Com a chegada do verão, cresce a procura por cirurgias plásticas. O período costuma concentrar decisões “apressadas”, muitas vezes motivadas por prazos curtos e expectativas elevadas. Especialistas alertam, porém, que esse é justamente o momento em que o paciente deve redobrar a atenção na escolha do profissional e no planejamento do procedimento.
Antes mesmo da primeira consulta, é importante entender que segurança começa fora do consultório. A verificação da formação, da regularidade profissional e da experiência do cirurgião ajuda a reduzir riscos e evita decisões baseadas apenas em preço, promessas ou imagens divulgadas nas redes sociais.
Certificações e registros obrigatórios
O primeiro passo é confirmar se o profissional é médico. Isso pode ser feito no site do Conselho Regional de Medicina (CRM) do estado onde ele atua, verificando se o registro está ativo. No mesmo sistema, o paciente pode checar se há o Registro de Qualificação de Especialista (RQE) em cirurgia plástica, que indica a conclusão de residência médica reconhecida e validação da especialidade pelo conselho.
Outra fonte recomendada é a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), que reúne médicos com formação comprovada e avaliação técnica.
“A especialidade é uma validação formal de que o médico se dedicou à área e tem formação adequada”, afirma Fernando Amat, cirurgião plástico, membro titular da SBCP e membro da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS).
Para Marcelo Sampaio, presidente da SBCP, o título de especialista indica uma formação de cinco a seis anos e reduz riscos associados à falta de preparo.
Experiência e áreas de atuação
Confirmados os registros, o passo seguinte é entender a experiência do cirurgião no procedimento desejado. Durante a consulta, o médico deve explicar quais técnicas existem, se a cirurgia é indicada para aquele caso e quais são as limitações do resultado. Perguntar com que frequência ele realiza a intervenção e em quais hospitais atua ajuda a dimensionar essa experiência.
Conversar com outros pacientes e verificar se o médico é credenciado em hospitais reconhecidos também contribui para a avaliação. Segundo o dr. Marcelo, o especialista precisa detalhar alternativas ao procedimento cirúrgico, tempo de recuperação, cuidados pré e pós-operatórios e custos envolvidos, de forma transparente e sem evasivas.
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O que observar na consulta com o cirurgião plástico
A consulta é o momento de tirar dúvidas e perguntar tudo que deseja saber, o que é fundamental antes de fechar qualquer cirurgia plástica. Durante o atendimento, deve haver alinhamento entre expectativa e possibilidade real de resultado. “Se não existe esse alinhamento, a cirurgia não deve ser realizada”, diz o dr. Fernando.
O médico precisa explicar riscos, possíveis complicações, cicatrizes permanentes e variações de resultado entre pacientes, além de fornecer documentação que deixem esses procedimentos compreensíveis. “É importante estar claro também num termo de consentimento informado para que o paciente saiba o que esperar do procedimento da cirurgia”, destaca.
Sinais de alerta
Sinais de alerta incluem promessas de resultados garantidos, recuperação rápida, minimização dos riscos, pressão para fechar data ou pagamento imediato, recusa em informar CRM, RQE, local da cirurgia ou tipo de anestesia. Segundo os especialistas, o paciente nunca deve ser operado fora do ambiente hospitalar. Preços muito abaixo da média também exigem questionamento sobre a estrutura envolvida.
A busca por outro especialista é indicada quando há insegurança, falta de clareza nas explicações, indicação cirúrgica que parece excessiva, cirurgias de grande porte ou ausência de solicitação de exames pré-operatórios. Nesses casos, ouvir outro profissional ajuda a comparar condutas e entender melhor os riscos e limites do ato cirúrgico.
Fotos nas redes sociais
Imagens de antes e depois podem ajudar a ilustrar as cirurgias plásticas, mas não devem ser usadas como critério isolado. O dr. Marcelo alerta que fotos não refletem todas as variáveis, como cicatrizes ou complicações. “As imagens costumam mostrar casos bem-sucedidos e não garantem o mesmo resultado, afinal, as pessoas são diferentes”, afirma o médico.
O uso de imagens nas redes sociais é permitido, desde que siga normas éticas como autorização do paciente, ausência de sensacionalismo e linguagem informativa, sem promessas de resultados. “Não deve haver linguagem apelativa e/ou promocional”, ressalta ele.
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Onde buscar informações confiáveis sobre o cirurgião plástico
Antes de confiar em indicações informais ou avaliações na internet, o paciente deve recorrer a fontes oficiais para se certificar de informações confiáveis sobre o profissional. Os sites dos Conselhos Regionais de Medicina (CRM) permitem verificar se o registro está ativo e se há processos éticos públicos.
O Conselho Federal de Medicina (CFM) reúne dados sobre sanções e penalidades aplicadas em todo o país, enquanto a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) informa se o cirurgião é membro da entidade e segue os critérios de conduta da especialidade.
Hospitais onde o médico atua também podem confirmar se ele é credenciado. “Essas fontes são mais confiáveis do que avaliações em redes sociais ou buscadores”, alerta o presidente da SBCP.




