé e Tornozelo do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas, aqui da Universidade de São Paulo. Boa tarde, doutor, muito obrigada pela presença aqui do senhor hoje.

Doutor Alexandre Godoy Juliana, muito obrigado pelo convite, um prazer ´tar aqui com vocês hoje.

 

Legal. Pra começar, se a gente começar a reparar, assim, no pé das pessoas, né, pelo menos, eu costumo fazer isso às vezes, pode ser um pouco estranho, mas, enfim… Todo mundo tem um certo grau de deformidade no dedão, vai, vamo colocar assim. Aí eu queria saber o quanto isso é normal e o que que a gente já caracteriza como um início de joanete ou uma tendência a ter, né, joanete no futuro.

Legal. Então, como você reparou, realmente o joanete, né, a deformidade do dedão, é uma das situações mais comuns no meio ortopédico, né, como aqui, um país tropical, a gente anda descalço ou de chinelo, realmente as pessoas reparam umas nos pés das outras. Formalmente, o joanete, a deformidade chamada hálux valgus, tecnicamente é definida quando você tem um desvio, ou seja, uma deformação do dedão maior do que 15 graus. É óbvio que isso é uma definição radiográfica, uma definição técnica, mas nós poderíamos dividir, então, o joanete em três grupos: o joanete leve, que seria uma situação dentro da normalidade, né, que não é uma doença; o joanete moderado, onde a pessoa tem uma deformidade mais acentuada, sem dor, sem uma repercussão clínica, e o joanete grave, quando a deformidade é bem intensa, e o paciente tem limitação funcional pra andar, por causa da deformidade.

 

Tá. Mas por que que isso ocorre? Todo mundo fala de uso de sapatos apertados, usar salto muito alto, muito fino, mas o quanto isso realmente é, assim, um vilão, vamo colocar assim, ou tem mais a ver com a questão genética?

Tem um perfil genético característico. Então, pessoas que tenham familiares, especialmente mulheres, que têm mães e avós com joanete, têm uma probabilidade maior de ter, mas é uma situação multifatorial, ou seja, pode ter várias causas ou um conjunto de causas que levam a essa deformidade. Existem algumas pessoas que já nascem ou que na adolescência já apresentam o joanete, que seria o joanete juvenil, e esses são casos mais característicos, que têm um perfil mais relacionado à hereditariedade. E existe o joanete que é o mais prevalente, o mais comum, que é o joanete das pessoas mais idosas, que se desenvolve ao longo do tempo, e nessa situação, sim, o calçado apertado, alguns tipos de esporte, alguns tipos de profissão podem ser fatores que contribuem para que ocorra a deformidade.

 

No caso, por exemplo, usar o sapato apertado quando você é jovem, assim, isso pode acarretar no futuro uma deformidade ou não?

Depende muito da regularidade, da frequência que você usa esse calçado apertado. Então, sempre que o bico do calçado converge pra formar, então, essa congruência na frente dos dedos, você tem o estímulo à deformação. Portanto, um calçado apertado, o calçado de salto que tem o bico fino, eles são fatores que integram essa lista multifatorial que pode piorar o joanete.

 

Certo. É sempre o dedão, né, doutor, que ele vai entortando?

Sempre o dedão.

 

E, além dessa forma, tão característica, né, quais são os outros sintomas que a pessoa costuma sentir?

Algumas pessoas sentem muito precocemente, ou seja, quando começa a ter a deformidade, já sente desconforto, já sente dor, principalmente relacionada à compressão, ao atrito. Então, sempre que você tem um joanete o seu antepé, a parte dos dedos, fica mais largo, né, fica num comprimento maior. E, nessa situação, aqueles tênis, aqueles calçados que você usava no passado e que tinham uma forma que encaixava o seu pé passam a ser muito restritivos, e isso estimula o nervo, isso causa inflamação na articulação, isso causa dor na planta do pé, e é o que vai levar a esse processo inflamatório doloroso, é, nos pacientes que têm a deformidade.

 

Certo, e também eu tava vendo uns vídeos, principalmente em pé de paciente que tem doença reumática, né, que vai, com o passar do tempo, deformando tanto que o dedinho do lado também acaba ficando sobrecarregado e gerando muita dor.

Isso. Algumas doenças sistêmicas, né, que nós chamamos, e, dentre elas, a artrite reumatóide, são situações que potencializam a deformação do joanete. Então, o que pode acontecer são deformidades combinadas, e isso é muito frequente no joanete grave, no joanete crônico, principalmente do idoso. Então, você pode ter essa situação que você comentou, então, o segundo dedo, ele pode até subir em cima do primeiro, que nós chamamos tecnicamente de crossover toe, e você pode ter também os dedos em garra, quando os dedos pequenos, né, do segundo ao quinto dedo, eles se deformam e ficam em flexão, como se fosse uma garra mesmo. Então, essas deformidades combinadas com o joanete são bastante prevalentes, e isso vai ter um impacto também na tomada da decisão em relação ao tratamento.

 

E, doutor, assim, baseado na sua experiência, o que que realmente piora, assim, a joanete? Se o senhor pudesse listar aí o que que a pessoa deve abolir pra, sei lá, não sentir dor e prevenir o problema.

O que tem de ficar claro pra todos é que o joanete é uma deformação, quando o alinhamento está errado, e esse alinhamento errado, ele pode ser potencializado por estímulos que aumentem a deformação. Calçado de bico fino tá nessa lista, calçados muito flexíveis, muito moles, como, por exemplo, sapatilhas, que deformam muito o pé a cada passo, e alguns esportes ou algumas atividades profissionais que a pessoa tenha que usar esse apoio do dedão pra se deslocar. Então, o deslocamento humano, ele gera uma deformação do dedão. Se o dedão tem um alinhamento correto, sem nenhum problema. Se o dedão tem o joanete, ele está desalinhado e, quanto mais vezes houver essa deformação ao longo do dia, por estímulo de calçado, por atividade específica ou por falta de proteção no calçado, a tendência é que haja uma progressão da deformidade, um aumento da deformidade.

 

E sapato baixo, aquelas… por exemplo, chinelo, que não tem um saltinho, sabe, mulher usa muito, fala rasteirinha, não sei se isso também…

Isso. As rasteirinhas, as sapatilhas e os calçados de salto de bico fino tradicionais, eles são os grandes vilões, do ponto de vista da vestimenta, né, dos calçados, na potencialização da deformação do joanete. Então, se a gente fosse listar os principais vilões do armário feminino, seria, então, a rasteirinha, como você tá falando, o calçado de salto de bico fino e as sapatilhas.

 

Então, mas aí nesses casos o que que o senhor sugere usar, tênis, que tem amortecedor? Não sei.

Retomando aquela fala que eu disse recentemente, então, no dedo deformado é preciso evitar a deformação cíclica, que, na verdade, é a nossa locomoção. O armário feminino tem vários calçados que protegem o joanete, que limitam essa deformação do dedão do pé. Então, calçado tipo anabela, calçado tipo plataforma, um calçado de salto que tenha uma meia pata na frente, todas essas são características que estabilizam os dedos, que deformam menos o pé pra dar o impulso e, portanto, são calçados protetores pro joanete.

 

O tênis? Tênis é bom.

O tênis… tem alguns tênis com solados mais grossos, que têm essa característica de proteger, mas existem tênis que são mais fininhos, muito moles, muito flexíveis, esses não têm uma característica tão protetora.

 

Aqueles que ficam bem rentes ao chão, né?

É, tipo sapatênis, né, que é bem fininho, bem flat, bem reto, esses não são protetores.

 

Entendi. E, doutor, quando tá inflamado, a pessoa tá com dor, além de medicação, tem algo que a pessoa possa fazer pra pelo menos aliviar ali os sintomas?

Se o processo é um processo inflamatório, existem medicações analgésicas e anti-inflamatórias pra diminuírem o sintoma. O gelo, né, a crioterapia local, 15 a 20 minutos de sessão, também ajudam muito a aliviar o sintoma e, às vezes, você tem que usar uma sandália ortopédica, que é uma sandália que tem essa característica de maior proteção, de forma que você permite que a pessoa leve a vida dela normalmente, né, possa se deslocar, trabalhar, mas que deixa em repouso o dedão. O dedão não mexe e aí ele vai ter uma melhora do processo inflamatório.

 

Muita gente acha que é só um problema estético, né, principalmente quando a curvatura não é muito acentuada. Mas, por exemplo, se a pessoa for largando, for deixando, que outras complicações a pessoa pode ter no futuro?

Então, a principal complicação relacionada ao joanete é a artrose do dedão, que é quando o revestimento de cartilagem, que é aquele tecido que permite uma mobilidade da articulação, o movimento articular livre, ele é consumido, ele é gasto, como se fosse um pneu de carro que gastou. E isso é muito dolorido porque você perde a cartilagem, um osso começa a bater no outro e você tem uma grande sintomatologia, uma grande inflamação na articulação, quando as pessoas não conseguem nem andar. Então, essa seria a primeira grande complicação, e as outras grandes complicações relacionadas são, basicamente, a formação de calo na pele, às vezes, pode formar até uma úlcera na pele, uma ferida e, como eu disse anteriormente, todas as deformidades associadas dos dedos menores, que podem começar a se deformar porque nós sabemos que o dedão é o maestro do pé, é o titular, é  o atacante do time e, se ele não está bem por muito tempo, os outros vão começar a sofrer e vão começar a deformar também.

 

Tá. E, doutor, eu dei um google, né, e tem vários corretivos pra joanete, que a gente acha aí pra comprar. Isso realmente funciona, que a pessoa parece que passa um velcro pro dedo voltar. Isso tem eficácia?

Tem uma gama de opções no mercado, né, pra essa situação. O que eu posso afirmar é que alguns deles realmente aliviam o sintoma de dor, então, quando o paciente tá com dor e ele usa um espaçador ou um tensor pra correção da deformidade, ele sente alívio, mas essas opções não mudam a deformidade porque a deformidade do joanete, ela é estruturada, então, você tira aquela órtese, aquele tensor, e o dedo volta pra posição original. Então, é mais indicado pro alívio do sintoma.

 

Tá. A gente falou bastante de sapato, mas daí me veio aqui uma outra dúvida, que são aquelas sandálias de divisão, mais comum são as havaianas, né, que têm essa divisão, né, ajuda realmente?

O nosso famoso chinelo de dedo, realmente ele não pressiona o dedão, né, então, não vai ter aquele estímulo que eu falei do atrito, ele não vai permitir que haja nenhum estímulo à deformação porque o dedão tá livre, então, não tem tendência a deformar mais. Então, sim, é uma opção, mas não é a opção ideal. A opção ideal é aquela que tenha o calçado realmente mais estruturado pra evitar a deformidade que o chinelo não evita, né. Quando eu tô fazendo o meu passo, o chinelo é totalmente moldável e flexível.

 

É e é baixinho também, né, doutor? 

Exatamente.

 

Agora, a gente vai entrar na esfera do tratamento, que eu acho que é onde mais tem dúvidas, né, e as pessoas mandam muitas questões, enfim… Eu acho que tem um receio muito grande que, quando fala de joanete, todo mundo tem medo da cirurgia. Mas quando que é indicado, enfim?

O ideal no joanete é que, assim que a pessoa identifique que tem joanete, ela já procure um atendimento porque existem estratégias de prevenção pra que aquela deformidade que é pequena continue pequena, ela não progrida. Então, esse é o primeiro grande recado.

 

Por que, se não fizer nada, ela vai piorar.

A tendência é piorar, mas, assim, demora anos pra isso acontecer, vai devagar, aos poucos. Mas existem estratégias eficientes pra parar a deformidade e não ter uma progressão até a fase grave, que é a fase que pode ser cirúrgica. A segunda informação importante é: o joanete tem sempre que ser operado? Basicamente, ele tem que ser operado se ele causa muita dor e essa dor não está sendo controlada com medidas não-cirúrgicas e se ela está levando a consequências graves. Então, às vezes, o paciente não sente tanta dor, mas ele já tá começando a apresentar o consumo da cartilagem, ele já tá começando a apresentar uma deformidade dos outros dedos menores e aí, talvez, o tratamento cirúrgico possa melhorar o joanete e evitar as lesões associadas.

Em relação à cirurgia, todos nós, né, da nossa geração, a gente tem uma memória, assim: ah, mas a minha avó operou o joanete e doeu; a minha mãe operou e doeu; a minha vizinha voltou a deformar… Então, existe essa sensação, né. O que eu posso te dizer é que a ortopedia, mais relacionada ao pé e tornozelo, ela evoluiu muito nos últimos 15 anos, então, hoje, existem cirurgias de rápida recuperação, que são eficientes na correção da deformidade e, mais do que isso, a correção é permanente, ela tem durabilidade. Mas cada caso é um caso. Existem características de cada uma das fases do joanete, e o que é importante: tem muitas técnicas cirúrgicas descritas no mundo inteiro. E nós, ortopedistas, sempre que, assim, a gente vê muita técnica cirúrgica, a gente fica desconfiado porque o ideal é ter três ou quatro. Então, sempre que for optar pelo tratamento cirúrgico é importante lembrar que tem um resultado muito bom, não é uma cirurgia que deva doer, não é uma cirurgia que tenha um tempo de recuperação muito longo, mas a tomada de decisão entre operar e não operar deve ser tomada com muita cautela.

 

Tá. E ela é muito invasiva, doutor, essa cirurgia atualmente?

A agressividade da cirurgia vai estar relacionada ao grau da deformação: leve, moderada e grave. Hoje em dia, a gente tem técnicas cirúrgicas que são com pequenas incisões na pele e nós temos, às vezes, que fazer uma cirurgia maior porque a deformidade é muito grande, tem que incluir os outros dedos, é, menores. Então, nós temos uma gama de possibilidades em termos de agressividade cirúrgica hoje em dia, mas é basicamente relacionada também ao grau de deformidade. Quanto mais leve, a cirurgia é mais simples; quanto mais grave, a cirurgia é um pouco mais agressiva.

 

Tá. Em média, assim, no pós-operatório, a pessoa, ela realmente não pode colocar o pé no chão?

O ideal é que a pessoa fique ao redor de sete dias sem pôr o pé no chão por causa da cicatrização, da agressão da cirurgia – lembrar que você faz uma cirurgia no pé, onde você põe seu peso corporal em cima. Ela necessita de um pequeno período de recuperação pra que você possa novamente ter a demanda mecânica ali em cima. Então, seria esse intervalo de sete a 10 dias sem pôr o pé no chão pra maioria dos casos, de maneira generalizada. Hoje em dia, a gente tem o patinete pra quem opera o pé e tornozelo, o que dá uma superindependência física pra esses pacientes. Então, é um patinete em que, em vez de você pôr o pé no patinete, você põe a perna do pé operado e consegue se deslocar de uma maneira bastante segura, porque ele tem quatro rodas, tem freios, então, isso não é um fator tão limitante hoje em dia.

 

É um patinete?

É um patinete, chama kneescooter, foi inventado nos Estados Unidos, a gente já tem isso aqui no Brasil, e os pacientes ficaram muito felizes porque daí eles ficam independentes, eles se deslocam dentro de casa, fora de casa, vão passear, é uma ferramenta muito interessante. E, depois de sete ou 10 dias, cicatrizou a pele, tira os pontos, coloca um desses tipos de calçado mais protetores, até que haja a cicatrização plena da cirurgia. Isso demora, geralmente, entre um mês e um mês e meio.

 

Tá. É um processo um pouco, assim, chatinho, né, doutor?

Muda um pouco a dinâmica da rotina da pessoa, tem que se programar.

 

Programar, exatamente. Bom, doutor, tem mais alguma coisa que é importante falar sobre esse assunto, que, de repente, eu não abordei?

Uma situação que a gente sabe que ajuda a manter o pé saudável é você fazer exercícios para a musculatura do pé. Por incrível que pareça, nós temos muitos músculos dentro do pé, nós temos cinco camadas de musculatura e que, se a gente parar pra pensar, a gente não exercita, não faz uma atividade pra essa região, a não ser pisar em cima e se deslocar. Então, as pessoas que tenham dúvidas ou que tenham um joanete inicial, às vezes, é interessante fazer um pouco de fortalecimento dessa musculatura intrínseca do pé. É algo simples de ser feito, que você faz em pouco tempo, gasta pouco tempo, pode fazer duas ou três vezes por semana, e isso é um fator que protege, que dá força pro pé e evita uma deformidade maior.

 

O senhor poderia citar algum exercício específico?

Por exemplo, pra gente fazer o fortalecimento dos músculos flexores do pé, uma opção é você pegar uma toalha grande de banho, pôr ela no chão esticadinha, sentar no sofá e ir puxando com os dedos, recolhendo essa toalha. Isso fortalece toda a musculatura do pé, é uma atividade simples de ser feita, não tem grande problema, né, é uma toalha de banho, e você fortalece essa musculatura. Existem outras opções com elásticos de resistência ou mesmo com alguns tipos de peso, que podem ser exercícios bastante benéficos pra saúde do pé. A gente sabe que o pé, assim como todo o corpo, vai se modificando ao longo do envelhecimento, vai perdendo revestimento de gordura, vai perdendo força muscular, vai perdendo robustez dos ligamentos e, se a gente conseguir ter uma estratégia de fortalecê-lo, com certeza, ele vai ser um pé mais saudável quando a gente estiver mais velhinho.

 

Eu lembrei de um aqui agora, que acho que até fazia na aula de pilates, que é tentar pegar uma bolinha, assim, com o pé. Não sei se ajuda.

Exatamente, você tentar fazer a apreensão de uma bolinha com o pé. Perfeito!

 

É, legal, tentar incorporar na rotina pode ser legal. Bom, doutor, muito obrigada aí pelas respostas, eu acho que foi excelente o nosso bate-papo e, principalmente, aprender um pouquinho mais sobre o tema, e eu tenho certeza que vai ajudar aí muita gente.

Muito obrigado, Juliana, novamente. Foi um prazer estar aqui com vocês, poder falar sobre esse assunto, que pra mim é fascinante.

 

Muito obrigada, pessoal, e até a próxima.

Veja também: Artrite e artrose em pessoas mais velhas | Entrevista

Veja mais