mulher_Todos os dias, a endometriose é responsável por levar sete mulheres à mesa de cirurgia em hospitais públicos do estado de São Paulo, segundo dados fornecidos pela Secretaria de Saúde. No hospital estadual Pérola Byington, na capital paulista, somente no ano passado foram realizados mais de 3 mil atendimentos de pacientes com o problema e 105 cirurgias.

A doença, que acomete aproximadamente 15% das brasileiras em idade reprodutiva, caracteriza-se pela presença de endométrio – mucosa que reveste o útero – fora do órgão.  Dessa maneira, em vez de os resíduos do tecido serem eliminados durante a menstruação, como deveria ocorrer normalmente, eles sobem pelas trompas e caem na parte interna do abdômen, causando muito dor.

Segundo o ginecologista Luciano Gibran, diretor do grupo de endometriose do Pérola Byington, existem alguns sintomas que são cruciais para o diagnóstico da doença como: cólicas menstruais incapacitantes (quando a mulher não consegue trabalhar nem exercer suas atividades diárias, às vezes necessitando ir ao pronto-socorro tomar medicação na veia), dores durante a relação sexual, dor para urinar e evacuar quando está menstruada, dificuldade para engravidar e sangramento intenso no período da menstruação.

“O diagnóstico é feito com base nas queixas da paciente e através de alguns exames, como o toque vaginal, que detecta em torno de 70% dos casos de endometriose profunda, que é um dos tipos mais graves da doença. Mas são pedidos alguns exames complementares também, como ultra-som transvaginal com preparo intestinal, ressonância magnética pélvica e ecocolonoscopia”, define Gibran. As mulheres que ainda não iniciaram a vida sexual, mas apresentam os sintomas são submetidas apenas à ressonância magnética pélvica.

O porquê de tantas mulheres serem portadoras da doença ainda é desconhecido pelos médicos, mas evidências indicam que a combinação de fatores  genéticos, hormonais e imunológicos podem contribuir  para a formação e o desenvolvimento dos focos ectópicos  de endometriose. Embora 70% a 90% das pacientes apresentem menstruação retrógrada (quando o fluxo sanguíneo volta pelas tubas uterinas e cai nos ovários, peritônio ou no intestino), apenas uma minoria, cerca de 15%, irá desenvolver a doença. Normalmente o sangue é absorvido pelo organismo e não causa maiores danos, sugerindo que outros fatores, como o ambiente e ritmo de vida, podem determinar maior suscetibilidade para desenvolver a doença.

A pílula anticoncepcional serve para aliviar a dor, já que a paciente irá parar de menstruar e a doença poderá desaparecer. Contudo, se a mulher quiser engravidar ou então se a medicação hormonal apresentar muitos efeitos colaterais ou simplesmente a dor não cessar com a pílula, há outro tratamento mais indicado.”Nesses casos, recomenda-se o tratamento cirúrgico, que retira todos os focos de endometriose da bexiga, intestino e ovário, pois a doença, geralmente, é multifocal”, diz o ginecologista.

A cirurgia é feita através de videolaparoscopia, por meio da qual, com uma microcâmera introduzida através do umbigo por uma pequena incisão, é possível buscar os focos de endometriose e cauterizá-los, limpando a cavidade abdominal. Trata-se de uma técnica extremamente efetiva e minimamente invasiva. ”A cirurgia é um excelente tratamento para a mulher com endometriose, pois além de aumentar as chances de ela engravidar espontaneamente, também melhora os resultados da fertilização in vitro”, explica Gibran.

Em alguns casos, principalmente quando a doença não é diagnosticada no início, a mulher pode ficar  infértil. O motivo é que como a endometriose é uma doença inflamatória, ela acaba atrapalhando o desenvolvimento do óvulo e do embrião, além de dificultar a fecundação do espermatozoide no óvulo. Por isso, é de extrema importância que a mulher procure auxílio médico logo que começar a sentir os sintomas citados. “Às vezes há muita demora no diagnóstico, pois alguns ginecologistas consideram as cólicas uma condição fisiológica, algo comum na vida das pacientes. Isso não é verdade. É preciso investigar”, comenta ele.