Brinquedos sexuais, garrafas de vidro, frutas, desodorantes, açucareiros… Pode parecer aleatória, mas essa lista reúne alguns dos objetos que as pessoas mais inserem na região anal durante explorações sexuais, muitas vezes sem saber que eles podem ficar presos e até exigir cirurgia para retirada.
Casos de objetos presos no ânus acontecem em seis homens para cada mulher. A frequência masculina está relacionada, principalmente, às diferenças anatômicas: a estimulação da próstata, que se localiza próxima ao reto, pode ser muito prazerosa para eles.
No entanto, a região anal tem caractéristicas que favorecem a sucção desses objetos, representando um risco para a saúde se não for tratado com rapidez.
Que riscos são esses?
“Quando o objeto fica preso, ele machuca a camada mais interna do intestino, que é o que a gente chama de mucosa. Essa camada, às vezes fica inchada, machucada, pode ter sangramento, uma inflamação severa e, por causa do machucado, da pressão e das lesões, pode até resultar em perfuração do intestino. Essa é provavelmente a complicação mais grave”, elenca Alexandre Ferrari, membro da Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP).
Pode ser ainda que o objeto não fique preso, mas, especialmente nos casos de chemsex (sexo sob o uso de drogas), é possível que as alterações no nível de consciência atrapalhem a perceção de lesões e outras alterações no local.
Por que os objetos tendem a ficar presos no ânus?
O intestino grosso é a parte final do sistema digestivo, responsável por armazenar e eliminar as fezes. Sua última porção é o reto, que termina no ânus, a abertura por onde as fezes saem do corpo.
“Quando o objeto é introduzido, se ele entra no interior do ânus e do reto, o músculo pode ficar mais tenso por causa da dor e da manipulação, dificultando a saída desse objeto”, explica Ferrari.
Além disso, o intestino realiza continuamente movimentos de contração e relaxamento, conhecidos como peristaltismo. Quando um objeto obstrui a saída de ar pelo ânus, pode ocorrer a formação de uma diferença de pressão que, associada a esses movimentos, favorece a sua sucção para regiões mais profundas do reto ou do intestino.
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Quando procurar ajuda e como é feita a retirada
Se não for possível puxar o objeto, mesmo fazendo pressão para fora, é preciso procurar o pronto-socorro imediatamente. Quanto mais tempo ele permanecer dentro do intestino, maior é o risco de machucar a parede do órgão e diminuir o fluxo sanguíneo na região, podendo resultar em perfurações ou até necrose.
“Geralmente, a gente tenta retirar por baixo. É feita uma anestesia no local para ver se o músculo relaxa e, sem machucar o ânus, o objeto é retirado para fora. Só que às vezes o objeto está muito alto [ou seja, mais profundo dentro do intestino]. Se tiver algum outro tipo de alteração, pode ser necessária uma laparoscopia para olhar dentro da barriga e, em alguns casos, abri-la para retirar o objeto”, detalha o coloproctologista.
Como prevenir?
A estimulação anal durante o sexo não é contraindicada, mas exige alguns cuidados. Para evitar que os objetos utilizados fiquem presos, Ferrari recomenda:
- utilizar brinquedos sexuais com a base larga, pois isso impede a entrada no ânus;
- ao realizar o preparo para a atividade sexual anal, preferir a água em temperatura ambiente e evitar o chuveirinho de pressão, porque isso pode machucar as mucosas do intestino;
- usar lubrificante todas as vezes, porque o ânus não tem lubrificação natural.
“Outra coisa: a pessoa deve dar tempo ao próprio corpo. Se vai tentar experimentar algo novo, o ideal é ir sempre devagar, com cuidado, se entendendo. Se começar a ter dor ou se tiver alguma outra alteração, procure um médico para garantir a atividade sexual com menos riscos, segura e sem complicações no futuro”, aconselha o especialista.
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