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Alimentação

Dieta hospitalar: conheça os tipos e a importância para a recuperação do paciente

A alimentação hospitalar é planejada para atender necessidades especiais e apoiar o tratamento durante a internação

Você já pensou em como é elaborada uma dieta hospitalar? Na maioria das vezes, a alimentação é preparada de forma individualizada, considerando o quadro clínico e possíveis restrições de cada paciente internado. Além de fornecer nutrientes, a dieta integra o plano terapêutico, contribuindo para a recuperação e reduzindo o risco de complicações.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral (Braspen), quase 4 em cada 10 pacientes internados em hospitais públicos no Brasil estão desnutridos. Essa condição está associada a internações mais prolongadas, maior risco de infecções, atraso no processo de cicatrização e aumento da mortalidade, o que evidencia a necessidade de um cuidado nutricional efetivo desde o início da hospitalização.

“A alimentação hospitalar é adaptada às necessidades de cada indivíduo, seja na consistência e textura dos alimentos, na quantidade de calorias ou na composição de nutrientes. Também fazemos ajustes de temperatura quando necessário. Todo o cardápio é elaborado pelo nutricionista, seguindo essas orientações”, explica Thelma Feltrin, nutricionista especialista em nutrição hospitalar, mestre em saúde pública e membro da Câmara Técnica do Conselho Regional de Nutrição – 3ª Região – SP/MS (CRN-3).

 

Principais tipos de dieta hospitalar

As dietas hospitalares são classificadas em dietas de rotina (ou padrão) e dietas especiais. De forma geral, as dietas de rotina focam na alteração da textura e consistência dos alimentos, sem modificar o valor nutricional. São as mais comuns nos hospitais e geralmente indicadas para o período pós-operatório ou para pessoas com dificuldades de mastigação, deglutição e digestão. 

Conforme o grau de alteração da textura, essas dietas recebem diferentes nomenclaturas:

  • Dieta geral: sem alterações, alimentos servidos normalmente;
  • Dieta branda: alimentos mais fáceis de mastigar;
  • Dieta pastosa: alimentos amolecidos e sem pedaços grandes;
  • Dieta semilíquida: consistência entre pastosa e líquida;
  • Dieta líquida: apenas líquidos claros ou nutritivos, quando a mastigação não é possível.

Já as dietas especiais envolvem alterações de nutrientes ou valor calórico para atender necessidades específicas. É o caso da dieta hiperproteica, que aumenta a quantidade de proteínas, indicada para quem precisa recuperar peso ou cicatrizar tecidos após cirurgias.

Além disso, podem ser hipocalóricas (com menor quantidade de calorias), hipossódicas (com pouco sal), hipogordurosas (com baixo teor de gordura) ou hiperglicídicas (com maior quantidade de carboidratos).

        Veja também: Por que devemos seguir o jejum pré-operatório?

 

Desafios da alimentação durante a internação

A alimentação hospitalar enfrenta o desafio de atender aos diferentes gostos e hábitos dos pacientes. Eles têm idades, culturas, origens, diagnósticos e preferências variadas, e elaborar refeições que considerem todas essas diferenças se torna ainda mais difícil quando a dieta exige restrições múltiplas, como baixo teor de sódio, açúcar, potássio ou gordura.

“O objetivo é estimular o apetite e fazer com que ele [o paciente] se alimente de maneira adequada,  atingindo as suas necessidades nutricionais diárias e, consequentemente, melhorando sua saúde e recuperação geral”, complementa Thelma.

Vale ressaltar que alguns pacientes não conseguem se alimentar pela boca por causa de cirurgias, doenças ou dificuldades de deglutição. Nesses casos, os nutrientes podem ser fornecidos por nutrição enteral, por meio de sonda até o estômago ou intestino, ou por nutrição parenteral, administrada diretamente na corrente sanguínea. Em ambos os casos, o plano alimentar é elaborado por nutricionistas e acompanhado pela equipe médica para garantir segurança e eficácia.

 

Acompanhamento nutricional

O acompanhamento nutricional hospitalar é realizado por meio de visitas periódicas junto ao leito. O nutricionista verifica a aceitação da dieta, observa sintomas digestivos como náuseas, vômitos e diarreia, acompanha o ganho de peso e o estado nutricional, ajustando a dieta sempre que necessário. 

Ferramentas padronizadas de triagem nutricional também podem ser utilizadas para identificar e priorizar quem necessita de acompanhamento mais detalhado. 

O especialista monitora possíveis intolerâncias e alergias alimentares, orienta sobre o uso de suplementos nutricionais quando necessário. Também contribui para a prevenção de infecções e outras complicações associadas à desnutrição hospitalar.

“Além de garantir a nutrição adequada, o profissional atua na promoção da saúde e educação nutricional, orientando tanto pacientes quanto acompanhantes”, finaliza a nutricionista. 

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Referências: 

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