Plano de Parto: o que é e como montar?

Veja o passo a passo para montar o documento que conduzirá a equipe na hora do parto.

Beatriz Zolin

Beatriz Zolin é estudante de Jornalismo e estagiária no Portal Drauzio Varella. Tem interesse por assuntos relacionados à saúde e sociedade, sexualidade e psicologia.

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Publicado em: 5 de agosto de 2022

Revisado em: 9 de agosto de 2022

Veja o passo a passo para montar o documento que conduzirá a equipe na hora do parto.

 

Se você é gestante ou pretende engravidar, provavelmente já ouviu falar do Plano de Parto. Esse documento reúne todos os desejos da mulher para o nascimento do bebê, desde a entrada até a alta no serviço de parto. Isso inclui, por exemplo, a escolha do(a) acompanhante, das posições e das medidas em situação de emergência. 

É como se fosse um guia com validade legal para a equipe que irá realizar o parto, reconhecida pelo próprio Ministério da Saúde. Todos os profissionais envolvidos, seja da rede pública ou suplementar, são obrigados a receber, ler e seguir as orientações descritas.

“É um instrumento de direito, que tem a ver com autonomia. É bem importante para a mulher, mas, para que ela o faça de forma efetiva, precisa ter muitas informações”, explica Ioná Araújo, gerente de Enfermagem da Casa Ângela.

Ainda que a gestante tenha o apoio de diversos profissionais para montar o Plano de Parto, é comum que ela se sinta um pouco perdida. Por isso, aqui vai um tutorial de como criar o Plano de Parto mais adequado para você e o seu bebê:

 

Quem deve ser envolvido na criação do documento?

Além dos profissionais de saúde que acompanham a gestação, o(a) acompanhante que estará presente durante o parto também deve participar da criação do Plano de Parto. Isso porque, enquanto a mulher estiver concentrada em parir, essa pessoa será a porta-voz responsável por garantir na prática os direitos expressos no papel.

 

O que devo ter em mente antes de criar o Plano de Parto?

Antes de começar a escrever, é importante conversar com médicos e enfermeiros e reunir o máximo de informações possível sobre a hora do parto. Isso será importante para tomar as decisões que precisam constar no documento. 

Além disso, conversar com a equipe que irá fazer o atendimento no dia e conhecer o local (hospital, casa de parto, maternidade etc) também podem ajudar.

Veja também: Qual o tipo de parto mais adequado para você e seu bebê?

 

Por onde começar?

A primeira coisa que você precisa saber é: não existe um modelo a ser seguido. Você pode montar o seu Plano de Parto em forma de tópicos ou em texto corrido. Também não faz diferença se ele for escrito a mão ou pelo computador. 

Na internet e em alguns serviços de parto, é possível encontrar moldes prontos, em que a gestante apenas seleciona as suas preferências.

Caso opte por criar o seu, uma dica é separar o momento do parto em etapas e, em cada uma delas, anotar as suas expectativas. Por exemplo:

 

Durante o trabalho de parto

  • “Quero usar as minhas próprias roupas e não a do hospital”;
  • “Quero música/silêncio no ambiente”;
  • “Exijo que o(a) meu(a) acompanhante esteja ao meu lado”;
  • “Quero receber massagem”;
  • “Exijo poder me movimentar livremente”;
  • “Quero usar uma bola de pilates”;
  • “Não autorizo o uso de ocitocina para indução do trabalho de parto”;
  • “Quero acesso a banheira ou chuveiro”.

 

Na hora do parto

  • “Quero um ambiente com luzes baixas”;
  • “Não quero ar condicionado ligado”;
  • “Exijo ficar no mesmo lugar em que foi feito o trabalho de parto”;
  • “Quero/não quero receber analgesia para aliviar a dor”;
  • “Exijo que o parto seja feito na água”;
  • “Quero escolher a posição mais confortável para mim”;
  • “Não autorizo que meus pêlos pubianos sejam raspados”;
  • “Não autorizo a episiotomia (corte na vagina)”;
  • “Não autorizo manobras para forçar a saída do bebê de forma desnecessária”;
  • “Exijo que, se a equipe considerar necessária a cesariana, me forneçam justificativa com base científica”.

 

Logo após o parto

  • “Exijo que o bebê seja imediatamente trazido para o contato pele a pele comigo”;
  • “Quero que o(a) acompanhante corte o cordão do bebê”;
  • “Quero/não quero ver minha placenta”;
  • “Prefiro que a placenta seja expelida de forma espontânea”;
  • “Quero que o bebê possa mamar na primeira hora de vida”;
  • “Exijo ser informada sobre todos os procedimentos que serão feitos com o bebê”;
  • “Não autorizo que deem banho no bebê nas primeiras horas de vida”.

 

Até a alta

  • “Não autorizo a oferta de fórmula láctea ou chupetas e bicos para o bebê”;
  • “Exijo realizar a amamentação de livre demanda para o bebê”;
  • “Não autorizo a oferta de nitrato de prata para o bebê, apenas se necessário”;
  • “Quero que o bebê permaneça em alojamento conjunto”;
  • “Quero que seja eu ou meu(inha) acompanhante a dar o primeiro banho no bebê”.

 

Como garantir que meu Plano de Parto será respeitado?

Mesmo que todos os hospitais sejam obrigados a seguir o documento, muitos deles o recebem com certo estranhamento e acabam anexando-o ao prontuário sem dar muita importância. Por isso, o recomendado é levar para a equipe de plantão (pode ser alguns dias antes, se você já conhecer o local) e pedir para o(a) médico(a) ou enfermeiro(a) obstetra responsável assinar uma cópia. 

Veja também: Serviços disponíveis no SUS para uma boa experiência de parto

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