Aneurisma da aorta abdominal: causas, diagnóstico e tratamento

Geralmente, quando há uma ruptura da aorta ocorre sangramentos e o indivíduo precisa de atendimento médico imediato.


Equipe do Portal Drauzio Varella postou em Cardiovascular

desenho de abdômen com aneurisma de aorta abdominal

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Publicado em: 28/07/2023

Revisado em: 31/07/2023

Geralmente, quando há uma ruptura da aorta ocorre sangramentos e o indivíduo precisa de atendimento médico imediato. Saiba mais sobre o aneurisma de aorta abdominal.

 

A aorta é o maior vaso sanguíneo do corpo. Cabe a ela levar o sangue do coração até a cabeça e para o abdômen e pernas. Algumas vezes, as paredes da aorta podem apresentar uma dilatação que supera 50% do seu diâmetro normal na porção final, localizada no abdômen. Nesses casos, trata-se de um aneurisma de aorta abdominal. 

Veja também: Artigo do dr. Drauzio sobre aneurisma da aorta abdominal

“A aorta abdominal é uma artéria que possui um tamanho de no máximo 30 milímetros nos homens e 27 milímetros nas mulheres. O aneurisma da aorta é a dilatação desta artéria. À medida que o aneurisma aumenta seu diâmetro, surge o risco de rotura e extravasamento de sangue”, explica Marcelo José de Almeida, cirurgião vascular e membro da Comissão de Aneurismas da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular da Regional São Paulo (SBACV-SP).

 

Causas do aneurisma da aorta abdominal

De forma geral, o aneurisma da aorta abdominal acontece devido a uma fragilidade da parede arterial. 

“Quando a parede da aorta fica fraca, a pressão alta do sangue dentro desse vaso faz com que ele se dilate, como se fosse uma bolha. A pessoa pode nascer com a aorta já fraca ou adquirir o problema com o passar do tempo, a partir de fatores como hipertensão arterial descontrolada, fumo ou traumatismo”, destaca Nelson Wolosker, cirurgião vascular e reitor da Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein.

Entre os principais fatores de risco estão: 

  • Hipertensão arterial, que impulsiona o crescimento dos aneurismas em paredes já fracas; 
  • Histórico familiar; 
  • Idade acima de 50 anos;
  • Tabagismo, já que o cigarro estimula as células presentes na parede arterial a produzir substâncias que destroem as fibras elásticas que dão resistência e elasticidade;
  • Infecções fúngicas ou bacterianas; 
  • Traumas na parede arterial; 
  • Doenças que traumatizam a parede da aorta, como diabetes e colesterol elevado
  • Doenças genéticas, como síndrome de Marfan. 

 

Sintomas e diagnóstico do aneurisma da aorta abdominal

Na maioria das vezes, os aneurismas da aorta abdominal são assintomáticos. Geralmente, os sintomas ocorrem quando há uma expansão abrupta do aneurisma, levando a uma ruptura que provoca sangramentos. 

“Nestes casos observa-se dor, queda da pressão arterial, devido à perda de sangue, levando à palidez e mal-estar generalizado”, complementa o dr. Almeida.

Além disso, quando a aorta se dilata progressivamente, pode comprimir outros órgãos próximos, causando vômitos e obstruindo a passagem da urina, por exemplo. 

O especialista reforça a importância do diagnóstico precoce em pacientes que são suscetíveis ao problema.  

“Recomenda-se que, após os 40 ou 50 anos, seja realizado um ultrassom de abdômen, que é um exame com acesso mais simples de se realizar. Em famílias suscetíveis, é importante que o exame seja realizado mais precocemente. Além disso, é fundamental realizar regularmente uma consulta médica, com exame físico de palpação do abdômen e pulsos”, acrescenta.

Também poderá ser solicitada uma tomografia computadorizada ou ressonância magnética para concluir o diagnóstico e indicar o melhor tratamento. 

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Complicações do aneurisma da aorta abdominal

Quando há dor, o problema é grave, pois pode haver o risco de rotura. Nesses casos, a dor é geralmente intensa no abdômen e na região lombar. Há ainda o risco de trombose e embolia, provocando obstrução de artérias dos membros inferiores. 

“Após a rotura da aorta, a pessoa precisa ser encaminhada para um pronto-socorro com urgência e ser operada imediatamente, já que terá hemorragia. O aneurisma é uma doença de grande risco pela possibilidade da rotura do vaso, o que gera perda de sangue e consequente morte”, explica o dr. Wolosker.

De acordo com o cirurgião vascular, a rotura é uma das dez maiores causas de morte em indivíduos com mais de 50 anos, principalmente porque a condição não havia sido diagnosticada.

 

Formas de tratamento

O tratamento varia de acordo com o tamanho do aneurisma. Geralmente, quando são pequenos (menores que 5,5 cm de diâmetro) há baixo risco de rompimento e eles são tratados clinicamente, já que podem se manter estáveis por muitos anos. Estima-se que em 80% dos casos, o crescimento dos aneurismas é lento e progressivo. 

Já quando os aneurismas são maiores do que 5,5 cm de diâmetro, a recomendação é cirúrgica, já que eles não vão diminuir de tamanho, e a cirurgia impede a rotura da aorta. 

Existem dois tipos de cirurgia para os aneurismas de aorta abdominal: o tratamento cirúrgico convencional e o tratamento endovascular.

“No tratamento convencional, o cirurgião obtém acesso à aorta por meio da incisão cirúrgica do abdômen e costura uma prótese sintética no segmento normal da aorta acima e abaixo do aneurisma, excluindo-o da circulação. Já no endovascular, o cirurgião utiliza pequenos acessos percutâneos nas virilhas para introduzir endopróteses sintéticas dentro do vaso, que são levadas até o ponto crítico da doença, eliminando o aneurisma”, explica Wolosker.

Na maioria das vezes, os pacientes que receberam o tratamento para o aneurisma de aorta precisam de acompanhamento por toda a vida. Geralmente, realizam check-ups regulares com exames de imagem para avaliar o resultado do tratamento.

 

É possível prevenir?

Infelizmente, não existe prevenção do aparecimento dos aneurismas, mas é possível evitar suas complicações. 

“O controle da pressão arterial de forma adequada, o abandono do hábito de fumar, a realização de atividade física regular bem como a visita periódica ao médico com exames de sangue e ultrassom permite o seu diagnóstico precoce e diminui o risco de complicações e óbitos”, finaliza o dr. Almeida. 

 

Sobre a autora: Samantha Cerquetani é jornalista com foco em saúde e ciência e colabora com o Portal Drauzio Varella. Escreve sobre medicina, nutrição e bem-estar.

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