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Pessoas mais flexíveis podem ter a síndrome da hipermobilidade articular

A síndrome da hipermobilidade articular faz com que algumas pessoas sejam mais flexíveis do que outras. Saiba quais são os sintomas associados.
Publicado em 01/04/2025
Revisado em 01/04/2025

A síndrome da hipermobilidade articular faz com que algumas pessoas sejam mais flexíveis do que outras. Saiba quais são os sintomas associados.

Você já deve ter visto alguém tão flexível que consegue colocar a palma das mãos nos chão sem dobrar os joelhos. Essa hipermobilidade é ótima para profissões específicas, como ginastas, artistas e dançarinos. Mas também pode representar um problema de saúde.

Hipermobilidade benigna

Cada pessoa tem seu próprio nível de flexibilidade. Em geral, as crianças são mais flexíveis que os adultos; e as mulheres, mais flexíveis do que os homens. Essa característica tem a ver com o colágeno, a proteína responsável pela elasticidade e sustentação das articulações do corpo. É a hipermobilidade benigna: não causa problemas, não provoca lesões e é mais comum em determinados biotipos.

“Isso é genético, não vai mudar. É uma coisa que se herda, da mesma forma que se herda a cor dos olhos e a cor do cabelo. Não existe um [tipo de flexibilidade] melhor ou pior. O melhor para uma bailarina é ter elasticidade, o melhor para um lutador de boxe é ter explosão muscular”, explica o dr. Miguel Akkari, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia.

Síndrome da hipermobilidade articular

Já a síndrome da hipermobilidade articular inclui sintomas incômodos que não estão associados a nenhuma outra doença. Pessoas com essa síndrome têm movimentos mais amplos e conseguem estender, flexionar ou girar as articulações além do normal. Elas são capazes, por exemplo, de:

  • Encostar completamente a parte de trás dos joelhos no chão ao sentar com as pernas esticadas;
  • Dobrar o dedo polegar para trás ultrapassando os 90° e tocando o antebraço;
  • Colocar a palma das mãos no chão sem precisar flexionar o joelho.

“Aí entram os problemas. A hipermobilidade sintomática está associada a casos de dor, instabilidade, luxação, deslocamento articular e fadiga. Isso pode gerar tanto um impacto emocional como uma limitação funcional”, alerta o ortopedista.

Além da observação pelo próprio médico, as entorses, tendinites e hérnias frequentes, as dores após esforço físico e o histórico familiar também ajudam a fechar o diagnóstico. Na maioria das vezes, a descoberta acontece na primeira infância.

“A hipermobilidade na criança é um grande fator de risco. Às vezes, quando a criança cai, ela hiperestende o cotovelo e fratura. No joelho, dependendo como ela cai, como ela pula ou o trauma que ela leva, ela pode romper os ligamentos. No tornozelo, são aquelas torções toda hora”, exemplifica o dr. Miguel.

Como tratar a síndrome da hipermobilidade articular?

O tratamento da hipermobilidade está focado em prevenir essas lesões. De acordo com o especialista, a estratégia é trabalhar o fortalecimento muscular, já que quanto mais forte o músculo, maior a proteção sobre as articulações. 

Ao mesmo tempo, as atividades físicas não podem promover a hiperextensão das articulações, pois isso pode levar a fraturas musculares, articulares e ósseas. Ginástica olímpica e dança competitiva são alguns dos exercícios que devem ser evitados. Caso seja da vontade do paciente, recomenda-se a supervisão constante de profissionais do esporte.

Já para o manejo da dor, o mais indicado são alongamentos musculares, massagens, práticas de relaxamento e aplicação de gelo ou calor no local. Se as dores persistirem, é preciso procurar um médico.

Algumas condições genéticas também podem provocar a hipermobilidade, como a síndrome de Marfan, a síndrome de Ehlers-Danlos, a síndrome de Stickler, a síndrome de Down e a osteogênese imperfeita. Esses casos tendem a ser mais graves e exigem tratamentos específicos.

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