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Puerpério na pandemia: veja os cuidados para amenizar as dificuldades dessa fase

mã segura recém-nascido junto ao peito. Puerpério na pandemia pode ser ainda mais difícil.

Medidas para conter o avanço da pandemia tornam o puerpério, período do pós-parto, ainda mais delicado. 

 

A chegada de um novo bebê a uma família normalmente é um momento de alegria, mas também conturbado, principalmente para a mãe que acabou de dar à luz. 

Após o parto, a mulher passa por uma avalanche hormonal e precisa se adaptar a uma nova rotina de cuidados intensivos com o recém-nascido. Por isso, poder contar com uma rede de apoio que inclua pessoas de confiança é importante. No entanto, diante da pandemia de covid-19, muitas mulheres estão passando pelo puerpério (período de 45 dias após o parto) mais solitárias por não poderem dispor desse suporte extra.

Veja também: Cuidados com os bebês nos primeiros meses de vida

Para além do período pandêmico, quando falamos em depressão pós-parto, o assunto é ainda mais sério. No Brasil, cerca de um quarto das mães sofre desse transtorno. Trata-se de uma condição muito comum e que precisa de tratamento adequado e contínuo. 

Abaixo, separamos dicas para ajudar quem está passando pelo puerpério durante a pandemia. 

 

Como posso enfrentar esse período com mais facilidade?

 

  • Mantenha o contato com amigos e familiares mesmo que virtualmente. Troque mensagens, faça ligações ou chamadas de vídeo com pessoas de confiança com as quais você pode conversar sobre qualquer assunto e desabafar, independentemente do horário; 
  • Considere fazer terapia. A terapia online pode ser uma ferramenta muito benéfica nesse momento, em que você poderá trabalhar questões como culpa, medo, solidão e expectativas criadas em torno da maternidade, além de outros assuntos que mexem com você;
  • Não tenha vergonha de pedir (e aceitar) ajuda. É impossível dar conta de tudo sozinha e nem todas as coisas sairão do jeito esperado sempre. Lembre que você também precisa e merece descansar, especialmente nessa fase. 

 

Como posso ajudar uma mãe na fase do puerpério?

 

Parceiro (a) que mora na mesma casa:

 

  • Divida os cuidados com o bebê. Não é ajudar. É pegar a responsabilidade também para si. A rotina com um recém-nascido é muito intensa e a maioria das mães fica sobrecarregada neste momento. Lembre-se: a única coisa que apenas a mãe pode fazer é amamentar, todas as outras tarefas podem e devem ser divididas;
  • Cuide da maior parte dos afazeres domésticos. Principalmente nos primeiros dias, é comum que a mãe esteja cansada e debilitada. Nos casos em que houve cesárea, ela ainda está se recuperando da cirurgia e não pode fazer muito esforço. Planeje com certa antecedência a questão da alimentação e da limpeza da casa para não ser pego(a) desprevenido(a).
  • Atente-se aos sinais de depressão pós-parto, como perda de interesse em atividades de rotina e atividades que antes lhe davam prazer, alterações de sono e apetite, dificuldade de concentração, irritabilidade, entre outros. Se notar a presença de sintomas, busque ajuda médica para iniciar o tratamento;
  • Converse e acolha as demandas da mãe. Mostre que ela não está sozinha. Se a carga for dividida entre o casal, ficará muito mais leve para os dois. 

 

Veja também: 5 perguntas sobre depressão pós-parto

 

Amigos e familiares (que não moram na mesma casa):

 

  • Nesse momento de distanciamento físico, pequenos gestos fazem diferença, como mandar uma comida especial. Além de ser um agrado, gera economia de tempo, já que o casal não vai precisar preparar uma refeição;
  • Quando sair para ir ao mercado ou à farmácia, por exemplo, pergunte se a família precisa de algo. Se vocês moram perto, comprar algum mantimento ou remédio que está faltando e deixar na porta de casa (ou portaria do prédio) já é de grande ajuda;
  • Avós ou parentes: o momento é difícil, mas não é recomendado contato, nem visitas. Se a mãe realmente não tiver outro tipo de ajuda, o recomendado é ficar durante esse período de puerpério na casa da gestante e evitar sair para a rua, a fim de diminuir o risco de contaminação. 
  • Mesmo de longe, demonstre apoio, escute a mãe e não faça julgamentos nem cobranças. Opiniões não solicitadas podem ser muito negativas e fazem a mulher se cobrar ainda mais, em uma fase que naturalmente já exige muito dela. Comentários do tipo “mas você dá chupeta para ele(a)?” ou “tem que deixar chorar um pouquinho, senão fica muito mimado (a)” são totalmente dispensáveis. 

 

Veja também: Passo a passo do banho do bebê

 

Dúvidas frequentes relacionadas à covid-19

 

Mulheres com covid-19 podem amamentar?

Sim. Não há indícios de que o vírus seja transmitido através do leite materno. Nesse caso, o ideal é que a mãe utilize máscara durante a amamentação e lave bem as mãos antes e depois de tocar no bebê, além de manter a limpeza frequente das superfícies e do ambiente em que estão.  

 

A mulher pode ter acompanhante durante o parto? 

Toda mulher tem direito a um acompanhante à sua escolha durante todo o trabalho de parto e pós-parto, e isso não muda durante a pandemia. O acompanhante deve usar paramentação necessária (como máscara, avental e touca, se necessário). Já as visitas nas maternidades estão suspensas no momento para reduzir o risco de propagação do vírus.

 

Gestantes e puérperas estão no grupo de risco da covid-19? 

Sim. Não há evidências de maior gravidade em mulheres grávidas e puérperas, no entanto, como já houve casos de morte no país, o Ministério da Saúde resolveu incluí-las no grupo de risco em abril de 2020. A medida é também uma forma de precaução, já que nessa fase é comum haver uma queda de imunidade.

 

É possível a transmissão da mãe para o feto durante a gravidez?

Ainda não há evidências de que a mulher possa transmitir o vírus para o feto na gestação. Contudo, após o nascimento o bebê está suscetível à infecção como qualquer pessoa. Portanto, caso a mãe esteja infectada, é preciso tomar todos os cuidados necessários. 

Sobre o autor: Maiara Ribeiro

Maiara Ribeiro é repórter do Portal Drauzio Varella desde 2018. Tem interesse em assuntos relacionados à saúde da criança, da mulher e do idoso.

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