Pulso: confira os destaques do primeiro evento de saúde do Portal Drauzio - Portal Drauzio Varella
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Saúde pública

Pulso: confira os destaques do primeiro evento de saúde do Portal Drauzio

Pulso, primeiro evento do Portal Drauzio, promoveu debates atuais sobre assuntos de saúde que estão na boca da população

Pulso, primeiro evento do Portal Drauzio, promoveu debates atuais sobre assuntos de saúde que estão na boca da população

Na última quarta-feira, 17 de junho, aconteceu em São Paulo o primeiro evento de saúde realizado pelo Portal Drauzio em parceria com o UOL. O Pulso: um diagnóstico da saúde e do bem-estar debateu temas como comunicação em saúde, dignidade menstrual, saúde mental, entre outros que permeiam o dia a dia dos brasileiros.

Confira abaixo os principais destaques de todos os painéis e bate-papos. 

Da covid à polilaminina: o que aprendemos (ou não) sobre comunicação e saúde desde a pandemia

Com mediação de Mariana Varella, editora-chefe do Portal Drauzio, o primeiro painel reuniu Luana Araujo, infectologista e epidemiologista; Atila Iamarino, biólogo e pesquisador; e Eder Gatti, diretor do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde. Eles falaram sobre os males da desinformação durante a pandemia de covid-19 e como isso impacta a comunicação em saúde até hoje. 

Luana Araujo destacou a importância de criminalizar a propagação de notícias falsas sobre saúde com fins de benefícios financeiros ou políticos. “Isso precisa ser considerado legalmente um problema. Porque se não for, não tem esforço que a gente faça [que seja suficiente]. É apagar incêndio com um balde d’água”, opinou a médica. 

Para Eder Gatti, o principal desafio atualmente é retomar a confiança das pessoas nas instituições, já que a desinformação atrapalha o processo de oferta de saúde à população.

“A própria OMS coloca a desinformação como um dos grandes males da saúde global. Mas nós temos um país continental, com muitas desigualdades ao longo de seu território, e isso impõe um desafio muito grande de levar saúde às pessoas. Durante a pandemia, houve um cenário de disputa no qual a desinformação era a principal ferramenta. A gente teve o paradoxo de ter políticas públicas do Estado desacreditadas por representantes do próprio Estado”, afirmou Gatti.

Questionado se estaríamos preparados para uma nova emergência sanitária, Atila Iamarino mostrou-se pouco esperançoso. “Acho que as pessoas individualmente estão mais preparadas, mas institucionalmente estamos pior. Quem sabe desinformar se fortaleceu. Hoje, se o vírus não surgir na China, a gente não mede ele desde o começo. Se isso acontece nos Estados Unidos, eles desmontaram a infraestrutura de teste, de vacina, de monitoramento. O país que mais trocou vírus com o Brasil é o que está pior em termos de vigilância. Uma pandemia agora nos encontraria em situação mais vulnerável”, disse. 

 

Trust Barometer 2026: a confiança do brasileiro na informação

O Pulso recebeu, em primeira mão, as novidades do Edelman Trust Barometer 2026, pesquisa que coleta dados sobre confiança e saúde anualmente. Ana Carbonieri, diretora sênior de saúde para Brasil e América Latina da Edelman, trouxe os principais destaques:

  • no Brasil, quase 4 em cada 10 pessoas afirmam que o país está muito ou extremamente dividido em questões fundamentais de saúde;
  • 45% dos brasileiros estão perdendo a confiança no sistema de saúde;
  • menos da metade (48%) dos brasileiros confia que mídia reportará informações corretas de saúde, uma queda de 13 pontos em comparação com 2019;
  • globalmente, 38% respondeu usar a inteligência artificial para administrar a saúde.

A discussão sobre o tema contou também com Renato Kfouri, pediatra infectologista, e Nina Santos, pesquisadora no Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Democracia Digital, que falaram sobre o desafio de construir confiança em meio à tanta desinformação.

“O grande desafio da comunicação pública é disputar a partida — ou seja, se apropriar das ferramentas e usá-las da melhor forma possível, porque quem está disseminando a desinformação está fazendo isso —, enquanto a gente luta para mudar as regras do campeonato, porque da forma que está, é muito injusto. Mas a gente precisa fazer as duas coisas ao mesmo tempo”, disse Santos.

Veja também: Mais de 70% da população acredita em fake news em saúde, mostra pesquisa

 

Saúde sem tabu: dignidade menstrual, banalização da dor e o cenário da endometriose no Brasil

Em maio, o Instituto Alana divulgou um estudo nacional sobre saúde menstrual nas escolas brasileiras, mais um tema debatido no Pulso. O levantamento apontou que mais de 50% das meninas menstruam até os 11 anos de idade, ou seja, quando ainda crianças. Além disso, 6 em cada 10 alunas têm dor menstrual que atrapalha seu dia a dia; e 4 em cada 10 faltam às aulas pelo menos uma vez por mês devido aos sintomas menstruais. 

“Quem nunca ouviu que é normal sentir dor na menstruação? Que mulher sofre mesmo? Os profissionais ficam desacostumados a falar sobre a dor. Uma coisa muito importante quando a gente está falando de saúde menstrual é dar importância à dor. Dor que afeta as nossas atividades não é normal”, destacou Sofia Reinach, gerente de saúde e líder da Iniciativa de Endometriose, Dor Pélvica e Saúde Menstrual do Instituto Alana, em bate-papo com Mariana Varella. 

Em relação à endometriose, ela destacou que hoje existe muita informação sobre a doença — que até pouco tempo atrás quase não era discutida —, mas os métodos de diagnóstico ainda são inacessíveis e invasivos. 

 

Consumo de medicamentos no Brasil: o que está em risco para a saúde das pessoas?

Com mediação da jornalista Lúcia Helena, o evento seguiu com o debate sobre como os pacientes chegam mais empoderados às farmácias, mas nem sempre bem informados. 

Medicamentos para perda de peso, suplementos vitamínicos e produtos para a pele, por exemplo, se tornaram febre nas redes sociais; enquanto doenças crônicas, como hipertensão e diabetes, continuam negligenciadas. Para Drauzio Varella, há uma medicalização da vida que necessita de controle — e isso começa no balcão.

“Podemos ter um papel essencial na questão do controle, continuidade e acompanhamento das cronicidades. Temos que lembrar que o nosso país envelhece muito rápido. Se nos anteciparmos e conseguirmos atribuir, através da farmácia, uma jornada de medicação, adesão, monitoramento e controle por meio dos serviços, interoperando com o sistema público de saúde, estaremos adicionando à rede um equipamento de extrema relevância”, avaliou Bruno Pipponzi, vice-presidente de Negócios da RD Saúde.

Veja também: Não é só remédio: veja como as farmácias podem ajudar no cuidado com a saúde

 

A nova onda de influenciadores de ciência e saúde: enfrentando a desinformação

Os influenciadores também assumem um papel importante nesse cenário. Theo Ruprecht, apresentador do Ciência Suja; Ricardo Kores, infectologista; Ana Bonassa e Laura Marise, ambas do canal Nunca Vi 1 Cientista, se uniram para entender como divulgar informações relevantes e, ao mesmo tempo, interessantes para o público.

“Essa é a parte mais difícil: traduzir partindo do ponto de que as pessoas não sabem o que você sabe. Não tem uma receita. Cada conteúdo, cada tema, é de um jeito diferente”, afirmou Marise.

Além do esforço de traduzir conhecimentos técnicos para uma linguagem mais simples, os influenciadores de ciência e saúde também enfrentam a resistência do público, que já possui preconceitos enraizados.

“Às vezes, fazemos conteúdos em que a gente expõe que a pessoa foi enganada, e ninguém gosta de se sentir enganado. Então, o primeiro reflexo dela é recusar aquela informação. Algumas pessoas vão digerir isso, entender o que a gente está tentando dizer, aceitar e seguir. Mas existem crenças prévias, divergências ideológicas e diferentes visões de mundo, e a gente não vai conseguir atingir todo mundo. Eu digo isso para todo mundo que fala de ciência na internet: mantenha a terapia em dia para saber que vocês não vão salvar todo mundo, mas continuem tentando mesmo assim”, complementou Bonassa.

 

Brasil à flor da pele: skin care e desinformação

Quando o assunto é cuidado com a pele, o trabalho de conscientização se faz ainda mais necessário. Dados da L’Oréal mostram que 70% dos jovens testam produtos que viram nas redes sociais sem orientação médica, e apenas 4% desse conteúdo é produzido por médicos dermatologistas.

A pele é um órgão complexo, que manifesta doenças sérias e está diretamente ligado a problemas de saúde de outros sistemas do nosso corpo. Com mediação da jornalista Carol Marcelino, o debate entre o médico Drauzio Varella e as respectivas diretora geral e diretora científica da Divisão de Beleza Dermatológica do Grupo L’Oréal, Hanana Saidi e Nathalia Harnam, demonstrou a importância dos profissionais da área se fazerem presentes na disseminação de informações adequadas — especialmente em um país como o Brasil.

“O Brasil guarda uma particularidade única que o coloca em uma condição dermatológica muito específica: a diversidade. É o país mais miscigenado do mundo. No Grupo L’Oréal, nós mapeamos 66 tons de pele, dos quais 55 estão no Brasil. É o único país onde conseguimos identificar as oito curvaturas de cabelo. É uma diversidade muito rica que se traduz na pele”, destacou Harnam.

 

Um país medicado: como nos tornamos a nação mais ansiosa do mundo?

Além da pele, as particularidades brasileiras afetam ainda a saúde mental. Em um país marcado por processos de colonização, violência e desigualdade social, muitas vezes, o lugar que sobra para que as pessoas exerçam o seu lazer são as redes sociais. Ambiente, hoje, repleto de conteúdos viciantes e estigmatizantes.

O Brasil é um dos países com maior prevalência de transtornos de ansiedade e de depressão no mundo. Ao mesmo tempo, estima-se que 80% das pessoas que possuem um transtorno mental não recebem diagnóstico e tratamento adequados. Quando dizemos que hoje tudo é doença e que todo mundo toma remédio, estamos nos referindo a uma camada muito privilegiada da sociedade. Existe uma carência muito grande de diagnósticos e tratamentos adequados, ao mesmo tempo em que há excesso em outros setores. Nós vivemos entre o excesso e a falta”, comparou Daniel Martins, psiquiatra do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP). Ao seu lado, estavam Karen Scavacini, fundadora do Instituto Vita Alere, e Jeane Tavares, psicóloga e doutora em saúde pública.

Em meio a tantas contradições, Drauzio Varella ressalta que quem tem o poder de informar e, de certa forma, “influenciar” os outros é um privilegiado.

“Quando você tem um conhecimento, especialmente em uma área como a saúde — não só nela, mas na saúde isso é muito forte —, você tem a obrigação de compartilhá-lo com os outros”, disse ao encerrar o evento.

Veja também: Como conseguir atendimento psicológico gratuito

 

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