Bebês podem apresentar alterações no desenvolvimento visual desde o nascimento, pois existem condições que se manifestam ainda durante a formação intrauterina.
Segundo Patrícia Ferraz Mendes, oftalmologista pediátrica do Sabará Hospital Infantil, em São Paulo (SP), na infância, os distúrbios de visão mais comuns são as ametropias (que exigem o uso de óculos, como miopia e astigmatismo), os estrabismos (desvios oculares) e as conjuntivites (que podem ser de diferentes origens, de alérgicas às infecciosas).
“Através da detecção precoce das ametropias, que são as principais causas de cegueira reversível na infância, podemos prevenir o desenvolvimento da ambliopia (ou olho preguiçoso), que é a principal causa de cegueira monocular na primeira infância por falta do desenvolvimento visual de um dos olhos, podendo ou não ser acompanhada de estrabismo”, complementa a médica.
Sinais de que o bebê não enxerga bem e pode precisar de óculos
Geralmente, não é tão fácil diagnosticar a necessidade de óculos em bebês. “Os sinais são evidentes somente em casos mais extremos, uma vez que o mundo dos bebês é ‘mais de perto’ e restrito”, destaca a especialista.
Mesmo assim, é possível observar alguns indícios, como:
- pouco contato visual;
- atraso do sorriso social (após os três meses de vida);
- atraso dos marcos do desenvolvimento neuropsicomotor;
- desinteresse em determinados estímulos e objetos;
- desvios oculares esporádicos.
Além disso, existem sinais de alerta que podem indicar problemas mais graves e precisam ser avaliados o mais breve possível, como ausência de contato visual, lacrimejamento excessivo, estrabismos súbitos ou pupila branca ao flash de fotos.
Veja também: Como saber se algo não vai bem com os olhos do bebê
Teste do olhinho: o que é e como funciona
O teste do olhinho — ou teste do reflexo vermelho (TRV) — é um exame de triagem simples, rápido e indolor que avalia se não há nenhum impedimento para a luz chegar à retina, o que permite o desenvolvimento saudável da visão.
“O pediatra usa um oftalmoscópio direto, que é um equipamento especial, a 50 cm de distância do bebê e projeta um feixe de luz sobre a pupila. Através do teste, o pediatra é capaz de detectar doenças como opacidades corneanas (infecções congênitas ou glaucoma congênito), alterações de cristalino como cataratas, alterações do vítreo e da retina em casos como doenças congênitas ou tumores como o retinoblastoma [câncer ocular]”, detalha a médica.
O teste está disponível no SUS e deve ser realizado ainda na maternidade, antes da alta do recém-nascido. Se por algum motivo isso não for possível, a recomendação é que ele seja feito na primeira consulta com o pediatra. Posteriormente, o teste deve ser repetido em consultas de acompanhamento, com periodicidade definida pelo médico.
Em caso de qualquer alteração no exame, a criança deve ser encaminhada para avaliação com oftalmologista.
Quando consultar um oftalmologista
Conforme as diretrizes da Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica (SBOP), crianças sem intercorrências de desenvolvimento neonatal e que frequentem o pediatra regularmente devem ser avaliadas até o primeiro ano de vida pelo oftalmologista.
“Após a primeira consulta, entre 6 a 12 meses de vida, não havendo alterações ou necessidades específicas de acompanhamento, a segunda consulta ocorre aos 3 anos e, nos anos subsequentes, a consulta passa a ser anual”, conclui Patrícia.




