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Fim da patente do Ozempic: o que muda para o mercado farmacêutico brasileiro

Fim da exclusividade abre portas para preços mais acessíveis, mas esbarra na falta de capacidade produtiva no país

Fim da exclusividade abre portas para preços mais acessíveis, mas esbarra na falta de capacidade produtiva no país

Na última semana, as indústrias farmacêuticas brasileiras ganharam a possibilidade de produzir medicamentos genéricos ou similares ao Ozempic, indicado originalmente para o tratamento do diabetes tipo 2, mas que ganhou fama pelos seus efeitos na perda de peso. Isso aconteceu porque a patente da semaglutida, seu princípio ativo, expirou, abrindo caminho para que mais empresas produzam o mesmo tipo de medicamento.

De acordo com a advogada Giovanna Vasconcellos, com o término da vigência da patente, extingue-se o direito de exclusividade que assegurava ao titular a prerrogativa de impedir terceiros de produzir, usar, oferecer à venda, vender ou importar o objeto protegido, nos termos do artigo 42 da Lei da Propriedade Industrial. “Em consequência, outros agentes econômicos passam a dispor de liberdade jurídica para desenvolver e fabricar medicamentos que utilizem o mesmo princípio ativo”, explica.

Mas, segundo a especialista em propriedade intelectual, ao mesmo tempo que o fim da exclusividade sobre a semaglutida no Brasil abre espaço para a entrada de produtos mais acessíveis, o novo cenário traz desafios regulatórios e estratégicos relevantes. 

“A comercialização de eventuais concorrentes dependerá do cumprimento das exigências sanitárias e da obtenção de registro junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), além de fatores como capacidade produtiva, estratégias de mercado e posicionamento comercial das farmacêuticas”, destaca.

 

O desafio após o fim da patente é grande

O medicamento, que atua no  controle da glicemia e na modulação do apetite, é produzido pela Novo Nordisk, uma indústria farmacêutica dinamarquesa que conta com unidades de produção em 13 países. Ou seja: a quebra da patente não tem tanto significado para o Brasil, já que no país as possibilidades de produção não são competitivas. Afinal, conforme o Ministério da Saúde, mais de 90% dos insumos farmacêuticos ativos (IFA) utilizados no Brasil são importados.

Além disso, conforme Vasconcellos, a introdução de novos medicamentos no mercado permanece condicionada ao cumprimento das exigências sanitárias, com registro junto à Anvisa, assim como a velocidade dos impactos concorrenciais depende de variáveis econômicas, como a capacidade produtiva dos laboratórios, as estratégias comerciais adotadas e o grau de substituibilidade terapêutica.

Outro ponto a ser analisado é a chegada do medicamento ao SUS. Embora a redução dos custos seja esperada, a inclusão na rede pública depende de uma série de fatores, como aprovação por comissões, avaliação de evidências científicas, custo-efetividade, segurança e benefícios clínicos, entre outros.

Na prática, a quebra da patente é apenas o primeiro passo. Até que novas empresas obtenham aprovação da Anvisa, ainda há um caminho longo e técnico pela frente.

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