Medicamentos para ereção: entenda as diferenças entre os principais remédios para disfunção erétil


Equipe do Portal Drauzio Varella postou em Urologia

Compartilhar

Publicado em: 25/06/2024

Revisado em: 26/06/2024

Conhecidos como inibidores da fosfodiesterase do tipo 5, esses fármacos têm entre 74% e 86% de eficácia.

 

A disfunção erétil é caracterizada pela dificuldade persistente de manter o pênis ereto para fazer sexo de forma satisfatória com a parceria ou o parceiro. O problema, segundo diversos estudos, atinge entre 40% a 50% da população masculina. As causas variam bastante, podendo ser físicas, psicológicas, hormonais e até relacionadas com o estilo de vida. 

A boa notícia é que há solução para a disfunção erétil. Os principais medicamentos melhoram a ereção entre 74% e 86% dos casos, segundo pesquisas. Além disso, quando combinados com terapia sexual, podem gerar resultados melhores, visto que 70% dos casos envolvem questões emocionais, como medo de falhar, excesso de preocupação e ansiedade.

O “padrão ouro” no tratamento ainda são os remédios para disfunção erétil, chamados de inibidores da fosfodiesterase do tipo 5 (PDE5). Há várias moléculas nessa classe, e as quatro principais são sildenafila, vardenafila, tadalafila e avanafila. “Esses medicamentos basicamente agem da mesma forma, mas têm uma diferença na farmacocinética, que é o tempo de absorção pelo organismo e o tempo de duração”, diz Eduardo Miranda, médico urologista e coordenador da disciplina de sexualidade da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU).

A fosfodiesterase que aparece no nome do remédio é uma família de enzimas (um tipo especial de proteína que acelera reações químicas). Há 11 formas, e a do tipo 5, presente no membro sexual masculino e em outras partes do corpo, funciona como um bloqueador natural da ereção. Para compreender como os medicamentos funcionam e qual o papel dessa enzima, vale entender um pouco sobre a fisiologia da ereção. 

 

Como uma ereção acontece

Quando há estímulo sexual, os nervos do pênis liberam uma molécula gasosa chamada óxido nítrico. Essa molécula ativa outra, nomeada de cGMP, que relaxa os corpos cavernosos (dois cilindros bem irrigados no interior do membro sexual), facilita a entrada do fluxo sanguíneo e, como consequência, gera a ereção. A fosfodiesterase do tipo 5, porém, degrada o cGMP, limitando a ereção e ajudando o pênis a voltar ao estado flácido. Os remédios para disfunção erétil conseguem bloquear essa enzima, fazendo com que o pênis fique ereto por mais tempo.

 

Sildenafila

A sildenafila é o primeiro remédio criado para disfunção erétil. Foi aprovada pelo Food and Drug Administration (FDA), órgão equivalente nos Estados Unidos à Anvisa, em 1998. Conforme a bula e estudos, ele começa a agir entre 30 e 60 minutos após a ingestão. O efeito pode durar entre quatro a oito horas. O medicamento, assim como os outros da categoria, não gera a ereção sozinho. O pênis só fica duro se houver estímulo sexual. 

O remédio é eficaz, mas tem mais efeitos colaterais do que seus pares, segundo o dr. Miranda. “A sildenafila não é 100% específica, podendo funcionar em outras áreas do corpo, dilatando um pouco os vasos da cabeça e do nariz. Há também casos de nariz entupido. Além disso, essa molécula tem uma absorção mais lenta, um pouco pior, então o recomendado é não tomar junto com alimentos gordurosos.”

 

Vardenafila 

A vardenafila foi liberada para disfunção erétil em 2003. Age no corpo após 60 minutos, segundo a bula. Também é um remédio de curta duração – o efeito dura cerca de 4 horas. Pode dar dor de cabeça e os mesmos efeitos colaterais do que o sildenafila, mas eles são menos intensos. A absorção é menos afetada pela ingestão de alimentos, embora refeições muito gordurosas ainda possam ter algum impacto.

 

Tadalafila

Também foi liberado pelo FDA no ano de 2003. Diferente das outras duas drogas, é um remédio de longa duração. O efeito começa 15 minutos após a ingestão e dura entre 24 horas e 36 horas. Em alguns homens, pode ter duração de vários dias. Tem menos efeitos colaterais do que as anteriores, uma absorção melhor do que as outras e não interage com alimentos. Pode ser usado diariamente. Hoje, segundo o dr. Miranda, é o remédio para disfunção erétil mais prescrito. 

 

Avanafila

Recebeu sinal verde do FDA em 2012. É o mais rápido entre os medicamentos para disfunção erétil. O efeito começa 15 minutos após a ingestão e dura entre 6 a 12 horas. As reações adversas mais frequentes, segundo estudos clínicos citados pela Comissão Europeia, são dor de cabeça, eritema, congestão nasal e sinusal e dor nas costas na região dorsal.

“Acaba que os remédios de curta ação são melhores para pessoas que têm uma frequência sexual mais baixa e tem uma atividade sexual previsível, e os de longa duração, como o tadalafila, para quem tem uma alta frequência sexual, mas o ideal é sempre consultar um especialista para saber qual tomar”, diz o dr. Miranda. 

        Veja também: Riscos de medicamento para disfunção erétil

 

Contraindicações dos inibidores

Existem certas condições e circunstâncias nas quais o uso de inibidores de fosfodiesterase é contraindicado.

Nitratos: pessoas que tomam remédios com nitratos – fármacos usados no tratamento de angina e outras doenças cardíacas – não podem usar. A combinação deles e dos inibidores de PDE5 pode causar uma queda perigosa na pressão arterial

Doenças cardíacas: indivíduos com insuficiência cardíaca grave e angina instável ou pressão arterial descontrolada (hipertensão ou hipotensão) devem evitar esses medicamentos, pois podem aumentar o risco de complicações cardiovasculares.

Problemas oftálmicos e de ouvido: o uso não é indicado para pessoas com doenças do nervo óptico – como a neurite óptica, uma inflamação do nervo óptico – e retinite pigmentosa, uma doença degenerativa que afeta a retina. 

“Isso ocorre porque a fosfodiesterase não existe apenas no pênis, mas também em outras partes do corpo, e o medicamento pode afetar esses outros locais. No olho, por exemplo, tem a enzima do tipo 11”, explica o dr. Miranda.

 

Tratamento injetável

Além dos remédios para disfunção erétil, há também tratamento injetável, que envolve a administração de medicamentos diretamente no pênis para induzir uma ereção. O remédio normalmente usado é a alprostadil, embora outras combinações de fármacos, conhecidas como bimix (papaverina e fentolamina) ou trimix (papaverina, fentolamina e alprostadil), também possam ser utilizadas.

O fármaco é aplicado na base do pênis com uma agulha pequena. Em resumo, ele é um vasodilatador de relaxamento dos músculos lisos e dos vasos sanguíneos, que facilita a entrada de sangue no tecido peniano e resulta em uma ereção. Diferente dos inibidores da fosfodiesterase, que só funcionam após estimulação sexual, a injeção provoca uma ereção direta. O pênis fica ereto entre cinco a dez minutos depois. 

O risco do tratamento injetável é uma ereção prolongada. “Quando isso ocorre, é preciso usar drogas para reverter a ereção, como etilefrina e a fenilefrina. O ideal é fazer essas drogas sempre com o médico, porque como são vasoconstritoras e vasopressoras, elas podem gerar picos de pressão”, elucida o dr. Miranda. 

 

Ondas de choque para disfunção erétil

Outra alternativa aos remédios e ao tratamento injetável é a terapia de ondas de choque (ondas acústicas de baixa intensidade). Há uma máquina específica, que libera ondas no órgão sexual, promovendo a formação de novos vasos sanguíneos. Como resultado, há aumento no fluxo sanguíneo para o tecido peniano, o que pode melhorar a capacidade de obter e manter uma ereção. 

É recomendado para casos de disfunção erétil leve, mas a comunidade médica e científica ainda discute em que cenários esse tipo de abordagem é mais adequada. Geralmente são recomendadas de quatro a seis sessões, podendo chegar até 12. Elas são feitas uma ou duas vezes por semanas. É um tratamento que leva de três a seis semanas para ser concluído. 

 

Prótese peniana

Há situações graves de disfunção peniana. Elas normalmente são relacionadas a alterações nos vasos, que impedem a entrada do sangue, ou a perdas de tecido erétil. Nesses casos, os tratamentos anteriores podem não funcionar, e a solução pode ser a implantação de próteses penianas por meio de cirurgia.

Essas próteses são dispositivos médicos que substituem os corpos cavernosos. Há dois principais tipos: as semirrígidas e as infláveis. No primeiro caso, uma haste de silicone é inserida no corpo cavernoso. Com ela, o pênis fica sempre rígido, mas pode ser dobrado para baixo com facilidade. Quando o homem quiser manter relação sexual, basta colocar o membro na posição horizontal. 

No caso das próteses infláveis, o especialista insere cilindros no pênis e uma bomba no saco escrotal. Antes da relação, a pessoa enche a bomba. “Não são cirurgias complexas. Geralmente o homem vai embora um ou dois dias após a internação. Como é um corpo estranho, o paciente tem que se adaptar e pode ter uma certa dor no início. Ele consegue ter relações entre quatro a seis semanas após a recuperação”, diz o dr. Miranda.

        Veja também: Prótese peniana: quando é indicada e como funciona

 

Sobre o autor: Lucas Gabriel Marins é jornalista e futuro biólogo. Tem interesse em assuntos relacionados à ciência, saúde e economia.

Veja mais