Aproximadamente 70% dos fumantes dizem que querem parar de fumar e mais de 50% afirmam que já tentaram largar o cigarro alguma vez na vida. Entretanto, apesar das boas intenções, só 3% a 6% dos fumantes que tentam parar sozinhos conseguem. Dos que buscam ajuda, após um ano de observação, os índices de sucesso variam entre 30% e 65% na primeira tentativa.

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Tabagismo nas mulheres

 

 As mulheres metabolizam a nicotina mais rapidamente que os homens. Por isso, fumam mais e tendem a apresentar maior grau de dependência da nicotina, o que lhes torna mais difícil ficar sem o cigarro. Elas também temem a possibilidade de ganhar peso, se pararem de fumar. Hoje em dia, no entanto, esse problema pode ser logo contornado. Existem inúmeros tratamentos disponíveis para voltar ao peso anterior em pouco tempo.

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Tabagismo nos jovens

 

Os jovens não se consideram vulneráveis aos malefícios do cigarro. Além disso, a pressão do grupo ao qual desejam pertencer torna mais difícil convencê-los de que deixar de fumar só lhes trará benefícios. Por isso, a melhor política continua sendo evitar a todo custo que crianças e jovens tenham acesso fácil ao cigarro e resolvam experimentá-lo.

As indústrias do tabaco sabem que quanto mais cedo a pessoa começa a fumar, mais rapidamente desenvolve dependência à nicotina. E procuram tirar vantagem disso. Estudo recentemente divulgado mostra a mudança de estratégia de marketing que elas passaram a adotar tendo como foco as crianças e adolescentes. Para aliviar o gosto e o cheiro desagradáveis do cigarro, adicionaram sabores (menta e chocolate, por exemplo) e aditivos aromáticos a ele. E mais: gastaram fortunas para conseguir que seus produtos fossem colocados nos postos de venda – padarias, lanchonetes, bancas de jornal –, bem perto dos doces e dos brinquedos, a fim de despertar a curiosidade, a atenção e o desejo das crianças.

 

Dependência de nicotina

 

A dependência tem duas vertentes: a química e a psicológica. A dependência química é totalmente mediada pela nicotina. Quando inalada com a fumaça, ela se prende às partículas de alcatrão também presentes no cigarro e chega aos alvéolos pulmonares. De lá, levada pela circulação sanguínea, atinge o cérebro em aproximadamente 10 segundos. Nesse órgão, ela se liga a receptores específicos da nicotina e desencadeia a liberação de substâncias como a dopamina e a serotonina, que provocam imediatamente sensação de tranquilidade, prazer e bem-estar.

Quanto mais a pessoa fuma, mais esses receptores aumentam de número e mais nicotina é necessária para alcançar o mesmo efeito agradável. Nos casos em que, sem recorrer ao auxílio de medicamentos, a pessoa decide que precisa deixar de fumar e interrompe o uso da droga,  a falta de nicotina no sangue provoca uma crise de abstinência, marcada por sensação de desespero e desolação e acompanhada de tremores, sudorese e desconforto, sintomas que só melhoram se ela fumar novamente.

O nível de dependência química à nicotina varia de indivíduo para indivíduo e tem grande influência genética. Já a dependência psicológica está ligada ao hábito de fumar e a situações que o estimulam, por exemplo: convívio próximo com fumantes, consumo de bebidas alcoólicas, momentos de solidão, crises de ansiedade, etc.

O grau de dependência química da nicotina pode ser medido pela aplicação de um questionário chamado Escala de Fagerstrom. Considerando o valor das respostas, soma de pontos maior que seis indica alto nível de dependência química.

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Tratamento

 

Para ser mais bem-sucedido, o tratamento da dependência de nicotina tem de combinar o uso de medicamentos com o aconselhamento individual ou em grupo. Associar algum tipo de terapia ou intervenção comportamental ajuda muito no processo.

Os medicamentos utilizados para auxiliar o tabagista a abandonar o cigarro incluem: reposição de nicotina (adesivo, chiclete ou pastilha), bupropiona e vareniclina. Os melhores resultados têm sido obtidos com o uso da vareniclina associada à reposição de nicotina. Não são todos os pacientes, porém, que podem valer-se desses medicamentos. Por isso, é muito importante passar por avaliação psicológica, cardíaca e pulmonar antes de começar a utilizá-los.

Combinar medicamentos e suporte psicológico é sempre o melhor caminho. É importante ressaltar, ainda, que o tratamento precisa ser individualizado. Há pacientes que gostam de se reunir em grupos e discutir seus problemas e dificuldades; outros são mais reservados e preferem uma conversa no consultório. O fundamental é que o fumante tenha a quem recorrer, quando tiver uma dúvida ou apresentar algum sintoma da síndrome de abstinência. O médico e a equipe multidisciplinar que o auxilia devem estar em sintonia com as necessidades do paciente. Existem, ainda, programas de autoajuda online e até aplicativos de celular que podem ser úteis nessa fase. Tudo vai depender das preferências do paciente.

Cirurgias, período de hospitalização e o surgimento de uma doença claramente relacionada ao tabagismo podem servir como uma ótima oportunidade para o clínico intervir, associando medicações e incentivo verbal constante para estimular o fumante a abandonar o cigarro.