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Histerectomia: como funciona a cirurgia de remoção do útero?

Publicado em 26/02/2025
Revisado em 25/02/2025

Conheças as principais indicações para a histerectomia, as técnicas cirúrgicas utilizadas e os cuidados necessários no pré e no pós-operatório. 

 

A histerectomia é um procedimento cirúrgico que consiste na retirada do útero, podendo ser indicada para o tratamento de algumas doenças que atingem esse órgão. A cirurgia é a opção mais recomendada quando outras alternativas – como tratamentos medicamentosos, por exemplo – não foram eficientes.

Segundo o dr. Alexandre Rossi, ginecologista e obstetra, responsável pelo Ambulatório de Ginecologia Geral do Hospital e Maternidade Leonor Mendes de Barros e médico colaborador de Ginecologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), existem diferentes tipos de histerectomia e a técnica utilizada dependerá do caso específico da paciente, de sua condição médica e da decisão do cirurgião. 

“Existe a histerectomia abdominal, na qual é feita uma incisão no abdômen para remover o útero; a histerectomia vaginal, em que o útero é removido através da vagina, sem necessidade de incisão abdominal; e a histerectomia laparoscópica, com pequenas incisões no abdômen, por onde são inseridos instrumentos cirúrgicos e uma câmera, e o útero é removido por essas incisões. Há, ainda, a histerectomia robótica, semelhante à laparoscópica, mas que o cirurgião utiliza um robô para auxiliar na cirurgia”, explica. 

Além disso, a histerectomia pode ser total, parcial ou radical. “Na histerectomia total, é removido não apenas o corpo do útero, mas também o colo uterino. Na parcial, ou subtotal, é removido apenas o corpo do útero, sendo preservado o colo do útero. Já na histerectomia radical, são removidos o útero, o colo do útero, a parte superior da vagina e os tecidos ao redor desses órgãos, chamados paramétrios. Esta cirurgia, em geral, é indicada em casos de câncer ginecológico em estágio avançado”, esclarece o médico.

 

Quando a histerectomia é indicada?

As principais indicações para a histerectomia incluem: 

  • Miomas uterinos: tumores benignos que podem causar sangramento excessivo, dor pélvica e pressão na bexiga ou intestino;
  • Endometriose: crescimento de tecido endometrial fora do útero, causando dor pélvica crônica e infertilidade;
  • Câncer: câncer do útero, colo do útero ou ovários, que podem exigir a remoção do útero como parte do tratamento;
  • Sangramento uterino anormal: sangramento excessivo ou irregular que não responde a outros tratamentos;
  • Prolapso uterino: descida do útero para a vagina, causando desconforto e problemas urinários;
  • Doença inflamatória pélvica (DIP): infecção que pode provocar danos às tubas uterinas e ao útero, levando à dor crônica e infertilidade.

        Veja também: Quais são os tipos de anestesia e sedação mais utilizados?

 

Como a histerectomia é realizada

“As cirurgias laparoscópica ou robótica são realizadas necessariamente com anestesia geral, o que significa que a paciente estará dormindo durante todo o procedimento e não sentirá dor. Nas demais, abdominal e vaginal, em geral são realizadas com bloqueio, que são a raquianestesia ou anestesia peridural”, afirma o dr. Alexandre. 

A duração da histerectomia pode variar dependendo do tipo de cirurgia, da técnica utilizada e de outros fatores. A vaginal e a abdominal são normalmente mais rápidas, levando cerca de uma hora. Já a laparoscópica e a robótica são um pouco mais demoradas e duram de duas a três horas, aproximadamente. 

É importante destacar que a histerectomia é uma cirurgia importante, que deve ser considerada somente após a avaliação de um médico especialista. “A decisão de realizar a cirurgia e a escolha da via de acesso devem ser tomadas em conjunto entre médico e paciente, levando em consideração riscos e benefícios”, alerta. 

 

Cuidados e exames necessários no pré-operatório 

Antes da cirurgia, o ideal é que a paciente esteja em boas condições de saúde para que o procedimento transcorra da melhor forma. “Para isso, serão solicitados exames de sangue e imagem, que avaliarão a coagulação, função renal, as condições do útero, ovários e estruturas adjacentes, coração e outros exames adicionais, dependendo da idade da paciente e de outras condições médicas. No dia da cirurgia, será solicitado jejum de oito horas, incluindo água”, explica o ginecologista.

Também é recomendado evitar fumar e consumir álcool antes do procedimento, pois o cigarro prejudica a cicatrização e aumenta o risco de complicações respiratórias durante e após a cirurgia, enquanto o álcool pode interferir na anestesia e aumentar o risco de sangramento. 

        Veja também: Por que devemos seguir o jejum pré-operatório?

 

Recuperação e cuidados pós-operatórios

O período de recuperação depois da remoção do útero é importante para que o corpo se recupere de forma adequada e a paciente possa retomar suas atividades cotidianas com segurança. Os cuidados necessários nessa fase também vão variar de acordo com a técnica escolhida na cirurgia e o estado de saúde da pessoa.

O especialista diz que a histerectomia vaginal tem grande vantagem em relação às outras técnicas por ser realizada por meio de um orifício natural do corpo, que é o canal vaginal – ou seja, sem a necessidade de incisões. “Por esse motivo, além de não deixar cicatrizes aparentes, tem um processo menos doloroso que os demais, com pós-operatório mais tranquilo, recuperação e restabelecimento às atividades diárias, em geral, mais rápidos.”

Mas, seja qual for a situação, algumas orientações gerais são importantes, como: 

  • Levantar-se e caminhar levemente o mais cedo possível, pois isso ajuda a prevenir complicações e acelera a recuperação; 
  • Retomar a dieta de forma gradual, começando com líquidos e alimentos leves; 
  • Evitar esforços físicos intensos, como carregar peso, praticar esportes ou fazer atividades domésticas pesadas; 
  • Beber bastante água para manter o corpo hidratado e auxiliar na cicatrização; 
  • Seguir as orientações médicas para limpar e cuidar da incisão, quando houver, observando sinais de infecção, como vermelhidão, inchaço, dor intensa ou secreção; 
  • Tomar os medicamentos prescritos pelo médico, como analgésicos e antibióticos; 
  • Evitar relações sexuais por algumas semanas após a cirurgia, para permitir a cicatrização completa; 
  • Estar atenta a sinais como febre, dor intensa, sangramento excessivo, inchaço nas pernas, dificuldade para respirar ou dor no peito. Em qualquer desses sinais, é importante procurar atendimento médico imediatamente.

 

O que acontece no corpo após a histerectomia

A histerectomia leva à interrupção definitiva da menstruação e impede que a mulher engravide. Caso os ovários também sejam removidos, haverá diminuição na produção de hormônios femininos, podendo causar os sintomas da menopausa, como ganho de peso, alterações na distribuição da gordura, ondas de calor, secura vaginal e alterações de humor.

“Com todas essas questões envolvidas, o procedimento pode causar um impacto emocional significativo para algumas mulheres, diminuição do desejo sexual, dificuldade de lubrificação vaginal ou dor durante as relações sexuais. A maioria das histerectomias, no entanto, é realizada sem complicações e os riscos são geralmente baixos”, diz o médico. 

Ele conta que a idade das pacientes que precisam se submeter à histerectomia varia bastante, o que é um reflexo da diversidade de condições médicas que podem indicar a necessidade do procedimento. Porém, a faixa etária mais frequente fica entre 40 e 50 anos, geralmente por problemas como miomas, endometriose ou prolapso uterino. 

“Acima de 60 anos, [a histerectomia] costuma ser indicada para tratar condições como prolapso uterino, câncer de útero ou outras doenças ginecológicas. Embora menos comum, nas mulheres mais jovens, com menos de 40 anos, a histerectomia pode ser necessária em casos de câncer, sangramento uterino anormal não responsivo a outros tratamentos ou dor pélvica crônica debilitante”, esclarece o dr. Alexandre. 

Vale destacar que, apesar da impossibilidade de uma gestação, a paciente ainda pode gerar um filho, caso deseje, através de barriga solidária, por exemplo. Quando não há remoção dos ovários, a mulher pode continuar produzindo óvulos, assim, há a possibilidade de realizar fertilização in vitro (FIV) em outro ventre. O especialista explica que o procedimento vai depender da idade da paciente e da qualidade dos óvulos. 

Além disso, também é possível preservar os óvulos antes da histerectomia. “Esse procedimento é indicado especialmente nos casos em que os ovários também precisarão ser removidos ou quando houver a necessidade de tratamentos de saúde que podem afetar a fertilidade, como quimioterapia ou radioterapia”, finaliza. 

        Veja também: Como a menopausa impacta a saúde mental?

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