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Tipos de hímen: como eles afetam a experiência sexual?

Publicado em 03/04/2025
Revisado em 03/04/2025

Conheça os diferentes tipos de hímen e como suas variações impactam o ato sexual.

 

O hímen é uma membrana mucosa que circunda ou cobre parcialmente a abertura vaginal. De forma geral, sua função biológica não é considerada essencial na vida adulta, mas durante o desenvolvimento fetal e na infância, atua como uma barreira que ajuda a proteger contra infecções durante os primeiros anos de vida.

“Ele pode ter um orifício central ou excêntrico, ou pode apresentar múltiplos pequenos orifícios, permitindo a passagem do sangue menstrual. Em alguns casos, o hímen é imperfurado, ou seja, a membrana é inteiriça, impedindo a saída do fluxo menstrual”, explica a dra. Helga Marquesini, ginecologista do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

Vale destacar que o formato e a estrutura do hímen variam significativamente, sendo todas as configurações anatômicas consideradas normais. Dessa forma, essas variações não têm relação direta com a saúde sexual, a virgindade ou a capacidade reprodutiva. 

 

Principais tipos de hímen:

  • Hímen anular (concentrado): forma um anel completo ao redor da abertura vaginal. É a configuração mais comum, observada em cerca de 53% das meninas antes da primeira menstruação.
  • Hímen crescentiforme (borda posterior): apresenta forma de meia-lua e cobre apenas a parte posterior da abertura vaginal, sendo observado em aproximadamente 29,2% das meninas.
  • Hímen redundante: há excesso de tecido em toda a abertura vaginal, sendo mais comum em mulheres adultas.
  • Hímen septado: existem uma ou mais bandas de tecido que dividem a abertura vaginal em duas ou mais partes, ocorrendo em cerca de 2% das meninas.
  • Hímen imperfurado: cobre completamente a abertura vaginal, impedindo a saída do fluxo menstrual. Pode necessitar de intervenção cirúrgica.
  • Hímen microperfurado: semelhante ao hímen imperfurado, mas com pequenas aberturas que permitem a saída do fluxo menstrual, podendo causar dificuldades no uso de tampões e exigir correção cirúrgica.
  • Hímen cribiforme: tipo raro com múltiplas pequenas perfurações, podendo dificultar a penetração e, em alguns casos, o fluxo menstrual.
  • Hímen com concavidades: apresenta curvaturas ou depressões na superfície, o que pode afetar a adaptação à atividade sexual ou ao fluxo menstrual.

        Veja também: Exames ginecológicos em mulheres virgens | Comenta #46

 

Como o hímen pode influenciar a experiência da relação sexual?

Anomalias na estrutura do hímen podem afetar a experiência sexual, provocando dor ou dificultando a penetração. Em casos menos comuns, essas condições podem levar a práticas sexuais alternativas, como o coito uretral. 

“A avaliação clínica e, quando necessário, a intervenção cirúrgica podem ser essenciais para resolver essas questões e melhorar a qualidade de vida sexual dos indivíduos afetados”, explica a dra. Ana Paula Beck, ginecologista do Hospital Albert Einstein, também na capital paulista.

Em algumas mulheres, o hímen pode ser mais espesso ou rígido, causando incômodo ou dor, especialmente durante a primeira relação sexual. Isso depende da elasticidade do hímen e da experiência sexual de cada pessoa. O rompimento do hímen pode causar sangramento, mas isso também pode variar a cada caso. 

O hímen anular, que tem uma abertura central, permite a passagem de fluidos menstruais e, normalmente, a penetração vaginal sem dificuldades. No entanto, em alguns casos, pode ocorrer estenose (estreitamento) ou fibrose do hímen, o que pode resultar em dor severa durante a penetração inicial (dispareunia introital).

“Quando o tratamento conservador, como o uso de dilatadores vaginais e terapia hormonal tópica, não é eficaz, a himenectomia (remoção do hímen) pode ser necessária para restaurar a função sexual normal”, complementa dra. Beck.

 

Principais mitos sobre o hímen

Existem vários mitos sobre o hímen que podem distorcer a percepção da sexualidade. Um dos mais comuns é que o hímen pode ser usado como um indicador confiável de virgindade ou atividade sexual prévia. No entanto, o hímen é uma estrutura anatômica com variações significativas, e não há uma correlação direta entre sua aparência e a atividade sexual.

Outro mito é que o hímen sempre se rompe e causa sangramento durante a primeira relação sexual vaginal com penetração. Na realidade, muitas mulheres não apresentam sangramento, e o hímen pode se esticar ou ter aberturas naturais que não resultam em ruptura.

“Há um mito de que o hímen seria um selo. Sobre a virgindade, que cada vez mais não seja algo que se perca, mas sim uma transição para algo que se encontra: a mulher encontrar-se com sua essência no desabrochar do seu ser sexual. Que cada vez mais mulheres possam viver suas experiências sexuais com presença, desejo e consentimento”, finaliza dra. Marquesini.

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