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Oncologia

Sarcomas mamários têm diagnóstico complexo; conheça os sinais de alerta

Diferentemente dos carcinomas, os sarcomas mamários são tumores raros que exigem exames complementares além da mamografia convencional

Sarcomas mamários são tumores que representam menos de 1% de todos os cânceres de mama. Muitas vezes de surgimento repentino, eles exigem atenção principalmente em relação ao diagnóstico, já que, diferentemente dos carcinomas, precisam de exames complementares além da mamografia convencional para serem detectados. 

“Os sarcomas são tumores raros que surgem no tecido de sustentação da mama (responsáveis pela nutrição das células, sensibilidade e formato do órgão) — como músculos, gordura, vasos sanguíneos ou tecidos conjuntivos”, explica Cristovam Scapulatempo Neto, doutor em patologia tumoral. 

 

Características dos sarcomas mamários

Diferentemente do câncer de mama mais comum, que nasce nos ductos ou lóbulos (unidades que têm por função produzir o leite e transportá-lo até o mamilo), o sarcoma nasce na “estrutura” da mama. Segundo o especialista, estas são as principais diferenças observadas em relação aos tumores:

  • Local de origem diferente: o câncer mais comum atinge a glândula mamária, enquanto o sarcoma ocorre no “tecido de suporte”; 
  • Raridade: representam menos de 1% dos tumores de mama;
  • Comportamento distinto: costumam crescer rápido e formar massas sólidas;
  • Metástase: enquanto os carcinomas se espalham pelo corpo preferencialmente através dos linfonodos, os sarcomas se disseminam através dos vasos sanguíneos, sendo metástases no pulmão e fígado mais frequentes que nos carcinomas.

Por conta dessas especificidades, além da mamografia, o principal e mais importante exame para a detecção do câncer de mama, o diagnóstico dos sarcomas mamários é feito com avaliações complementares. 

Veja também: Câncer de mama pode acometer mais a mama esquerda?

 

Diagnóstico exige exames complementares

De acordo com o dr. Cristovam, a mamografia pode visualizar a massa, mas não aponta com segurança que é um sarcoma. “A mamografia é ótima para detectar tumores dos ductos e lóbulos, mas o sarcoma forma massas sólidas e grandes, difíceis de diferenciar de outros tumores benignos”, destaca. Além disso, ele pode ser confundido com cistos ou fibroadenomas grandes e nem sempre apresenta microcalcificações, sinal comum do câncer. 

Além da mamografia, que é indicada de forma preventiva para mulheres a partir dos 40 anos, o diagnóstico do sarcoma envolve exame clínico, ultrassom, ressonância magnética e biópsia — que realmente é capaz de confirmar a doença. 

Para saber quando buscar ajuda, é preciso observar alguns sinais como:

  • Caroço firme que cresce rápido; 
  • Dor (pode ou não aparecer); 
  • Aumento repentino do volume da mama;
  • Vermelhidão ou sensação de pressão;
  • Alterações na pele por causa do tamanho da massa.

Como o crescimento acelerado é o principal alerta, a recomendação é ir imediatamente ao médico se notar qualquer nódulo que cresce em semanas ou meses. É importante, segundo o especialista, não esperar para “ver se melhora sozinho”. Caso seja considerado benigno, uma segunda opinião é sempre bem-vinda, assim como o acompanhamento regular.

Já para os médicos, as orientações são as seguintes:

  • Desconfiar de massas que crescem rápido, especialmente em mulheres jovens;
  • Não assumir que “todo caroço é benigno” se estiver aumentando rapidamente;
  • Solicitar ultrassom e ressonância em casos duvidosos;
  • Encaminhar cedo para um mastologista. 

Esses cuidados são fundamentais, principalmente considerando a rápida evolução da doença.

 

Gravidade do tumor assusta

Fernanda Bertin Quinta sentiu na pele a imprevisibilidade de um sarcoma mamário. Sua mãe, Regina Dalva Bertin, faleceu aos 75 anos pouco tempo após o diagnóstico. Mesmo realizando mamografias anuais, a família foi pega de surpresa. “Os sintomas surgiram antes de qualquer achado claro nos exames habituais”, conta.

Fernanda comenta que a mãe começou a sentir dores muito intensas na lombar e na lateral esquerda do tronco, que não melhoravam e se agravavam com o tempo. Apenas mais tarde, já durante a investigação médica, ela passou a relatar dor forte na lateral da mama esquerda, quando o tumor mamário já apresentava crescimento acelerado.

Histórias como a de Regina reforçam a importância de observar o corpo, ouvir os sinais e buscar avaliação médica rapidamente.  

Veja também: Como se prevenir contra o câncer de mama e de colo do útero?

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