Muita gente não sabe, mas queimação no estômago é um dos sinais de infarto. É preciso estar atento aos sinais para buscar ajuda rapidamente.

 

A morte do ator José Wilker, 69 anos, vítima de um infarto em 2014, e o caso recente do ator Felipe Titto, de 30 anos, que teve de ser internado às pressas por conta de um episódio de infarto agudo levantou a seguinte questão: antes de parar de funcionar de vez, o coração não emite nenhum sinal? Segundo o cardiologista Marcelo Cantarelli, coordenador da campanha “Coração Alerta”, ao conversar com familiares muitas vezes descobre-se que a pessoa se queixou de queimação no estômago ou  dor nas costas dias antes do ataque cardíaco, mas que na ocasião não deu a devida atenção ao sinal. É aí que está o risco.

 

Portal Drauzio Varella: Quais são os sinais mais típicos de que o coração não está funcionando bem?

Marcelo Cantarelli — Normalmente, entre uma ou até duas semanas antes do evento a pessoa apresenta alguns sintomas nos quais não presta muita atenção, pois são passageiros, como uma leve angina. É muito comum indivíduos sentirem dor no estômago, sensação de enjoo e mal-estar antes do infarto. Nesses casos, a pessoa às vezes até vai ao pronto-socorro e é medicada, mas dificilmente associará esses sintomas a um infarto, que pode ocorrer alguns dias depois. Portanto, a dica é ficar atento, pois se a pessoa sentir algo diferente, que nunca sentiu antes, talvez seja necessário investigar. Procure um médico para saber se o seu coração está bem, pois esses sintomas podem indicar que o músculo cardíaco não está recebendo sangue de maneira adequada.

 

Veja também: Infarto do miocárdio: Fatores de risco

 

Portal Drauzio Varella – Qual a diferença entre um infarto fulminante e um “comum”?

Marcelo Cantarelli – Infarto fulminante é um termo criado justamente para designar o infarto agudo do miocárdio, ou seja, quando o indivíduo não consegue atendimento rápido e emergencial e morre antes de chegar ao hospital.

Nesses casos, há uma obstrução no início da coronária, na região do tronco onde nascem as artérias. Imagine as artérias como galhos de uma árvore. Se cortamos a raiz, o estrago será enorme e a árvore poderá morrer. Agora, se cortarmos algumas ramificações, o problema poderá ser menos grave e reversível. Em casos em que há obstruções importantes, que podem desencadear uma arritmia grave, o coração simplesmente para e, se o músculo não for reanimado, ele pode não voltar a funcionar. Por isso chamamos de “fulminante”.

No infarto “comum”, se podemos assim dizer, ocorre uma obstrução de artéria, mas em geral ela não é tão grave quanto a do fulminante, já que o coração continua sendo irrigado por outras artérias que não a que foi acometida. Por algum motivo, a placa de gordura presente na parede dessa artéria se rompe. Para tentar “fechar” o vaso rompido, elementos do sangue começam a se juntar na artéria, formando coágulos que impedirão a passagem do próprio sangue e aumentarão a obstrução. Isso pode causar uma dor no peito que se irradia pelo braço. É o sintoma mais clássico. Quando a artéria se fecha de vez, acontece o infarto e deve-se correr imediatamente para o hospital.

 

Portal Drauzio Varella – Como dores tão diferentes (queimação, dor nas costas) podem sugerir um infarto?

Marcelo Cantarelli – O coração é um órgão tridimensional. Ele está apoiado sobre o diafragma, portanto situa-se um pouquinho na parte de trás e na da frente do tórax. Dependendo da parede do coração que sofre o infarto (da frente, de baixo, de trás), o sintoma pode ser diferente. Além disso, a dor pode irradiar para o braço ou para o pescoço. Outro fator é que o cérebro pode decodificar a dor como se ela viesse de outro órgão cuja inervação passe próxima ao coração.