Níveis de ferritina: quando são preocupantes e por que você deve monitorá-los?

A ferritina é uma proteína especializada no transporte do ferro, um mineral essencial para a vida. Veja como avaliar se seus níveis estão adequados.


Equipe do Portal Drauzio Varella postou em Hematologia

frasco de sangue cheio, com etiqueta em que se lê ferritina, responsável pelo transporte do ferro

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Publicado em: 27/06/2023

Revisado em: 28/06/2023

A ferritina é uma proteína especializada no transporte do ferro, um mineral essencial para a vida.

 

Sintetizada pela primeira vez na década de 1930 pelo cientista tcheco Vilém Laufberger, a ferritina é uma proteína de armazenamento essencial para a vida. Produzida pelo fígado, considerado a maior glândula do corpo humano, essa pequena molécula tem uma estrutura especial que permite o transporte do ferro, um mineral vital para diversos processos fisiológicos.

O ferro, por sua vez, é um mineral necessário para a produção da hemoglobina e da mioglobina, duas proteínas presentes nas hemácias, células vermelhas responsáveis pela condução do oxigênio no sangue e nos músculos, respectivamente. Ou seja, sem ele os organismos não conseguiriam usar o O2 disponível. Além disso, o ferro também está envolvido na síntese do DNA e na produção de energia.

Níveis baixos de ferritina podem indicar falta do mineral no organismo. A alta, por outro lado, nem sempre está relacionada com o excesso de ferro, mas sim com inflamações.

“Uma alimentação inadequada, pobre em fontes de ferro, é uma das possíveis razões para a deficiência dele no organismo. Além disso, algumas doenças podem afetar a absorção de ferro, como a doença celíaca (uma enfermidade autoimune causada pela intolerância ao glúten)”, explica Fabiola Pabst Bremer, médica hematologista e professora da disciplina de hematologia e hemoterapia da Faculdade Evangélica Mackenzie do Paraná (Fempar)

Outra causa comum de deficiência de ferro, de acordo com a dra. Fabiola, é o sangramento crônico, que pode ocorrer em mulheres jovens devido a fluxos menstruais intensos. Além disso, o déficit também é visto em pacientes mais idosos, que podem ter sangramentos no trato gastrointestinal sem que sejam percebidos.

A redução dos níveis de ferro interfere nas funções celulares e pode levar o indivíduo a desenvolver anemia, condição caracterizada pela baixa concentração de hemoglobina ou produção das hemácias. 

No caso do aumento de ferro, a maioria dos casos está associada a processos inflamatórios ou infecciosos, gerados por doenças como covid-19, síndrome metabólica (associação de fatores de risco para as doenças cardiovasculares) e lúpus. Ou ainda a condições genéticas, como a hemocromatose hereditária, distúrbio caracterizado justamente pelo aumento do mineral.

“O excesso de ferro livre no corpo pode ser tóxico para as células e levar ao depósito dele em diversos órgãos, como fígado e coração. Isso pode resultar na disfunção desses órgãos, podendo evoluir para cirrose hepática e outros problemas cardíacos. Além disso, o depósito de ferro em articulações e na pele pode causar dor articular e alterações na coloração da pele”, explica Cristiane de Oliveira Henriques, hematologista membro da Academia Paranaense de Hematologia (APH) e médica hematologista na Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba.

A faixa normal de ferritina varia de acordo com o sexo, sendo de 30 ng/mL a 300 ng/mL para mulheres e de 30 ng/mL a 350 ng/mL para homens, segundo a dra. Cristiane. “É importante frisar, no entanto, que a ferritina sozinha não dá o diagnóstico de nada. É necessário fazer a avaliação médica, do estado de saúde do paciente e outros exames de perfil de ferro completo. É importante que tanto médicos como pacientes saibam disso”, diz ela.

Além da dosagem da ferritina, outros exames para verificar a quantidade de ferro no indivíduo são a dosagem do ferro sérico, a capacidade total de ligação do ferro (TIBC) e o índice de saturação da transferrina (IST). 

 

Tratamentos para níveis de ferritina alterados

No caso da ferritina baixa, o tratamento consiste na reposição de ferro. Isso pode ser feito por via oral, com a administração de suplementos, ou por meio de infusões endovenosas. De acordo com as especialistas, é importante também identificar e tratar a causa da deficiência do mineral, como sangramentos excessivos ou problemas de absorção intestinal. Em alguns casos, como na doença celíaca, é necessário adotar uma dieta livre de glúten para melhorar a absorção de ferro.

Já o tratamento para o aumento da ferritina depende da doença associada à condição. Em alguns casos, os médicos indicam a sangria terapêutica, que consiste na retirada de cerca de 400 a 500 ml de sangue do paciente, segundo o Ministério da Saúde, como em uma doação. Esse sangue retirado, em vez de ser encaminhado para outra pessoa, é coletado e descartado. 

A frequência das sangrias é determinada pelos parâmetros clínicos do paciente, podendo variar de semanal a mensal. Em casos de contraindicação para a sangria, como em pessoas com a hemocromatose hereditária, é possível utilizar medicamentos quelantes de ferro. Um quelante é uma substância que se liga ao mineral e facilita sua excreção pelo organismo. 

 

Sobre o autor: Lucas Gabriel Marins é jornalista e futuro biólogo. Tem interesse em assuntos relacionados à ciência, saúde e economia.

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