Ortopedia

Cirurgia menos invasiva de hérnia permite alta no mesmo dia



Cirurgia de hérnia de disco menos invasiva realizada pelo SUS resolve o problema e o paciente recebe alta no mesmo dia.

 

Todo ano, cerca de 300 mil pessoas são operadas no Brasil para tratar hérnia de disco. O problema ocorre quando os discos – estruturas em forma de anéis – que ficam entre as vértebras da coluna se desgastam, saem da posição normal e comprimem as raízes nervosas que emergem da região. O resultado é um dor que pode ser incapacitante, perdura por meses e tem potencial para se tornar crônica.

O tratamento convencional funciona à base de fisioterapia, medicamentos e até acupuntura. Em 10% dos casos essas medidas não são suficientes, e então os ortopedistas recomendam a cirurgia.

Desde 2013, o SUS está oferecendo uma técnica menos invasiva para corrigir o problema. Segundo o médico Alexandre Fogaça, do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas de São Paulo, pela cirurgia endoscópica é possível remover a hérnia que está comprimindo o nervo com um corte de apenas 8 mm. “Por esse método, após anestesia local e sedação é feita uma pequena incisão. Por ela é inserida uma cânula pela qual passará um dispositivo com uma pequena câmera acoplada. Dessa maneira, você consegue retirar a hérnia e o paciente recebe alta no mesmo dia. Em 15, 20 dias ele pode retornar às suas atividades normalmente.”

Já com a cirurgia tradicional, o paciente precisa de anestesia geral e o tempo de recuperação pode levar dois meses. “Por esse procedimento o médico abre o músculo, faz uma janela no osso, afasta o nervo e tira a hérnia. O paciente perde um pouco mais de sangue, tem que ficar alguns dias internado e os danos teciduais são maiores”, complementa o especialista.

 

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Alguns planos de saúde também já oferecem o procedimento, que dura cerca de 40 minutos para ser finalizado. Ainda de acordo com o médico, a operação custa em torno de R$ 15 a R$25 mil. Apesar de a técnica englobar quase todos os tipos de hérnias de disco, cabe ao médico avaliar, individualmente, se o procedimento é indicado para o paciente.

O vendedor de carros Rodrigo Kobayashi, 41 anos, fez cirurgia endoscópica pelo SUS no início de 2013. Ele relata que as dores eram insuportáveis e que nem a morfina conseguia aliviar as crises. “Fiz mais de dois meses de fisioterapia, além de atividade física. Minha irmã é acupunturista, então eu fazia duas, três sessões semanais, mas nada adiantava. Eu ia carregado para o hospital. A dor da hérnia de disco é terrível. A equipe do Hospital das Clínicas analisou meu caso e disse que eu teria que operar urgente”.

Kobayashi relata que a cirurgia foi extremamente rápida e que saiu andando do hospital. “Fizeram um corte minúsculo, não senti nada. O problema é que eu tenho outra hérnia e ela está começando a dar sinais. Mas, por enquanto, a dor não é nada em relação ao que eu sentia”.

Muitos pacientes relatam que alguns meses após a cirurgia, a dor volta. O problema é que cirurgia não impede o processo de degeneração discal que acomete grande parte da população e acaba ocasionando as hérnias. “Ela resolve para aquele pedaço de disco que está danificando o nervo. Por isso é importante continuar com a fisioterapia e a atividade física para que esse processo degenerativo não progrida”, finaliza Alexandre Fogaça.

Sobre o autor: Juliana Conte

Juliana Conte é jornalista, repórter do Portal Drauzio Varella desde 2012. Interessa-se por questões relacionadas a manejo de dores, atividade física e alimentação saudável.