Neuralgia pós-herpética provoca dor intensa e compromete a qualidade de vida

A neuralgia pós-herpética é uma complicação causada pelo mesmo vírus da catapora e do cobreiro. Conheça a condição.


Equipe do Portal Drauzio Varella postou em Neurologia

A condição causa um tipo de dor ardente nos nervos e na pele e é uma complicação do vírus varicela-zóster.

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Publicado em: 14/03/2023

Revisado em: 14/03/2023

A condição causa um tipo de dor ardente nos nervos e na pele e é uma complicação do vírus varicela-zóster.

 

Apesar de ainda ser pouco conhecida pela população, a neuralgia pós-herpética é a complicação mais comum do vírus varicela-zóster e provoca bastante dor. Esse vírus também causa a varicela, chamada popularmente de catapora, e o herpes-zóster (infecção conhecida como “cobreiro”). 

“A neuralgia é a dor resultante da inflamação de uma raiz nervosa. Quando essa dor é causada pela reativação do vírus varicela-zóster e se prolonga para além do tempo necessário, mesmo após a erupção da pele sumir, surge a neuralgia pós-herpética”, esclarece a dra. Adriana Coracini, infectologista do Departamento de Moléstias Infecciosas e Parasitárias da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). 

Estima-se que o herpes-zóster ocorra em cerca de 20% da população mundial. Destes, cerca de 70% têm idade acima de 50 anos e a neuralgia pós-herpética ocorre em cerca de 10% a 20% dos pacientes acometidos pelo vírus.

 

Por que acontece?

Após a infecção inicial pelo vírus, geralmente na infância, ele permanece latente durante anos ou décadas no tecido nervoso, mas pode ser reativado. 

Com isso, surge um quadro de infecção pelo herpes-zóster, lesões de pele e inflamação no tecido nervoso. A condição causa um tipo de dor ardente nos nervos e na pele e dura muito tempo depois do desaparecimento da erupção cutânea. 

“Isso ocorre porque o nervo que deveria estar levando informações da sensibilidade normal da pele ao cérebro (tato, sensação térmica, etc.) está danificado pela multiplicação do vírus. Por isso, funciona como um fio desencapado na pele, em que o simples toque é interpretado erroneamente como dor”, complementa a dra. Coracini. 

O aumento da idade é um fator de risco para o herpes-zóster, que acomete principalmente pessoas com mais de 55 anos. Conforme a idade avança, há uma queda na resposta imunológica, o que favorece o surgimento do quadro. 

Veja também: Herpes-zóster pode ser prevenido com vacina a partir dos 50

 

Principais sintomas

A infecção pelo vírus herpes-zóster atinge a pele e as fibras nervosas, já que ele tem uma predileção por esse tipo de tecido. 

“É comum na fase aguda da infecção o paciente apresentar lesões na pele, que são observadas em faixa numa região da pele que se origina da mesma raiz nervosa (dermátomo). Portanto, as lesões correspondem ao ‘trajeto’ do nervo, e geralmente ocorrem em apenas um lado do corpo”, afirma a dra. Christiane Pellegrino, anestesiologista do Hospital Sírio-Libanês. 

Entre os sintomas estão: 

  • Dor neuropática crônica, ou seja, dura mais de três meses, mesmo após a cicatrização da erupção cutânea. Esse incômodo pode ser agudo, com a sensação de algo ardente, profundo e extremamente doloroso; 
  • Sensação de choque, queimação ou pontadas; 
  • Formigamento;
  • Sensibilidade extrema ao toque; 
  • Perda de sensibilidade;
  • Coceiras; 
  • Comprometimento da qualidade de vida devido à dor intensa. 

 

Diagnóstico e tratamento

Na maioria das vezes, o diagnóstico é realizado no consultório médico com análise dos sintomas e exame físico das lesões.

A parte mais importante do tratamento consiste no uso precoce de antiviral para minimizar a replicação do vírus. Dessa forma, os danos causados ao nervo, onde ele está se multiplicando, são reduzidos. Além disso, diminui o risco de dor crônica, principalmente se for administrado precocemente.  

“O tratamento da dor pós-herpética inclui medicamentos tópicos e de via oral. E em casos de dor de difícil controle, podem ser realizados outros procedimentos, como bloqueios de nervos e aplicação de toxina botulínica na área acometida”, afirma a dra. Pellegrino.

Dentre os medicamentos, muitas vezes, são utilizados analgésicos não convencionais, como anticonvulsivantes e antidepressivos, para diminuir a dor neuropática.

O uso de cremes com analgésicos tópicos, bem como compressas geladas também promovem alívio do desconforto. 

De forma geral, o tratamento é realizado pelo dermatologista, infectologista ou clínico geral. Em casos de dor persistente e/ou de difícil controle, geralmente há a necessidade de intervenções de neurologistas e médicos especialistas em dor. 

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Complicações e sequelas da neuralgia pós-herpética 

Por conta da dor crônica e intensa, é comum que quem tenha a neuralgia pós-herpética desenvolva depressão, dificuldade para dormir, cansaço e até perda de apetite. 

Na maioria das vezes, a qualidade de vida fica bastante comprometida, afetando a rotina e os relacionamentos. Algumas vezes, a condição se torna incapacitante. 

Vale destacar que, na maioria das pessoas, a dor desaparece em até três meses. No entanto, há casos de que a dor permanece por até dois anos.

 

Forma de prevenir

A melhor forma de prevenir é por meio da vacinação. A vacina contra a varicela, aplicada ainda na infância, reduz o risco de desenvolvimento de catapora e do herpes-zóster. 

A recomendação é vacinar pessoas acima de 50 anos, ou adultos a partir dos 18 anos, que apresentem alguma condição com risco aumentado para desenvolvimento de herpes-zóster, como doenças que cursem com enfraquecimento do sistema imunológico.

“Já a vacina recombinante contra o herpes-zóster é indicada para aqueles que já tiveram a catapora e apresenta eficácia de 97% para a prevenção. Ela reduz também o risco de desenvolver a neuralgia pós-herpética”, finaliza a dra. Coracini.

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Sobre a autora: Samantha Cerquetani é jornalista com foco em saúde e ciência e colabora com o Portal Drauzio Varella. Escreve sobre medicina, nutrição e bem-estar.

 

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