A amamentação passa por diferentes fases, que acompanham o crescimento do bebê e o amadurecimento da sua relação com a mãe. Além do papel nutritivo, o leite também fortalece o senso de maternidade e o vínculo da mulher com o bebê. Cada etapa desse processo é importante, inclusive o desmame.
Fases da amamentação
O leite materno se modifica com o tempo, adaptando-se às necessidades da mãe e do bebê. Por isso, a sua composição é atualizada a cada três horas, variando também de acordo com o momento de vida da criança.
Fase de adaptação
“A fase inicial, do pós-parto até cerca de 10 a 15 dias [de vida do recém-nascido], é uma fase de adaptação. Tanto a mãe quanto o bebê estão se ajustando: aprimorando a pega e regulando a produção de leite da mãe, que ainda não é definitiva”, explica Alessandra Paula, fisioterapeuta especialista em aleitamento humano e idealizadora da Clínica CRIA, exclusivamente dedicada à amamentação.
Nos primeiros cinco dias após o parto, o leite é chamado de colostro. Ele tem a aparência amarelada, é espesso e produzido em pequenas quantidades. O colostro é rico em anticorpos fundamentais para a imunidade e o preparo do intestino do recém-nascido. Ou seja, funciona como a “primeira vacina” do bebê.
Do 5° ao 15° dia após o parto, o colostro começa a se transformar no leite maduro, tornando-se menos espesso e com maior quantidade de gorduras e lactose.
Fase de manutenção
Dos 15 aos 20 dias do bebê, começa a fase de manutenção. As mamadas já são mais organizadas, a produção de leite tende a ser mais estável e a mãe se sente mais confortável para amamentar, além de começar a identificar os horários do bebê e os sinais de saciedade.
A partir desse momento, a amamentação passa a ter um papel importante no desenvolvimento oral e neurológico do bebê. O leite maduro também começa a ter uma composição mais estável.
“Além dos anticorpos, o leite maduro contém: proteínas, gorduras, açúcares e até glóbulos brancos com ação direta contra infecções. Esses elementos atuam no intestino do bebê, mesmo antes de os nutrientes serem absorvidos, ajudando este órgão a funcionar melhor. Também há substâncias que ajudam o sistema imunológico a interagir melhor contra os germes, resultando em um sistema mais equilibrado e eficiente. Se a mãe fica gripada, por exemplo, o bebê vai receber proteção contra aquela doença no mesmo momento”, descreve Ana Bohn, pediatra pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).
Outros itens presentes desde o leite de transição são os probióticos naturais, que alimentam as “bactérias boas” do intestino do bebê, fortalecendo o microbioma intestinal e reduzindo o risco de alergias, asma, diabetes, e outras doenças.

Fase de transição
Por volta do sexto mês, chega a fase de transição, quando há a introdução de novos alimentos e a rotina do bebê muda completamente.
“O bebê, que tinha horários fixos para mamar, passa a receber outros alimentos nesses mesmos períodos, e o volume de leite ingerido tende a diminuir. É fundamental o acompanhamento nessa fase, pois muitas mães não percebem que a introdução alimentar é, na verdade, uma apresentação de alimentos: o bebê está conhecendo novas texturas e sabores, mais do que se alimentando de forma efetiva. Por isso, o aleitamento continua sendo essencial e deve ser mantido’, destaca Alessandra Paula.
Fase complementar
É só após 1 ano de idade, depois que o bebê conheceu e desenvolveu suas preferências, que ele começa a ter uma dieta mais balanceada e equilibrada. Nesse momento, o leite segue como um complemento nutricional importante, além de manter o vínculo emocional entre a mãe e o bebê.
“Durante todo esse tempo até o desmame, o leite se adapta à idade do bebê. O que ele contém é exatamente o que a criança precisa naquele momento. Essa adaptação acontece de forma natural, por meio da troca de informações via saliva do bebê em contato com a aréola da mãe. Por exemplo, se a criança precisa de anticorpos específicos naquele dia, porque teve contato com um vírus, o corpo da mãe detecta essa necessidade e, já na próxima mamada, o leite vem com os anticorpos correspondentes. Ou seja, o leite materno é 100% sob medida”, afirma a especialista em aleitamento.

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Desmame: será que chegou a hora?
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o aleitamento materno exclusivo até o 6º mês de vida do bebê. A partir daí, aliada à introdução alimentar, a amamentação deve ser mantida até os 2 anos de idade, enquanto ainda for desejo da mãe e da criança.
“O leite materno tem benefícios que se estendem à mãe e ao bebê através dos meses ou anos amamentados, não havendo uma recomendação expressa de interromper o processo em determinado momento. Sabemos que os benefícios são muito expressivos nos primeiros seis meses, mas segue tendo importância após este período”, ressalta a dra. Ana.
Portanto, não existe uma data limite para a amamentação. A decisão de parar cabe à mãe e ao bebê, e alguns sinais ajudam a descobrir quando é a hora certa:
- A mãe não quer mais amamentar, seja por cansaço, exaustão ou vontade própria;
- O bebê passa a rejeitar e a pular as mamadas;
- O bebê começa a se distrair facilmente ou perder o interesse nas mamadas;
- O bebê mama por pouco tempo;
- O bebê já se sente satisfeito apenas com a alimentação;
- O bebê aceita carinho, colo ou outro tipo de aconchego para se acalmar, não precisando mais do peito;
- O bebê para de pedir para mamar;
- A mãe e o bebê estão prontos para estabelecer novas formas de conexão fora do peito.
“O desmame pode ser gradual e afetuoso, respeitando os tempos do bebê e da mãe. Não precisa ser tudo ou nada: é possível reduzir as mamadas aos poucos”, complementa a pediatra. O ideal é que o desmame não seja repentino, para evitar rupturas que possam causar traumas, e possa acontecer de forma natural ou planejada.
O lado da mãe
A maior dificuldade no momento do desmame é compreender o estado emocional da mãe – mais do que o da própria criança. Isso porque a amamentação também traz diversos benefícios para a mulher.
Fisiologicamente, a ocitocina liberada durante as mamadas estimula a contração uterina, movimento necessário para que o útero volte ao tamanho normal após o parto. Isso diminui o risco de hemorragia pós-parto. Também reduz o risco de câncer de mama, de ovário e de colo do útero, de diabetes tipo 2 e de várias doenças cardiovasculares.
Já emocionalmente falando, amamentar fortalece o vínculo entre mãe e bebê. A mesma ocitocina, chamada de hormônio do amor, dá uma sensação de relaxamento e segurança para a mãe, que se sente autoconfiante para cuidar do bebê.

“Você chega ao pediatra e escuta que o seu bebê está ganhando peso. É uma sensação inenarrável saber que você foi responsável por isso. Favorece o desenvolvimento do instinto de cuidado, saber que o bebê precisa de você. Isso aumenta a presença materna. E sim, é desafiador, mas com o apoio adequado se torna um momento de crescimento pessoal muito importante”, afirma Alessandra.
Durante o desmame, esse apoio inclui conversar com outras mães, participar de grupos de apoio ou procurar orientação de profissionais da saúde, a fim de garantir que o encerramento da amamentação seja leve, tanto para a mãe quanto para o bebê.
Conteúdo produzido em parceria com a TENA Brasil, marca líder mundial em produtos para incontinência urinária.
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