A dermatite atópica é muito mais que um simples problema de pele: é uma doença inflamatória crônica, causada por uma reação exagerada do sistema imunológico, que ocasiona coceira excessiva (com mais de 12 horas de duração) e lesões na pele.

Dra. Ariana Campos Yang, coordenadora do Ambulatório de Dermatite Atópica e Alergia Alimentar do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, atende mais de 100 pacientes com a doença na rede pública.

“A pessoa sempre se sente muito culpada, como se não estivesse fazendo o suficiente para parar de coçar e impedir as lesões na pele. Em geral, ela já cansou de ouvir recomendações do tipo: ‘passe determinando creme’, ‘use corticoide’. Se o paciente for criança, a culpa é transferida aos pais. Então além disso, os pacientes se sentem muito desanimados, pois acham que realmente não há mais o que fazer, o que não é verdade.”

A patologia atinge 20% das crianças e 3% dos adultos. Acomete mais as crianças por conta da pele ser mais sensível e permeável na infância. Tem origem genética e forte relação com outras doenças atópicas, como rinite alérgica e asma. Importante destacar que a dermatite não é  contagiosa e os pacientes podem conviver normalmente com outras pessoas, sem restrição de contato.

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A inflamação é causada por um desequilíbrio do sistema imunológico, gerando um aumento na liberação de citocinas – substâncias responsáveis pela regulação das reações inflamatórias e defesa do organismo. Esse descontrole desencadeia um processo inflamatório exacerbado. Resultado: pele sensível e muito ressecada. “Agentes irritantes adentram a pele, já que sua camada de proteção não funciona adequadamente. Por isso, o que enxergamos na pele dessas pessoas são alguns dos sintomas causados por uma reação imunológica exagerada”, explica Yang.

A doença apresenta três níveis de gravidade: leve, moderada e grave. Para classificar o grau de severidade, os médicos usam um índice chamado Scorad, que leva em consideração a extensão e intensidade das lesões, além das perturbações no sono. Em sua forma moderada ou grave, 55% dos pacientes referem ter dificuldade para dormir e quase 60% relatam impacto nas relações afetivas.

Apesar de não ter cura, a dermatite atópica tem tratamento e por meio de um controle bem feito é até possível que a doença entre em remissão espontânea. A hidratação da pele, portanto, torna-se fundamental, assim como evitar banhos longos e quentes e utilizar sabonetes e hidratantes neutros. Nos momentos de crise, os tratamentos tópicos (pomadas e cremes à base de corticoides) são necessários, além de medicamentos específicos dependendo da gravidade da doença, como medicamentos biológicos, antibióticos, etc.

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DesapareciDa

Para conscientizar a população sobre a doença, a SBD (Sociedade Brasileira de Dermatologia) e a ASBAI (Associação Brasileira de Alergia e Imunologia) se unem para instituir o Dia da Dermatite Atópica, celebrado pela primeira vez neste ano, no dia 23 de setembro, com a chegada de uma campanha às ruas e às redes sociais.

A campanha retrata a realidade de três pacientes reais com dermatite atópica: a fotógrafa Tamara, a analista Camila e o profissional autônomo Márcio – que relatam em vídeos e fotos sua relação com a doença e como deixaram de participar de atividades importantes de sua vida. Os vídeos e fotos estarão expostos nas redes sociais e no site www.entendadermatiteatopica.com.br