Amarelão: o que é, como evitar e qual o tratamento?

Doença é causada por dois pequenos parasitas que podem estar presentes no solo, em alimentos mal lavados e em água contaminada.


Equipe do Portal Drauzio Varella postou em Infectologia

parasitas da ancilostomose, conhecida como amarelão

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Publicado em: 17/07/2023

Revisado em: 03/08/2023

A ancilostomose, doença popularmente conhecida como amarelão, é causada por dois pequenos parasitas que podem estar presentes no solo, em alimentos mal lavados e em água contaminada.

 

Em seu livro “Urupês”, o escritor brasileiro Monteiro Lobato contou a história de Jeca Tatu, um personagem criticado pelos vizinhos porque vivia cansado, fraco e sem ânimo para fazer nada. Certo dia, no entanto, um médico da região passou na frente da casa do Jeca e descobriu que a moleza do coitado, na verdade, era causada pelo amarelão.

Nome popular da ancilostomose, o amarelão é uma infecção intestinal causada por dois pequenos parasitas chamados Ancylostoma duodenale e Necator americanus, que medem cerca de 10 mm, segundo o Museu de Zoologia da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos.

Esses vermes, que podem estar presentes no solo, em alimentos mal lavados e em água contaminada, infectam as pessoas ao perfurarem a pele, caem na corrente sanguínea, fixam-se nas paredes do intestino e se alimentam do sangue, como os vampiros das séries de ficção. Uma das consequências é a anemia, condição que deixa o indivíduo pálido e meio amarelado por causa da queda na concentração de hemoglobina (proteína que transporta o oxigênio). É daí que vem o nome popular.

De acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês), cerca de 650 milhões de pessoas em todo o mundo estão infectadas com a ancilostomíase. 

Marcelo Otsuka, pediatra e infectologista da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP) e da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), explica que os dois parasitas podem infectar as pessoas por meio da pele, mucosa e até da conjuntiva (membrana transparente que recobre o olho).

“Após a infecção, eles caem na corrente sanguínea e, depois de alguns dias e algumas transformações (de jovens para adultos), acabam parando na parede do intestino, onde os adultos se fixam e se alimentam do sangue. Esse processo todo também pode ser simplificado se você simplesmente ingerir os ovos deles”, diz. 

 

Sintomas da ancilostomose (amarelão)

Além de anemia, os primeiros sintomas do amarelão costumam ser coceira e erupção cutânea (lesão que geralmente fica avermelhada ou com um inchaço) no local de entrada do parasita, de acordo com o CDC. 

A presença desses vermes no organismo também pode provocar dor abdominal, náuseas, vômitos, cansaço, diarreia e, eventualmente, sangramento perceptível ou não perceptível nas fezes. Perda de apetite também é um sintoma comum. 

Não há diferenças significativas nos sintomas da ancilostomose entre crianças e adultos. No entanto, os pequenos geralmente apresentam sintomas mais intensos que se manifestam mais rapidamente, porque eles têm uma capacidade menor de suportar anemias graves.

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Diagnóstico e tratamento do amarelão

O diagnóstico do amarelão ocorre principalmente pela detecção dos parasitas nas fezes por meio de um exame chamado parasitológico de fezes. Já o tratamento da doença é feito com medicamentos antiparasitários, e deve ser orientado por médicos. 

“A duração do tratamento e o tempo necessário para que os parasitas desapareçam do corpo dependem da quantidade de vermes presentes no indivíduo. Geralmente, com um tratamento adequado, os sintomas podem ser revertidos relativamente rápido”, explica o dr. Otsuka.

Em alguns casos, segundo o especialista, os parasitas passam pela circulação sanguínea e também pelo pulmão, podendo causar irritação pulmonar, resultando em manifestações como bronquite e infecções pulmonares em algumas pessoas. Embora isso não seja muito frequente, pode eventualmente acontecer, o que também demanda atendimento médico.

 

Prevenção

Jeca Tatu foi contaminado pelos vermes porque vivia andando descalço em locais sujos. Os ovos eliminados nas fezes de pessoas parasitadas podem contaminar os ambientes, como solos e rios, bem como alimentos, se não forem lavados corretamente. Andar calçado, portanto, é um dos principais meios de prevenção.

“Além disso, é fundamental garantir um bom saneamento básico e o tratamento adequado de água e esgoto. A higiene adequada na manipulação e no tratamento dos alimentos também é essencial, especialmente ao lidar com alimentos crus, que devem ser lavados adequadamente com água corrente e desinfetados com hipoclorito, a fim de garantir uma alimentação saudável e prevenir a infestação por parasitas”, conclui o dr. Otsuka.

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Sobre o autor: Lucas Gabriel Marins é jornalista e futuro biólogo. Tem interesse em assuntos relacionados à ciência, saúde e economia.

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