Peeling de fenol é usado contra rugas e flacidez, mas pode ser perigoso quando feito de forma inadequada

O peeling de fenol tem sido muito usado para esconder as marcas do tempo no rosto, mas essa técnica também pode ser prejudicial. Entenda.


Equipe do Portal Drauzio Varella postou em Dermatologia

Tratamento exige uma série de cuidados, que devem começar muito antes do momento que o paciente está prestes a ter uma solução de fenol e óleo de cróton aplicada em sua pele

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Publicado em: 30/12/2022

Revisado em: 31/01/2023

Peeling de fenol exige uma série de cuidados que devem começar muito antes da aplicação da solução de fenol e óleo de cróton na pele

 

O peeling de fenol é considerado um dos tratamentos mais eficazes contra rugas e flacidez da pele. Após passar por esse tipo de peeling, a pele envelhecida e com marcas do tempo ganha um aspecto jovem e liso. Essa descrição pode fazer os olhos brilharem. Afinal, quem não quer rejuvenescer? No entanto, o procedimento precisa ser realizado de forma adequada; caso contrário, pode ser perigoso e até causar danos à saúde.

O peeling é um tratamento que promove a renovação das células da pele por meio da descamação. Pode ser físico ou químico e agir de forma superficial, média ou profunda. O peeling de fenol é químico e atua de maneira profunda na pele. 

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Esse tipo de peeling consiste na aplicação de uma solução composta por quatro substâncias, sendo as duas principais o fenol, que é absorvido rapidamente pela pele, e o óleo de cróton, que é extraído da semente de um vegetal e estimula a formação de bolhas na pele. 

A combinação dessas substâncias promove uma espécie de queimadura na pele e, depois, um desprendimento da epiderme, que é a camada mais superficial da pele. A solução penetra até a derme reticular, camada abaixo da epiderme, gerando efeitos mais profundos. 

A dermatologista Meire Parada, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica, faz peeling de fenol em pacientes há 18 anos. Ela explica que esse tipo de peeling é o melhor para o tratamento de casos como excesso de pele nas pálpebras e rugas acima dos lábios, os famosos “códigos de barra”.

“Quando bem feito, bem aplicado e bem acompanhado, é padrão-ouro do tratamento, principalmente de rugas finas e flacidez. Quando tudo dá certo, é maravilhoso. Parece que passaram um ferro na pele, de tão lisa que fica”, brinca.

 

Cuidados necessários para o peeling de fenol

O peeling de fenol é um tratamento que exige uma série de cuidados que devem começar muito antes da aplicação da solução de fenol e óleo de cróton na pele.  

“A agressividade e penetração das substâncias utilizadas [no peeling de fenol], que são cardiotóxicas, hepatotóxicas e também podem comprometer os rins, obrigam que o paciente seja avaliado sob esses três aspectos antes de se submeter a esse procedimento”, alerta a dermatologista. 

Ou seja, o paciente precisa estar com coração, fígado e rins saudáveis, porque esse tipo de peeling pode trazer riscos graves à saúde, principalmente a pessoas com problemas relacionados aos três órgãos.

Outro cuidado importante é com a saúde mental e emocional. O peeling de fenol é uma espécie de queimadura. Assim, o paciente precisa estar consciente dos incômodos que o procedimento pode causar, tanto no momento da aplicação, por conta da dor provocada pela aplicação das substâncias, quanto no período de recuperação, quando a pessoa pode se olhar no espelho e talvez não “se reconhecer” durante semanas e até meses.

Por isso, Meire Parada chega a recomendar a seus pacientes que evitem olhar no espelho, especialmente nos 10, 15 primeiros dias após o procedimento, que é o tempo que ocorre a “troca de pele”, quando a pele queimada vai aos poucos se soltando e dando lugar à nova. 

Nesse período, ela também sugere que a pessoa evite sair de casa. E, caso seja necessário, use e abuse do protetor solar. Por sinal, o produto vai ter que se tornar o “companheiro inseparável” de quem faz peeling de fenol, não só durante o tempo em que a pele fica avermelhada (entre 30 e 90 dias após o tratamento, variando de pessoa para pessoa), mas pelo “resto da vida”.

 

Escolha do profissional

Por fim, a dermatologista chama a atenção para o cuidado com a escolha do profissional que vai aplicar o peeling de fenol, que precisa ser um médico. “É um procedimento médico que precisa ter acompanhamento médico”, alerta. 

Segundo ela, esse acompanhamento ocorre antes, com consultas e exames; durante, com a realização do tratamento em ambiente hospitalar ambulatorial, monitoramento do estado geral do paciente e, de preferência, com a presença de um anestesista; e depois, com consultas regulares.   

A dra. Meire recomenda que o paciente pesquise sobre o profissional. “Ele é médico? Procure saber no Conselho Regional de Medicina. É dermatologista? É cirurgião plástico que tem capacidade para isso? Cheque na Sociedade de Cirurgia Plástica de Dermatologia”, conclui.

 

Sobre a autora: Fabiana Maranhão é jornalista desde 2006 e colabora com o Portal Drauzio Varella. Tem interesse por temas ligados à infância e à adolescência, alimentação saudável e saúde mental.  

 

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