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Infiltração com corticoide: quando é indicada, como funciona e quais são os riscos

Tratamento pode aliviar a dor e melhorar a mobilidade, mas não substitui todos os tipos de intervenção médica

O corticoide é um medicamento com ação anti-inflamatória e imunossupressora. Na prática, isso significa que ele reduz o processo inflamatório e diminui a atividade do sistema imunológico, ajudando a controlar dores causadas por respostas excessivas da nossa defesa. Uma das formas de utilizar a droga para aliviar os sintomas é por meio da infiltração com essa substância.

A técnica consiste na aplicação do medicamento diretamente em articulações (estruturas que conectam dois ou mais ossos) ou tendões (tecidos fibrosos que ligam músculos aos ossos). Com uma agulha, a substância é injetada exatamente no local da inflamação. O objetivo é reduzir os sintomas e melhorar a mobilidade da região tratada, segundo especialistas consultados pela reportagem.

“O corticoide tem uma ação que inibe substâncias químicas, como a prostaglandina, que é uma substância que desencadeia a inflamação. Então, você tem uma inflamação e esse medicamento vai abafar essa resposta do organismo, fazendo com que o processo inflamatório seja menor”, explica Ari Zekcer, ortopedista especialista em joelho e médico do esporte. 

A prostaglandina, mencionada pelo especialista, é uma substância produzida naturalmente pelo corpo, que atua como uma espécie de mensageiro químico. Quando a pessoa tem uma lesão, infecção ou irritação em um tecido, ela ajuda a coordenar a resposta inflamatória do corpo.

 

O procedimento dói? 

De acordo com Zekcer, a infiltração costuma ser um procedimento rápido e praticamente indolor. Isso porque o corticoide utilizado na aplicação é associado a um anestésico local, como a xilocaína, o que reduz significativamente o desconforto.

“É um procedimento ambulatorial, realizado em cerca de cinco a dez minutos. Primeiro, faz-se uma pequena anestesia na pele com xilocaína e, em seguida, a infiltração do corticoide, também associado à xilocaína, diretamente na articulação”, explica.

 

Quando a infiltração é indicada? 

Entre os principais problemas ortopédicos tratados com infiltração estão as osteoartrites, caracterizadas pelo desgaste das articulações, especialmente nos joelhos, quadris e ombros, podendo também afetar os tornozelos. Além disso, algumas inflamações em tendões também podem ser tratadas com infiltrações.

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Quanto tempo demora para o efeito aparecer? 

Segundo Renato Cesar Sahagoff Raad, ortopedista e coordenador do Serviço de Ortopedia do Hospital Nossa Senhora das Graças, em Curitiba (PR), quando a infiltração é realizada com anestésico local e aplicada corretamente no foco da inflamação, o alívio da dor costuma ser imediato.

“Depois, passa o efeito do anestésico em umas duas horas, quando a dor pode voltar. Depois de 48 horas, o corticoide começa a fazer efeito e dura por três semanas. Se a inflamação não recidivar, pode resolver o problema”, afirma.

 

Quais são os riscos e possíveis efeitos colaterais? 

Segundo Raad, embora a infiltração seja considerada um procedimento seguro, ela não está isenta de riscos. Entre as possíveis complicações estão a ausência de melhora da dor, infecções, retorno dos sintomas após um período de alívio, reações alérgicas e, em alguns casos, a desorganização das fibras dos tendões, o que pode aumentar o risco de rupturas.

 

Existe limite para o número de infiltrações?

Sim. Embora não exista uma regra única que se aplique a todos os pacientes e situações, especialistas alertam que infiltrações com corticoides não devem ser realizadas de forma frequente ou repetitiva.

Segundo Zekcer, em articulações como joelho, quadril e ombro, as aplicações costumam ser espaçadas, geralmente em intervalos de pelo menos seis meses a um ano. O ortopedista explica que a realização de três, quatro ou cinco infiltrações seguidas pode ter efeito contrário ao desejado, contribuindo para um desgaste mais acelerado da articulação.

Nos tendões, o cuidado deve ser ainda maior. De acordo com o especialista, infiltrações repetidas podem enfraquecer as regiões e aumentar o risco de rupturas, motivo pelo qual o procedimento deve ser reservado para situações específicas.

Raad segue a mesma linha de cautela e afirma que, em sua prática clínica, não recomenda mais de três infiltrações em um período de três meses.

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A infiltração substitui a cirurgia? 

A infiltração pode ajudar a aliviar a dor e controlar a inflamação, mas nem sempre elimina a necessidade de cirurgia. Em situações em que há danos significativos às estruturas da articulação, comprometimento da estabilidade ou desgaste mais avançado, o tratamento cirúrgico ainda pode ser a opção mais indicada.

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