Embora sejam semelhantes e ambas acometam o olho, terçol e calázio são patologias diferentes.

 

Quase todas as lesões da pálpebra são popularmente consideradas terçóis, embora existam duas patologias diferentes responsáveis por seu aparecimento: uma com infecção, o terçol, e a outra sem infecção, o calázio.

 

Distinção clínica

 

O terçol ou hordéolo é provocado pela inflamação das glândulas Zeis e Mol. A lesão se instala mais na borda da pálpebra, perto dos cílios, e vem acompanhada dos  sinais típicos de infecção provocada por bactérias: dor, rubor e calor. Em geral, a ferida drena e desaparece espontaneamente.

 

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Já o calázio, ou chalázeo, é provocado pela inflamação da glândula de Meibômio. Esse processo inflamatório não é produzido por bactérias. No entanto, mesmo depois de controlado, uma lesão pode permanecer na pálpebra sob a forma de um granuloma, que aumentará de tamanho, quando a secreção produzida pela glândula não conseguir ser eliminada. O aparecimento frequente de calázios pode ser indicativo de algum defeito de refração do olho.

 

Evolução

 

A evolução do terçol e do calázio é semelhante. Dois ou três dias depois de instalado o quadro, em geral, o terçol drena e desaparece. O calázio pode regredir também espontaneamente no mesmo tempo. No entanto, quando aparece um granuloma no local, podem ocorrer recidivas.

 

Tratamento

 

O tratamento do terçol é feito com aplicação local de calor úmido. Nos casos de infecção por bactérias, o oftalmologista irá indicar a aplicação de colírios ou pomadas com antibióticos. Pacientes idosos ou muito debilitados podem requerer uma cobertura sistêmica de antibióticos por via oral, porque a irrigação da pálpebra é muito rica e a infecção pode disseminar-se. Em condições normais, porém, bastam o antibiótico de uso tópico e a aplicação de compressas de água quente.

No tratamento do calázio, utilizam-se compressas de calor úmido. Medicamentos com corticoides e antibióticos são contraindicados. Se o quadro repetir-se com frequência, deve ser pedida uma avaliação refracional dos olhos.

 

Recomendações

 

  • Mãos limpas são sempre o melhor remédio para evitar a transmissão de vírus e bactérias. Lave as mãos várias vezes ao dia e evite passar o dedo no local em que apareceram lesões oculares;
  • Aplique compressas com calor úmido, pois ajudam a combater tanto o terçol quanto o calázio, lesões que aparecem nas pálpebras e incomodam bastante;
  • Saiba que a avaliação refracional é um exame muito importante para verificar a ocorrência de problemas da visão, como o astigmatismo, miopia,  e para explicar as recidivas de quadros  de calázio;
  • Não esqueça que o excesso de oleosidade pode formar uma espécie de rolha que bloqueia a saída da secreção nas lesões na pálpebra.  Cuidados de higiene da pele com xampus de pH neutro, que funcionam como detergente, ajudam a desobstruir os canículos das glândulas de Meibômio e a evitar a formação de calázios;
  • Procure um oftalmologista para diagnóstico e indicação do tratamento adequado sempre que surgirem lesões nas pálpebras ou quando as recidivas forem frequentes.