Os casos de intoxicação por metanol reduziram no Brasil, mas a proximidade com o Carnaval pede atenção. Embora o maior número de intoxicações tenha acontecido entre o fim de setembro e o começo de dezembro, com quase 100 casos e mais de 20 óbitos, 2026 também já registrou novas ocorrências. No começo do ano, sete pessoas passaram mal e uma faleceu após consumirem vodca no nordeste da Bahia.
Conforme a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a forma mais segura de prevenção é verificar a procedência da bebida, observando no rótulo o nome do fabricante, a lista de ingredientes e o número de registro no Ministério da Agricultura. Também é importante não consumir bebidas alcoólicas vendidas de forma informal, sem rótulo, sem lacre de segurança ou sem o selo fiscal da Receita Federal.
Além disso, outras orientações são importantes:
- Desconfie de preços muito abaixo da média do mercado;
- Compre apenas em locais confiáveis (mercados, distribuidoras e estabelecimentos regularizados);
- Exija a nota fiscal e guarde o comprovante;
- Observe a aparência da bebida: destilados devem ser límpidos. Turvação, partículas ou alteração de cor são sinais de alerta;
- Evite bebidas caseiras ou artesanais não regularizadas.
Mas o que os foliões podem fazer se houver suspeitas após o consumo? Segundo Helio Magarinos Torres Filho, patologista clínico e diretor médico do laboratório Richet, da Rede D’Or, os sintomas geralmente surgem por volta de 6 a 24 horas após a ingestão da bebida. Entretanto, em casos menos comuns, podem demorar até 48 horas para se manifestar.
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Sintomas de intoxicação
O que diferencia a intoxicação por metanol da alcoólica comum, de acordo com o especialista, é a forma progressiva da apresentação dos sintomas. Os principais incluem:
- Cefaleia (dor de cabeça) intensa e persistente;
- Náuseas e vômitos frequentes;
- Dores abdominais;
- Tontura;
- Mal-estar generalizado;
- Alterações visuais (como visão embaçada ou dor ocular);
- Sensibilidade à luz;
- Respiração mais rápida e profunda;
- Confusão e desorientação mental;
- Convulsões e alterações no nível de consciência (nos casos mais graves).
Entre eles, as alterações visuais são as mais características. Ainda é comum o relato de que a quantidade de bebida ingerida não corresponde à intensidade dos sintomas.
Quando buscar atendimento médico
Se você acha que consumiu bebida de origem desconhecida ou adulterada, procure atendimento médico imediatamente. Essa atitude se torna ainda mais importante caso surjam alterações visuais, mesmo leves, vômitos persistentes, dor abdominal intensa ou outros sintomas.
“Importante ressaltar que a intoxicação por metanol é uma emergência médica e a demora no atendimento pode resultar em cegueira permanente ou óbito”, ressalta o médico.
Após identificar os sintomas e procurar ajuda, repassar a informação clara de que está com suspeita de intoxicação por bebida adulterada é fundamental. Segundo o patologista, no hospital, alguns exames ajudam na confirmação e avaliação do estado do paciente:
- Dosagem de metanol (de preferência no sangue);
- Gasometria arterial;
- Eletrólitos (sódio, potássio, cálcio, cloro, fósforo, magnésio e bicarbonato);
- Cálculo do ânion gap;
- Osmolalidade;
- Provas de função renal e hepática;
- Dosagem de etanol sérico.
“A dosagem de metanol pode não estar disponível ou não ser possível ter o resultado de imediato, o que não deve ser motivo para retardo no início do tratamento. Resultados de ânion gap e gap osmolar elevados são fortes indícios da intoxicação. A dosagem sanguínea do metanol deve servir como parâmetro confirmatório apenas”, afirma.
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