Drauzio Varella

Estresse e ansiedade podem afetar o estômago, mas não causam gastrite

Sintomas gástricos podem ser fruto de emoções, mas nem sempre isso significa a presença de uma doença gastrointestinal.

Sintomas gástricos podem ser fruto de emoções, mas nem sempre isso significa a presença de uma doença gastrointestinal.

 

Ansiedade e estresse em níveis elevados não são prejudiciais somente à saúde da mente, mas também podem afetar o nosso organismo de diversas formas, incluindo o aparelho digestivo. No entanto, é preciso destacar que nem todo sintoma gástrico é sinal de gastrite.

A gastrite é uma inflamação no revestimento do estômago que pode ter diversas causas, como infecção pela bactéria H.pylori, uso prolongado de determinados medicamentos, consumo de álcool e tabagismo. Apenas estresse e ansiedade não provocam gastrite, mas podem estimular a produção de ácido no estômago, o que é prejudicial à doença.

Mas de modo geral, se não há inflamação, não se trata de gastrite. O diagnóstico de gastrite nervosa, ao contrário do que muitas pessoas pensam, não existe.

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Algumas pessoas podem desenvolver sintomas semelhantes aos da gastrite por conta de quadros de ansiedade sem que haja nenhum sinal de inflamação ou alterações no estômago. Essa condição é chamada de dispepsia funcional e os sintomas podem incluir azia, má digestão e desconforto na região do abdômen. “Ansiedade e estresse aumentam a acidez estomacal e estão diretamente relacionados à persistência desses sintomas. O tratamento consiste em dieta balanceada, medicamentos para aliviar os sintomas e psicoterapia”, explica Henrique Perobelli, gastro/proctologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo.

Outra doença comum do sistema gastrointestinal, que em alguns casos também pode causar sintomas semelhantes aos da gastrite, é a doença do refluxo gastroesofágico. Ele ocorre devido ao retorno do conteúdo gástrico para o esôfago, que não está preparado para receber substâncias ácidas. O refluxo pode provocar sintomas como azia, queimação, desconforto na região do abdômen e dor no peito que pode até ser confundida com a dor de infarto do miocárdio.

 

Efeitos da ansiedade no aparelho digestivo

 

Segundo o médico, o sistema digestório está intimamente relacionado com o sistema nervoso. Quem nunca ficou enjoado ou sentiu uma dor de barriga daquelas logo antes de um momento que gera extrema ansiedade, como às vésperas de uma prova muito importante ou de uma entrevista de emprego?

Hormônios como adrenalina, noradrenalina e cortisol, que são estimulados por ansiedade e estresse excessivos, quando liberados na corrente sanguínea, podem ter efeito rápido no trato digestório. Por isso, sintomas como náuseas, vômitos, perda de apetite e diarreia são comuns em pessoas com ansiedade, na ausência de doenças gastrointestinais.

Vídeo: Dr. Drauzio responde dúvidas sobre gastrite nervosa.

É importante observar os sinais e tentar identificar precocemente as crises de ansiedade e buscar medidas para evitar ou aliviar os sintomas. “A ajuda de profissionais como psicólogos e psiquiatras é fundamental em casos mais graves como síndrome do pânico, transtorno de ansiedade generalizada e depressão. Práticas como yoga, meditação, exercícios de pilates e exercícios físicos ajudam no controle da ansiedade e diminuem os sintomas físicos de maneira geral”, recomenda.

 

Sinais de alerta para procurar atendimento

 

Se você tem sintomas gástricos como queimação, sensação de estufamento e dor abdominal com frequência, é importante investigar para descobrir a causa e aderir ao tratamento mais adequado.

Ouça: Drauziocast sobre gastrite

Além disso, segundo o dr. Perobelli, existem sinais de alerta que necessitam de orientação médica rapidamente, tais como: dificuldade para deglutir alimentos, perda de peso, massas abdominais, vômitos ou fezes com sangue e interrupção de eliminação de gases ou fezes por alguns dias.

“Quando a digestão dos alimentos ocorre adequadamente, se a pessoa vive com distensão abdominal e se ir ao banheiro não é um momento agradável, deve-se procurar um médico especialista”.

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