Infectologia

Por que você nunca ouviu falar dos CRIE?

frasco e seringa de vacina. Vacina contra o sarampo é segura

Os centros oferecem gratuitamente vacinas que não fazem parte do calendário básico de saúde da rede pública, mas que são necessárias para pacientes que têm o sistema imunológico comprometido. Leia.

 

Os Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE) são unidades públicas e gratuitas que estão presentes em todos os estados do Brasil para atender pacientes com necessidades especiais de vacinação. Apesar de pouco conhecida, a iniciativa já existe há 27 anos. Os centros possuem toda a logística e infraestrutura necessária para atender pacientes com quadros clínicos específicos que os colocam em maior risco para determinadas infeções¹.

De acordo com a infectologista Ana Paula Veiga, coordenadora do CRIE do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo, o grupo de pessoas atendidas pelos centros é formado por pacientes imunodeprimidos, como pacientes que vivem com HIV/aids, pacientes com lúpus, que receberam transplante de órgãos sólidos ou de medula óssea, doenças crônicas (como diabetes e patologias renais crônicas) e pacientes oncológicos, por exemplo. “Eles estão mais suscetíveis a uma série de doenças infectocontagiosas, como sarampo, caxumba, rubéola, febre amarela, gripe, difteria, tétano, pertussis (coqueluche), meningite, pneumonia, sepse, entre outras”, afirma a médica.

Veja também: Precauções para pessoas que convivem com imunodeprimidos

A imunização, nesses casos, tem uma importância ainda maior, já que esses pacientes apresentam o sistema imunológico mais frágil. O risco de contrair pneumonia, por exemplo, é muito maior nos imunocomprometidos.  No mundo, a pneumonia é uma das principais causas de hospitalização e mortes, segundo a Organização Mundial de Saúde.

Recentemente, os CRIE introduziram mais uma vacina que protege os pacientes com necessidades especiais de imunização contra os tipos mais prevalentes da bactéria pneumococo (causadora de doenças como pneumonia e meningite). Diferentemente de muitas notícias falsas que são divulgadas na internet, as vacinas oferecidas pelo sistema público são extremamente seguras. Além disso, os programas de vacinação são considerados um dos melhores investimentos em saúde, porque o custo-benefício é enorme².

 

População não conhece

 

O problema é que os CRIE ainda são poucos conhecidos pela população e até por médicos. Assim, muitos pacientes que poderiam se beneficiar desse atendimento nem sequer o procuram, porque não sabem da sua existência. Para a médica Ana Paula, a existência dos CRIE é muito importante porque oferece de forma gratuita vacinas que não fazem parte do calendário básico de saúde da rede pública e são ainda mais necessárias para pacientes que têm o sistema imunológico comprometido.

Segundo a infectologista, para ser atendido em uma unidade dos CRIE, o paciente precisa ser encaminhado pelo médico ou equipe de saúde que está cuidando do seu caso, com um relatório médico que contenha o diagnóstico e a descrição de todas as medicações que ele está usando, última sessão de quimioterapia ou radioterapia (se for o caso), intervalo de intervenções para avaliação da equipe do CRIE. “Isso deve ser feito para que o esquema de vacinação seja planejado de forma racional e segura”, explica.

Caso não exista um CRIE na cidade do paciente imunocomprometido, ele pode ir até o posto de saúde com o encaminhamento médico para que a vacina seja disponibilizada. Além disso, alguns Centros de Referência, Centros de Testagem e Acolhimento e Serviços de Atendimento às pessoas vivendo com HIV/aids possuem sala de vacinação, podendo oferecer a vacina pneumocócica 13-valente lá mesmo. E caso não tenham, é possível fazer a solicitação para que recebam.

PP-PNA-BRA-0612

 

REFERÊNCIAS

 

¹ MINISTÉRIO DA SAÚDE. Manual dos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais, 2019. Acesso em: https://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2019/dezembro/11/manual-centros-referencia-imunobiologicos-especiais-5ed.pdf

²MINISTÉRIO DA SAÚDE. Programa Nacional de Imunizações completa 45 anos, 2018. Acesso em: https://www.saude.gov.br/noticias/agencia-saude/44501-programa-nacional-de-imunizacoes-completa-45-anos

Sobre o autor: Maiara Ribeiro

Maiara Ribeiro é repórter do Portal Drauzio Varella desde 2018. Tem interesse em assuntos relacionados à saúde da criança, da mulher e do idoso.

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