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Quais são os principais tipos de incontinência urinária?

A incontinência urinária causa escapes de urina e acomete principalmente as mulheres. Conheça as diferenças entre os principais tipos.
Publicado em 31/03/2025
Revisado em 31/03/2025

A incontinência urinária causa escapes de urina e acomete principalmente as mulheres. Conheça as diferenças entre os principais tipos.

A incontinência urinária é a perda involuntária de urina, mais frequente em mulheres e que pode causar impactos negativos na qualidade de vida de quem convive com a condição, que afeta cerca de 10 milhões de pessoas no Brasil

Segundo o dr. José Carlos Truzzi, médico urologista, todo escape de urina é definido como incontinência urinária. “É importante [destacar] isso porque muitas pessoas acabam confundindo incontinência urinária com, por exemplo, aumento do número de micções. Uma pessoa que vai várias vezes ao dia ou à noite ao banheiro, muitas vezes ela reporta isso como incontinência urinária. Isso não é uma incontinência, isso é um aumento da frequência miccional diurna, noturna, ou os dois”, esclarece.

A incontinência urinária é classificada em três tipos principais:

  • Incontinência urinária por esforço: perda urinária que ocorre quando a pessoa faz algum tipo de esforço, como tossir, espirrar e às vezes só ao mudar de posição (está sentada e se levanta, por exemplo);
  • Incontinência urinária de urgência: vontade súbita e urgente de urinar que faz a pessoa correr para o banheiro – quando ela não consegue chegar a tempo, acaba tendo um escape de urina;
  • Incontinência urinária mista: nesse caso, o quadro é misto, ou seja, a pessoa tem incontinência tanto por esforço quanto de urgência. 

O especialista informa que existem ainda outros tipos, menos frequentes. “Existem vários tipos, desde problemas que são congênitos até causas adquiridas – por exemplo, traumas, doenças degenerativas que podem levar à incontinência urinária. Mas essas [esforço, urgência e mista] ]seriam as formas mais comuns.”

Formas de tratamento

De acordo com o dr. Truzzi, o tratamento da incontinência urinária de qualquer tipo começa com medidas comportamentais, como controlar horários e intervalos entre micções, evitar alguns alimentos e bebidas específicas que podem intensificar a perda, entre outros. 

“Existe também fisioterapia, medidas de reabilitação, de fortalecimento da musculatura do assoalho pélvico, treinamentos que são bastante efetivos tanto para a incontinência urinária de esforço como para a incontinência urinária de urgência”, afirma. 

Na incontinência urinária de esforço, se as medidas conservadoras não forem eficazes, é necessário partir para o tratamento cirúrgico. “Existem várias técnicas cirúrgicas, mas basicamente você tem que colocar um suporte, com algum tecido, que dê um suporte na uretra e vá fazer um fortalecimento, aumentar a resistência para a saída da urina e consequentemente controlar a incontinência”, explica o médico. 

Já no caso da incontinência urinária de urgência, quando o tratamento conservador não é suficiente, podem ser usadas medicações para ajudar no controle da micção. Se os medicamentos também não surtirem efeito, existem ainda os procedimentos minimamente invasivos: “Entre eles, a aplicação na bexiga de toxina botulínica e a neuromodulação sacral, que é como se fosse um tipo de marcapasso instalado na inervação da bexiga e que faz com que a pessoa consiga controlar esse quadro de urgência miccional”, detalha o dr. Truzzi. 

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Uso de produtos inadequados 

O especialista diz que muitos pacientes antes ou durante o tratamento utilizam recursos para lidar com a perda urinária que não são recomendados, como papel higiênico, toalhas e mais roupas íntimas (duas cuecas, por exemplo) para conter a urina. “São recursos que são até de grande conhecimento popular, mas que são ruins do ponto de vista prático, do ponto de vista de higiene, de saúde, de riscos de infecção”, alerta. 

A orientação é usar produtos adequados para lidar com os escapes, como absorventes e fraldas próprias para incontinência urinária, que têm poder de absorção adequado e deixam o paciente mais confortável durante o período em que ele ainda não recebeu um tratamento eficaz. 

Impactos na qualidade de vida 

Conviver com as perdas urinárias pode gerar um impacto negativo muito grande na qualidade de vida. “Essas pessoas acabam, muitas vezes, vivendo em função da incontinência. Elas deixam de sair de casa porque se sentem constrangidas de apresentar a perda de urina em um ambiente social, familiar, profissional. Isso impacta negativamente a vida conjugal. Muitas pessoas têm perda de urina e se sentem envergonhadas, até perante o próprio parceiro ou parceira, pelo fato de ter a perda de urina, pelo odor da urina, que causa um desconforto também”, afirma o urologista. 

Por isso, é muito importante buscar uma avaliação médica e o tratamento adequado para cada caso, reduzindo, assim, as repercussões negativas da condição no dia a dia. 

Fatores de risco

A incontinência urinária é multifatorial, podendo ter vários fatores envolvidos a depender do tipo. O urologista diz que o tipo por esforço é mais comum em mulheres, especialmente aquelas que tiveram várias gestações e partos vaginais.  

“Não significa que uma mulher que nunca teve uma gestação ou que teve todos os partos por via cesárea não vá ter incontinência, também pode acontecer. [A incontinência] É multifatorial, existem questões genéticas, existem questões do próprio assoalho pélvico que também interferem, mas esses são alguns fatores de risco”, esclarece.

Nos homens, geralmente a incontinência urinária por esforço pode ocorrer após alguma lesão pélvica ou após a cirurgia de prostatectomia, realizada para o tratamento de câncer de próstata. 

A obesidade é um fator de risco tanto para incontinência por esforço quanto de urgência. Além disso, o médico destaca que doenças neurológicas – como Parkinson, esclerose lateral amiotrófica (ELA), esclerose múltipla, acidente vascular cerebral (AVC), entre outros – aumentam o risco de incontinência urinária, mais comumente de urgência, mas também podem correr quadros mistos. 

Conteúdo produzido em parceria com a Tena Brasil, marca líder mundial em produtos para incontinência urinária.

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