Brasil tem aumento nas taxas de suicídio e automutilação

Brasil apresenta aumento nas taxas de suicídio e automutilação, revela estudo. Indígenas são as principais vítimas. Leia na coluna de Mariana Varella.   As taxas de suicídio e automutilação vêm crescendo no Brasil, segundo um estudo publicado na revista científica “Lancet”, no último dia 15. A pesquisa foi realizada pela Faculdade de Medicina de Harvard, […]

pés de pessoa calçando tênis vermelho sobre a grama com desenho de laço amarelo ao lado. Brasil apresenta aumento nas taxas de suicídio e automutilação

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Publicado em: 07/03/2024

Revisado em: 07/03/2024

Brasil apresenta aumento nas taxas de suicídio e automutilação, revela estudo. Indígenas são as principais vítimas. Leia na coluna de Mariana Varella.

 

As taxas de suicídio e automutilação vêm crescendo no Brasil, segundo um estudo publicado na revista científica “Lancet”, no último dia 15. A pesquisa foi realizada pela Faculdade de Medicina de Harvard, nos Estados Unidos, em parceria com a Fiocruz Bahia. 

O Brasil teve mais de 147 mil suicídios entre 2011 e 2022, o que representa uma alta de 3,7% na taxa de suicídio no período. O país também apresentou um aumento de 21,1% no número de automutilações, que cresceram 9 vezes no período analisado.

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Na população geral, o suicídio foi quatro vezes mais frequente em homens do que em mulheres, embora as notificações tenham sido duas vezes mais comuns em pessoas do sexo feminino. Homens de 25 a 59 anos são os que mais cometem suicídio no país. 

A pesquisa também revelou que os indígenas foram os mais afetados entre todas as populações analisadas.

Para se ter uma ideia, em 2022 a taxa de suicídio entre indígenas foi mais que o dobro da taxa de suicídio entre os brancos e quase três vezes mais alta do que entre os negros. 

De acordo com o estudo, os indígenas também são os que mais sofrem com ferimentos autoprovocados, embora sejam os que menos chegam aos hospitais por esse tipo de lesão. 

Os resultados do estudo reforçam a extrema vulnerabilidade de indígenas ao suicídio e à automutilação no Brasil, principalmente entre homens de 10-24 anos e residentes nos estados do Amazonas e Mato Grosso do Sul.

 

Suicídio no Brasil e no mundo

O suicídio é um problema de saúde pública multicausal, que sofre influência de fatores sociais, econômicos, raciais, etários, culturais, psicológicos, entre outros.

Cerca de 700 mil pessoas tiram a própria vida todos os anos no mundo, o que representa 1,3% de todas as mortes ocorridas em 2019.

Embora a taxa global de suicídio tenha diminuído em quase todo o mundo, o Brasil, assim como outros países da América Latina, como Uruguai, Argentina e México, apresentou um aumento nos casos de suicídio.

Assim, o Brasil vai na contramão de grande parte dos países, e trata com descaso as populações indígenas.

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A falta de acesso a serviços de saúde pelos indígenas é um problema que o país ainda não conseguiu enfrentar.

De acordo com o boletim que monitora o orçamento da saúde indígena, realizado pelo Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS) e pela Umane, entre 2013 e 2023 a saúde indígena sofreu um corte de recursos no valor de 253 milhões de reais.

O suicídio é um fenômeno prevenível. É urgente que o país priorize o direcionamento de recursos financeiros e planeje estratégias que visem reduzir os fatores de risco associados ao suicídio e o limitado acesso a cuidados de saúde mental.

Se você tem pensamentos suicidas, procure ajuda especializada como o CVV que funciona 24h por dia pelo telefone 188 ou os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) da sua cidade.

 

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