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Parada cardíaca e primeiro socorros | Entrevista

Homem com a mão no peito, com dor.

Procedimento de reanimação cardiopulomar deve ser feito nos primeiros minutos de parada cardíaca.

 

* Edição revista e atualizada.

 

Adilson Nascimento foi um dos mais destacados atletas do basquete brasileiro. Durante muitos anos, jogou na seleção, sempre participando de competições internacionais. Hábil encestador, valia-se do fato de ser canhoto para confundir o adversário. Chegou o momento, porém, em que decidiu abandonar as quadras e fixou residência em Campinas, onde trabalha como fisioterapeuta e professor de Educação Física. No entanto, de vez em quando, voltava a jogar basquete nos campeonatos em que se confrontavam equipes de veteranos.

Em 06 de abril de 2005, um acontecimento marcou a vida de Adilson Nascimento. Ele participava de um torneio máster de basquete no Clube Paulistano, quando teve uma parada cardíaca no meio da quadra e foi ressuscitado graças à rapidez com que um professor de Educação Física lhe prestou o chamado “Suporte Básico de Vida”, segundo às “Novas Normas de Ressuscitação” estabelecidas em janeiro de 2005 e compiladas no livro “Diretrizes para Ressuscitação Cardiopulmonar e Socorro em Emergências Cardiovasculares”.

Para redigi-las, médicos de diversos países sob a coordenação do médico inglês Douglas Chamberlain — dr. Sérgio Timerman foi o representante brasileiro — chegaram ao consenso de que era importante simplificar a linguagem e as manobras consagradas pelas normas anteriores, a fim de melhorar o prognóstico dos pacientes com morte súbita.

 

PRIMEIRA PARTE – ADILSON NASCIMENTO (1951/2009)

 

Drauzio – Quando você começou a praticar basquete?

Adilson Nascimento – Com 15, 16 anos, durante minha vida escolar. Depois, entrei no Corinthians e, aos 19 anos, fui convocado para a seleção brasileira. Ao longo de 13 anos, eu me dediquei à carreira de atleta.

 

Drauzio – Quantas horas por semana você treinava naquela época?

Adilson Nascimento – Até os 20, 21 anos, treinava três vezes por semana. Depois, o treino passou a ser diário e, em algumas ocasiões, chegamos a treinar duas vezes no mesmo dia.

 

Drauzio – Quando você parou de jogar basquete, deixou também de praticar outras atividades físicas?

Adilson Nascimento – Esse foi o meu erro: parei de vez. Depois de 30 anos dentro das quadras, assumi funções administrativas, vieram os convites para almoços e jantares e meus hábitos alimentares mudaram completamente. Essa mudança de hábitos fez com que vários problemas de saúde se instalassem sem que eu percebesse.

 

Drauzio – Nos negros, a incidência de hipertensão arterial é maior do que nos brancos. Você tinha pressão alta?

Adilson Nascimento – Na época em que era atleta, minha pressão arterial era 11 x 7, 12 x 8. A mudança dos hábitos alimentares associada ao estresse e à correria próprios do mundo dos negócios, e mais o histórico familiar de hipertensão foram fatores importantes para que os níveis da minha pressão arterial aumentassem.

 

Drauzio – Você estava tomando medicamentos para controlar a pressão?

Adilson Nascimento – Vinha tomando medicamentos. Em determinado momento, porém, fui negligente e cometi o absurdo de suspender o uso desses remédios, porque achava que não eram mais necessários.

 

Drauzio – O que aconteceu exatamente no dia 6 de abril de 2005?

Adilson Nascimento – Existe um campeonato de veteranos que reúne todas as pessoas que já jogaram ou gostam de jogar basquete. É uma festa! No dia 6 de abril de 2005, me telefonaram para avisar que havia um jogo marcado para aquele dia. Como jogo em duas categorias, eu já tinha jogado no dia anterior. Por isso, minha primeira reação foi dizer que veterano não tem pernas para jogar dois dias seguidos. “Se você não vier, vai dar W.O.”, foi o que me responderam. Diante desse argumento, decidi ir para São Paulo. O jogo era no clube Paulistano. Lembro que entrei no clube, o juvenil de basquete estava treinando e fui ver o treino do time de polo aquático. Daí em diante, só me lembro de ter acordado dois dias depois na UTI do Incor. A pane no coração ocorreu durante o jogo, mas tudo o que sei a respeito ouvi dos meus colegas.

 

Drauzio – Você já estava jogando quando teve o problema?

Adilson Nascimento – O que aconteceu comigo, um atleta, nesse dia, pode acontecer com qualquer outra pessoa. Eu estava jogando e dizem que já tinha marcado dez pontos naquela partida. Parece que vinha batendo a bola e caí desmaiado. Para minha felicidade (há pessoas que chamam isso de sorte ou atribuem o fato à providência divina), um professor de “fitness”, o Alexandre, estava assistindo ao jogo e prestou o primeiro socorro. Em menos de três minutos, apareceu alguém com o desfribilador e eu voltei a respirar.

 

Drauzio – Quando você acordou?

Adilson Nascimento – Acordei na UTI do Incor e achei que estava sonhando. Vi, então, os aparelhos e minha esposa ao lado de dois amigos mais próximos. Fechei os olhos novamente e concluí que algo muito grave tinha acontecido comigo.

 

Drauzio – Na verdade, você tinha morrido quando caiu na quadra.

Adilson Nascimento – Literalmente, morri naquele momento. Não fosse ter sido ressuscitado imediatamente pelo professor Alexandre no clube Paulistano, que espalhou sete ou oito desfibriladores em lugares estratégicos e treinou funcionários e professores para usá-los, não teria chegado com vida no Incor, um hospital de padrão internacional, onde fiquei sob os cuidados do dr. Sergio Timerman e o dr. Carlos Eid.

Nem todos os clubes estão preparados para enfrentar situações como a que atravessei no Clube Paulistano. Muitos clubes de futebol, estádios esportivos e mesmo shopping centers não têm desfibriladores, um aparelho que salva vidas.

 

Drauzio – O desfibrilador dá uma descarga elétrica no coração para fazê-lo retomar o ritmo. No seu caso, a que você atribui a necessidade de usá-lo?

Adilson Nascimento – Eu vinha de uma vida estressada, com alimentação inadequada, tinha histórico familiar de pressão arterial elevada, era hipertenso e tinha deixado de tomar remédios. Era portador de muitos os fatores de risco para um acidente cardíaco.

 

Drauzio – O que mudou na sua vida entre o episódio de cair morto na quadra e dar esta entrevista agora?

Adilson Nascimento – Em abril de 2006, completo um ano de vida. Ninguém passa por uma experiência dessas sem mudanças. Passei a dar mais valor à vida agora e aumentou o reconhecimento que tenho por outras pessoas. Hoje, levantei uma bandeira. Com o meu testemunho, pretendo levar informação para que outras vidas sejam poupadas.

 

Veja também: O momento da morte

 

SEGUNDA PARTE: PARADA CARDÍACA – SERGIO TIMERMAN

 

Drauzio – Isso que aconteceu com o Adilson, um homem forte, um atleta profissional que teve uma parada cardíaca durante uma partida de basquete, é um fato comum ou raro?

Sergio Timerman – Como o próprio nome diz, a parada cardíaca, também chamada de morte súbita, ocorre de repente e de forma inesperada. No nosso meio, acima dos 40 anos de idade, é o evento responsável pelo maior número de casos fatais. Mata dez vezes mais do que a soma dos casos de aids, armas de fogo e câncer de mama. Se a pessoa não receber o atendimento imediato que Adilson recebeu no clube Paulistano, a possibilidade de sobrevivência é muito pequena.

 

Drauzio – Adilson teve a parada cardíaca jogando basquete, o que fez profissionalmente por muitos anos. Em que situações, as paradas cardíacas costumam ocorrer com mais frequência?  

Sergio Timerman – Setenta por cento dos casos ocorrem nos próprios lares; 50% não são testemunhados ou, muitas vezes, são presenciados por crianças e adolescentes. O restante acontece em locais de grande concentração, como shopping centers, estádios de futebol etc.

Parada cardíaca é uma doença democrática: não escolhe sexo nem raça. Apenas 10% dos pacientes recebem esforços de ressuscitação e sobrevivem a alta hospitalar.

 

Drauzio – Você disse que mais de 70%/80% das mortes súbitas ocorrem dentro de casa. Esse é um dado realmente assustador…

Sergio Timerman – Infelizmente, sim. São nossos avós e, muitas vezes, nossos pais que morrem em frente de uma criança ou adolescente da família. Há uma estatística mostrando que em torno de 50% das crianças, neste momento, podem estar presenciando uma parada cardíaca.

 

Drauzio – Diante de alguém — o avô, por exemplo — que está fazendo alguma coisa e de repente cai no chão, o que em geral as pessoas fazem é colocar a doente num carro e levá-lo rapidamente para o hospital. Isso está certo?

Sergio Timerman – Se não fizermos absolutamente nada para socorrer essa pessoa no local em que sofreu a parada cardíaca, estaremos transportando um cadáver. O sucesso da ressuscitação cardiopulmonar depende de atendimento imediato. Isso foi discutido muito nos últimos cinco anos, e as Diretrizes de Ressuscitação pretendem, de maneira muito clara, simplificar a linguagem e as manobras para facilitar o atendimento da parada cardíaca. Mas, isso não basta. É importante alertar a população e treiná-la para que possa prestar socorro nos primeiros minutos depois que a pessoa sofreu a parada cardíaca.

 

Drauzio – Adilson disse que não sentiu nada, quando teve a morte súbita. Lembra, apenas, que chegou ao clube, assistiu ao treino de polo-aquático e acordou na UTI do Incor. Há sintomas que costumam preceder as paradas cardíacas e que ele não percebeu?  

Sergio Timerman – O caso do Adilson mostra bem o que pode ser a morte súbita. Com alguma frequência, o primeiro sintoma do infarto é a parada cardíaca. A pessoa não sente absolutamente nada antes. O risco é maior nos indivíduos com antecedentes familiares da doença ou morte súbita, nos tabagistas, nos portadores de diabetes, de colesterol elevado e hipertensão, por exemplo. Esses deveriam fazer acompanhamento médico como forma de prevenção. Infelizmente, como muitos são absolutamente assintomáticos, é comum o primeiro sinal da doença ser a morte súbita.

 

Drauzio – Num caso como o do Adilson, que teve uma parada cardíaca batendo bola no meio da quadra, tentar levá-lo para o hospital seria o mesmo que transportar um cadáver?

Sergio Timerman – Adilson teve a sorte de ter a parada cardíaca no lugar certo e na hora certa. Fazia pouco tempo que o Instituto do Coração e o Clube Paulistano haviam desenvolvido um trabalho conjunto de treinamento de pessoal para prestar socorro nesses casos e ali estava um professor de Educação Física que sabia dar suporte de vida e manusear o desfibrilador que fora instalado em pontos estratégicos do clube.

 

Drauzio – O que fez esse professor?

Sergio Timerman – Assim que Adilson caiu no chão, o professor viu que ele estava inconsciente e sem respirar e iniciou as manobras de ressuscitação, isto é, massagem cardíaca e respiração boca a boca. Pediu, também, que lhe trouxessem o desfibrilador e chamassem o resgate.

Está documentado que tudo isso foi feito em menos de três minutos e que o sangue só voltou a circular espontaneamente depois da terceira descarga de choque. No entanto, quando o serviço de ambulância chegou, Adilson já estava respirando e foi transportado com vida para o hospital.

 

NOVAS NORMAS DE RESSUSCITAÇÃO

 

Drauzio – O que pouca gente sabe é que esses cuidados podem ser prestados por qualquer pessoa que esteja por perto e no local em que aconteceu a parada cardíaca. Como ninguém está livre de ter de enfrentar uma emergência dessas, gostaria que você explicasse quais os passos para atender alguém com morte súbita.

Sergio Timerman – O socorro tem de ser prestado na hora exata em que ocorreu a parada cardíaca. Se a população leiga não estiver preparada para começar as manobras de ressuscitação imediatamente, a possibilidade de salvar a vida do paciente é muito pequena.

São cinco passos fundamentais determinados pelas Diretrizes de 2015 com o intuito de simplificar, ao máximo, o atendimento por leigos.

 

1) Avaliar se a vítima responde

Hoje se deve verificar a responsividade da vítima, ou seja, chamando-a e tocando-a pelos ombros. Se a vítima não falar ou não se mexer, deve-se entender que ela está em uma parada cardíaca. Veja que esta é a diferença entre o infarto e a parada cardíaca. A vítima que sofre um infarto fala conosco. Ela refere dor no peito, de maneira intensa, mas está consciente. Já a vítima que sofre uma parada cardíaca não fala e não se mexe, está inconsciente.

 

2) Chamar ajuda

Telefonar, ou pedir a alguém que telefone para o SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), número 192 e pedir uma ambulância para resgatar uma pessoa com parada cardíaca. Se um DEA (desfibrilador elétrico automático) estiver disponível no local, peça para alguém ir buscá-lo. Assim, foi feito no caso do Adilson. Quanto mais rápido acontecer a desfibrilação, maior a chance de sobrevivência.

Caso o socorrista esteja sozinho, a saída será ligar para o SAMU pelo celular, colocando o aparelho no viva-voz para seguir as orientações que o atendente irá passar, enquanto o socorro não chega.

 

3) checar se a vítima respira

A pessoa deve olhar o peito da vítima para verificar se ela respira (em menos de 10 segundos). Se estiver na dúvida se a vítima respira, o próximo passo será iniciar as compressões.

 

4) Iniciar as compressões torácicas

A técnica consiste em esticar os braços, entrelaçar a mãos e posicioná-las centro do peito da vítima (em cima do osso esterno) a fim de  realizar as compressões torácicas na frequência de, 100 – 120 compressões/min, numa profundidade mínima de 5 cm, sempre permitindo o retorno do tórax após cada compressão. Se não souber realizar ventilações(boca a boca) ou não possuir um dispositivo de proteção, o socorrista deve continuar fazendo as compressões, até a chegada do SAMU. Se souber realizar as ventilações, deve obedecer ao seguinte ritmo: a cada 30 compressões, deve realizar duas ventilações.

 

5) Aplicação do choque elétrico com o desfibrilador

O objetivo é reverter o processo de fibrilação ventricular, que se caracteriza pela perda de ritmo dos batimentos cardíacos, o que torna impossível o bombeamento do sangue.

 

Drauzio – Na verdade, durante as compressões torácicas, é importante o socorrista jogar o peso do corpo sobre o peito da pessoa com parada cardíaca para não cansar antes da chegada do serviço de emergência.

Sergio Timerman – Exatamente. Se ele flexionar os braços, vai cansar mais depressa e comprometer a qualidade da ressuscitação. O ideal é comprimir o tórax da vítima a uma profundidade de no mínimo 5 cm.

 

Drauzio – No meu tempo de estudante, eram cinco compressões. Agora, são trinta. Por que mudou?

Sergio Timerman – Antes de 2000, se houvesse um socorrista só, preconizavam-se cinco compressões e uma ventilação; se houvesse dois socorristas prestando socorro, quinze compressões e uma respiração boca a boca. Evidências científicas deixaram claro, porém, que quanto mais forem interrompidas as manobras de compressão, pior será o resultado da ressuscitação.  Por isso, passou para trinta o número de compressões torácicas recomendadas.

 

Drauzio – Vamos imaginar uma situação prática. A pessoa está caída, não responde ao chamado e o socorrista acha que ela não está respirando. Ele apoia as duas mãos entrelaçadas sobre o esterno, entre os dois mamilos da vítima e faz 30 compressões, mas pode não se sentir à vontade de realizar a respiração boca a boca. Isso prejudica o processo de ressuscitação?

Sergio Timerman – Nos grandes serviços médicos, observou-se que muitos profissionais não se sentiam à vontade para fazer a respiração boca a boca, especialmente quando não contavam com o sistema de barreira de proteção. Trabalhos realizados em Seattle (EUA), primeiro em animais e, depois em humanos, mostraram que, nos casos de parada cardíaca súbita, quando os leigos realizam apenas a compressão torácica, o benefício pode ser ainda maior.

O coração está parado e as massagens no tórax fazem o sangue circular novamente nos órgãos vitais. A ventilação é importante, depois de oito, dez minutos. Antes disso, há reserva suficiente de oxigênio, a não ser nos casos de afogamento e hipoxemia (baixa oxigenação) infantil.

Portanto, se a pessoa não souber realizar as ventilações ou não possuir um dispositivo de proteção, poderá realizar compressões contínuas até o serviço de emergência chegar ou passar para outra pessoa que saiba realizar as ventilações. As atuais  diretrizes de ressuscitação deixam claro que a compressão torácica tem de ser de boa qualidade. As compressões deverão ser fortes (reduzir o tórax no mínimo 5 cm), rápidas,  de 100 a 120 compressões em 1 minuto e contínuas (evitar parar as  compressões até a vítima retornar ou o serviço de emergência chegar). Se possível, a cada 200 compressões ou 2 minutos, deve-se trocar o socorrista das compressões, a fim de manter a qualidade da técnica e evitar que o cansaço prejudique a atuação do socorrista

 

Drauzio – Por que 30 compressões?

Sergio Timerman – Número maior de compressões, sem interrupções para a ventilação, aumenta o tempo de circulação do sangue pelo cérebro e outros órgãos vitais.

 

Drauzio – Durante quanto tempo a pessoa deve ficar fazendo a massagem torácica?                                                                                                                                      

Sergio Timerman – Deve ficar fazendo as compressões até a chegada do serviço médico de emergência. Nem o leigo nem o profissional de saúde têm o direito de suspender as massagens antes disso.

 

USO DO DESFIBRILADOR

 

Drauzio – O que torna o uso do desfibrilador é importante nesse momento?

Sergio Timerman – O desfibrilador emite uma descarga elétrica para corrigir a fibrilação ventricular e fazer o coração bater novamente no ritmo adequado para bombear o sangue.

 

Drauzio – Você poderia explicar o é fibrilação ventricular?

Sergio Timerman – Nada mais é do que um caos elétrico que se instala no coração, que deixa de bombear o sangue. Não existe tratamento químico para corrigir esse defeito. Só a desfibrilação é capaz de revertê-lo. O desfibrilador automático foi idealizado especialmente para que os leigos pudessem usá-lo, como aconteceu no caso do Adilson.

A cada minuto que passa sem a desfibrilação, perde-se de 7% a 10% de chance de sobrevivência. Assim, a compressão no tórax de forma eficaz e a desfibrilação precoce (utilizando um desfibrilador que esteja no local), aumentam muito a possibilidade de sobrevivência na vítima, como aconteceu no caso do Adilson

As novas diretrizes para ressuscitação, porém, deixam claro que o desfibrilador deve ser usado levando em conta o tempo da parada cardíaca. Até os quatro primeiros minutos, o choque é fundamental e provavelmente vai interromper o processo de fibrilação ventricular. Mais do que quatro minutos, o importante é fazer uma boa massagem cardíaca até poder aplicar a desfibrilação.

 

Drauzio – Se o socorrista não puder contar com um desfibrilador, pode dar um choque com um fio elétrico na pessoa com parada cardíaca?

Sergio Timerman – Não pode. Se fizer isso, vai eletrocutar a vítima.  A falta de desfibriladores no local obriga o socorrista a continuar fazendo as compressões no tórax do paciente até a chegada do serviço de emergência.

Em São Paulo (SP) existe uma lei que torna obrigatório a instalação desses equipamentos em número suficiente nos espaços públicos, como shoppings, aeroportos, clubes, etc.

Sobre o autor: Maria Helena Varella Bruna

Maria Helena Varella Bruna é redatora e revisora, trabalha desde o início do Site Drauzio Varella, ainda nos anos 1990. Escreve sobre doenças e sintomas, além de atualizar os conteúdos do Portal conforme as constantes novidades do universo de ciência e saúde.