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Dermatologia

Como ler e interpretar os rótulos de produtos dermatológicos

Especialistas explicam como interpretar a lista de ingredientes, evitar erros comuns e fazer escolhas mais conscientes para a pele

Ler os rótulos dos produtos dermatológicos pode parecer complicado à primeira vista. Além das informações sobre modo de uso e restrições, há uma lista de ingredientes com diversos nomes estranhos, em inglês ou em latim, como Niacinamide, Cera Alba e Glycolic Acid, entre outros. Mas calma: não é nenhum bicho de sete cabeças.

O Portal Drauzio conversou com duas especialistas para entender como ler e interpretar as informações dos rótulos, o que realmente merece atenção, quais os ingredientes mais comuns e os principais erros na hora de escolher um produto para a pele.

 

Padronização dos produtos

Os nomes não estão em inglês ou em latim para dificultar a vida do consumidor. Na verdade, eles seguem a Nomenclatura Internacional de Ingredientes Cosméticos (ou INCI, na sigla em inglês), um sistema criado para padronizar a identificação dos ingredientes usados em cosméticos no mundo todo. 

“Ela faz com que um ingrediente tenha o mesmo nome em qualquer país, facilitando a identificação tanto pelos profissionais quanto pelos consumidores”, explica Maria Paula Del Nero, dermatologista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). 

Ou seja, se você pegar um produto no Brasil, na França ou nos Estados Unidos, encontrará os mesmos nomes.

Ainda segundo a especialista, a regra é a seguinte: ingredientes de origem vegetal costumam aparecer com o nome científico em latim, enquanto os demais seguem a nomenclatura internacional em inglês.

Para facilitar a leitura e a compreensão pelo consumidor, em novembro de 2023, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou que cosméticos, produtos de higiene pessoal e perfumes vendidos no Brasil também devem apresentar os ingredientes traduzidos para o português. 

 

A ordem dos ingredientes

Tem outro ponto na regulamentação: os ingredientes devem ser listados em ordem decrescente de concentração. Portanto, os ingredientes presentes em maior quantidade aparecem primeiro, enquanto aqueles em menor concentração vêm na sequência.

“A exceção são os ingredientes presentes em concentrações inferiores a 1%, que podem ser informados em qualquer ordem ao final da lista”, explica Tatianne Morais, farmacêutica e bioquímica. 

De acordo com ela, essa ordem ajuda o consumidor a entender quais componentes realmente predominam na formulação. No entanto, alerta, a eficácia de um produto não depende apenas da quantidade de um ativo, mas também da concentração ideal para aquele ingrediente, da tecnologia empregada e da qualidade da formulação.

Veja também: Skincare na gravidez: quais produtos são seguros e quais devem ser evitados

 

Os ingredientes mais comuns

Cada produto tem sua própria formulação. Mas existem alguns ativos bastante comuns. Entre eles, segundo Morais, estão o ácido hialurônico (molécula que retém água na pele), a niacinamida (forma da vitamina B3) e a vitamina C (vitamina com ação antioxidante).

Além deles, também há o retinol (derivado da vitamina A), o ácido salicílico (ácido esfoliante que desobstrui os poros), o ácido glicólico (ácido que promove a renovação da pele), o ácido tranexâmico (ativo usado contra manchas), as ceramidas (lipídios que protegem a barreira da pele) e os peptídeos (fragmentos de proteínas que estimulam o colágeno).

“Mais importante do que seguir a moda é escolher ativos com eficácia comprovada e que façam sentido para a necessidade da pele e para o objetivo do tratamento”, diz Morais. 

Quem tem pele sensível, segundo Del Nero, deve ficar mais atento principalmente às fragrâncias, alguns conservantes e ingredientes aos quais já tenha apresentado alguma reação. 

“Mas gosto de lembrar que não existe um ingrediente que seja ‘vilão’ para todo mundo. O que irrita uma pessoa pode funcionar muito bem para outra. Por isso, a recomendação sempre precisa ser individualizada”, destaca a dermatologista.

 

Uma ajudinha via aplicativo

Existem aplicativos que podem ajudar o consumidor a entender melhor a composição dos produtos. Um deles é o Be Clean, disponível para Android e iPhone. Basta baixar o aplicativo, criar uma conta e escanear o código de barras da embalagem.

A plataforma apresenta a lista completa de ingredientes e informa o nível de risco de cada um (baixo, médio ou alto), além dos possíveis impactos para a saúde e para o meio ambiente. O aplicativo também reúne alertas emitidos por agências reguladoras quando houver informações relevantes sobre determinada substância.

Segundo as especialistas, ferramentas como essa podem ser úteis para ajudar o consumidor a conhecer melhor os ingredientes presentes nos cosméticos. No entanto, elas têm limitações, pois avaliam principalmente a lista de componentes e não conseguem considerar fatores importantes, como a concentração de cada ativo, a tecnologia da formulação, a estabilidade dos ingredientes e a forma como eles atuam em conjunto.

“Na prática, elas contam apenas uma parte da história. O ideal é sempre a recomendação do dermatologista que conhece sua pele e pode indicar o produto”, afirma Del Nero.

Morais complementa dizendo que essas ferramentas podem ser um ponto de partida, mas não substituem a avaliação técnica e a escolha de produtos com eficácia e segurança comprovadas para cada tipo de pele.

 

Erros comuns 

As especialistas apontam que um dos erros mais frequentes no uso de cosméticos é escolher um produto apenas porque um determinado ingrediente viralizou nas redes sociais, foi recomendado por um influenciador ou recebeu uma boa avaliação em aplicativos. Esses fatores podem ajudar na busca por informações, mas não substituem a análise da fórmula nem levam em conta as necessidades específicas de cada pele.

Outro equívoco é acreditar que um único ativo define a qualidade de um produto ou que fórmulas com um número maior de ingredientes são, necessariamente, mais eficazes. Na prática, o resultado depende do conjunto da formulação, incluindo a concentração dos ativos, a tecnologia utilizada, a estabilidade dos componentes, o veículo em que eles são incorporados e a forma como esses ingredientes interagem entre si.

Também é comum interpretar expressões como “natural”, “oil free” (livre de óleo) ou “dermatologicamente testado” como garantias de maior eficácia. Segundo elas, esses termos fornecem informações específicas sobre o produto, mas não significam, por si só, que ele será a melhor opção para todos os consumidores.

Por isso, a recomendação é encarar o rótulo como uma ferramenta importante para conhecer a composição do cosmético, sem esquecer que a escolha deve levar em consideração o tipo de pele, a necessidade de cada pessoa e, sempre que possível, a orientação de um dermatologista.

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