O consumo frequente de produtos com agrotóxicos ao longo da vida pode trazer riscos graves à saúde, como o desenvolvimento de câncer e a redução da fertilidade.

 

Você já se perguntou quantas vezes nossos avós ficaram doentes? Certamente, muito menos do que ficamos hoje. Na época deles, os alimentos não tinham agrotóxicos, bem diferente dos dias de hoje, quando grande parte das frutas, verduras e legumes é pulverizada com tais substâncias. O uso de aditivos agrícolas em alguns deles, como pimentão, pepino, morango e alface, é tão disseminado que o desafio é encontrar uma amostra livre de contaminação.

Há alguns anos, a forma mais comum de plantio era manual e em policultura, o que preservava a microflora e a fauna do solo. Assim, a terra mantinha-se rica em oxigênio e nutrientes, terreno ideal para os alimentos crescerem saudáveis e resistentes. Na agricultura moderna, faz-se arado do solo em monocultura, o que destrói o ecossistema do local. A cadeia alimentar fica desbalanceada e abre-se espaço para as pragas, tornando-se enfim necessário o uso de pesticidas.

O consumo frequente de produtos com agrotóxicos ao longo da vida pode trazer riscos graves à saúde. Nomeados de “disruptores endócrinos”, esse tipo de veneno tem substâncias que alteram o funcionamento dos hormônios e o DNA das células, provocando oxidação e inflamações no organismo. Segundo uma pesquisa feita pelo Centro de Estudos da Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana, da Fiocruz, eles ainda facilitam o desenvolvimento de câncer, antecipam a primeira menstruação e podem diminuir a fertilidade.

Em geral, alimentos que sofreram ação de agrotóxicos são maiores, mas com pouco sabor e cheiro. Já os orgânicos têm cor mais viva, costumam ser menores e há presença marcante de aroma e sabor. A regra, porém, não pode ser seguida à risca.

 

Como diminuir a ingestão de agrotóxicos

 

Segundo a especialista em nutrição Evie Mandelbaum, existem agrotóxicos modernos menos nocivos. “Na agricultura há uma classificação dos diferentes tipos de agrotóxicos e sua segurança para uso nos alimentos. Porém, trazer menos danos à saúde não é o bastante. O ideal é a busca de alimentos ricos em nutrientes que ofereçam benefícios nutricionais e clínicos. Isso é possível com o consumo de orgânicos, cada dia mais disponíveis a preços justos”.

 

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Ainda assim, é grande a quantidade de alimentos com agrotóxicos acima do recomendado. Segundo a pesquisa mais recente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) sobre a quantidade de resíduos de aditivos, mais da metade das amostras de morango analisadas possuía níveis acima do recomendado (veja tabela abaixo).

 

Fonte: Anvisa

Fonte: Anvisa 2012

 

Lavar bem folhas, legumes e frutas retira as impurezas, mas não diminui a quantidade de agrotóxico, porque o veneno penetra nas células do alimento. Naqueles de casca dura e grossa as substâncias nocivas podem ter mais dificuldade para chegar à polpa, mas ainda assim a contaminação do interior dos alimentos é frequente devido ao mau uso dos pesticidas. Infelizmente, a única forma de garantir que se está consumindo um produto isento de pesticidas é adquirir produtos certificados como orgânicos.