Entrevistas

Transexuais femininas precisam fazer exame de próstata?

Transexuais femininas precisam fazer exame de próstata?

Dr. Eloísio Alexsandro da Silva, coordenador-geral do Departamento de Estética Genital e Cirurgia de Transgêneros da SBU (Sociedade Brasileira de Urologia) fala sobre tratamento hormonal e risco de tumores de próstata. 

 

Em meio às campanhas de conscientização acerca do exame para detectar o câncer de próstata, um seguidor da página deste site no Facebook levantou a seguinte dúvida: transexuais femininas – pessoas que nascem com o sexo biológico masculino, mas se identificam com o gênero feminino — precisam ser submetidas ao exame de toque retal?

A fim de esclarecer essa questão, conversamos com o dr. Eloísio Alexsandro da Silva, coordenador-geral do Departamento de Estética Genital e Cirurgia de Transgêneros da SBU (Sociedade Brasileira de Urologia). Veja a entrevista!

 

Existe alguma recomendação específica para exames de rastreamento para câncer de próstata para este grupo?

 

As mulheres transexuais são submetidas por tempo indeterminado a um tratamento hormonal que bloqueia a testosterona e estimula o estrógeno (para crescimento das mamas, por exemplo). Dessa maneira, por conta dos hormônios, a próstata (que não é retirada durante a cirurgia de mudança de sexo) para de crescer. De modo bem grosseiro, o tratamento serviria como uma espécie de “proteção” contra o câncer de próstata. Como esse órgão tende a aumentar com a idade (hiperplasia: multiplicação benigna das células prostáticas), o risco de câncer fica bem diminuído por conta da reposição hormonal. São raríssimos, na literatura médica, os casos de câncer de próstata nesse grupo.

 

Então, o exame de toque e de dosagem de PSA não são necessários para as mulheres trans?

 

Se elas fazem acompanhamento médico periódico e a reposição hormonal corretamente, não existe nenhuma recomendação formal para realizar o exame. O exame de toque não faz parte da avaliação de rotina. Na verdade, são necessários outros tipos de prevenção para essas pacientes.

 

Quais?

 

Por exemplo, a prevenção contra trombose, cujo risco se torna elevado por conta dos hormônios. Digo isso porque muitas pacientes acabam ingerindo hormônios de maneira indiscriminada, pois desejam ver um resultado rápido. Uma fala para a outra que determinado medicamento é bom e elas passam a se automedicar, o que pode trazer uma série de consequências graves. A reposição aumenta também o risco de câncer de mama, por isso a importância de realizar periodicamente ultrassom e mamografia. Doenças no fígado também são muito comuns nessas pacientes, então é necessário realizar regularmente exames relacionados ao funcionamento hepático. É importante ter uma vida saudável seguindo recomendações básicas gerais de não consumir muito álcool e praticar atividade física regularmente.

Sobre o autor: Juliana Conte

Juliana Conte é jornalista, repórter do Portal Drauzio Varella desde 2012. Interessa-se por questões relacionadas a manejo de dores, atividade física e alimentação saudável.

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