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Hipofosfatasia (HPP): conheça a doença rara que causa má formação de ossos e dentes
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Doença hereditária¹⁻²⁻³ e rara, a hipofosfatasia (HPP) impacta a saúde óssea e dental ao longo da vida.
A hipofosfatasia (HPP) é uma doença óssea metabólica¹⁻³ que afeta a formação de ossos e dentes, dificultando o seu desenvolvimento. Por ser considerada ultrarrara, não se tem um número estimado de pessoas diagnosticadas no Brasil. Para detectar a doença, o médico faz uma avaliação detalhada, incluindo o histórico médico do paciente, exame físico e exames de imagem. Atualmente, o tratamento pode incluir terapia de reposição enzimática e acompanhamento multidisciplinar.³⁻⁶
A doença é hereditária, ou seja, é transmitida de pais para filhos através do gene ALPL,¹⁻⁵ responsável pela produção de uma enzima essencial para a formação de ossos e dentes, que ajuda a depositar cálcio e fósforo neles. A enzima também ajuda no funcionamento adequado dos rins e fígado.
São alterações nesse gene⁵ que podem levar à hipofosfatasia,²⁻⁴ que se manifesta de formas variadas, a depender do tipo de mutação genética.
Existem quatro tipos²⁻⁴ principais de HPP:
- Perinatal: se manifesta ainda na gestação ou no momento do nascimento, com sinais evidentes desde o final da gravidez;
- Infantil: embora os recém-nascidos aparentam estar saudáveis ao nascer, os primeiros sintomas da HPP começam a surgir até os 6 meses de idade;
- Juvenil: nesse tipo, crianças apresentam sintomas mais leves e geralmente têm uma boa saúde e função física. Os sinais aparecem entre 6 meses e 18 anos, mas, em alguns casos, o paciente pode não apresentar sintomas;
- Adulto: neste estágio, a doença tende a ser mais branda do que na infância. Aproximadamente dois terços dos adultos afetados apresentam sintomas variados, que podem ser leves ou mais intensos.
Sendo assim, cada tipo de hipofosfatasia exige uma atenção específica.
Sintomas da hipofosfatasia
A hipofosfatasia pode acometer homens e mulheres igualmente, e como falamos anteriormente, os sintomas podem variar de intensidade e surgir em qualquer idade.
Nos casos mais graves, eles podem aparecer ainda no útero ou logo após o nascimento. Nos mais leves, eles podem surgir apenas na idade adulta.²⁻⁴ Entre os sintomas mais comuns estão: dor nos ossos, fraqueza muscular, deformidades, perda de dentes e baixa estatura em crianças.²
Em adultos,² os sintomas mais frequentes incluem dor muscular crônica, fraturas, baixa estatura e dificuldade de mobilidade. É importante ressaltar que os sintomas incluem os mencionados acima, mas não se limitam a eles.
Veja também: O que pode causar baixa estatura na infância?
O diagnóstico e tratamento da HPP
O diagnóstico³ é feito por meio de uma avaliação clínica detalhada, que inclui a análise do histórico médico do paciente (é investigado se existem casos de HPP ou outras doenças ósseas), um exame físico minucioso (para avaliar a condição dos ossos, identificando possíveis deformidades ou fraturas), a realização de exames laboratoriais e de imagem.
A medição dos níveis da enzima fosfatase alcalina (FAL) no sangue e testes genéticos para identificar mutações no gene ALPL também são importantes para confirmar a doença.³
Assim como outras doenças ultrarraras, a hipofosfatasia pode provocar sintomas parecidos com os de outras enfermidades, por isso é essencial fazer um diagnóstico cuidadoso para descartar condições como osteogênese imperfeita, raquitismo e doença de Paget.
Como a doença não tem cura, o objetivo do tratamento,³ que é feito de acordo com os sintomas de cada paciente, é o controle. As opções⁶ incluem reposição enzimática, cuidado com a saúde dos dentes, fisioterapia e em alguns casos, cirurgia.
Cuidados e suporte essenciais para pacientes com hipofosfatasia
Por ser uma doença hereditária e genética, não é possível prevenir a HPP. Por isso, é essencial contar com cuidados constantes e o apoio de uma equipe médica especializada, incluindo endocrinologistas e geneticistas. Além disso, o acompanhamento com outros profissionais, como ortopedistas, pediatras, dentistas, neurologistas, fisioterapeutas e pneumologistas, também é necessário.
É importante estar atento aos sinais da doença e buscar orientação médica para um tratamento adequado. Embora rara, a hipofosfatasia pode ser enfrentada com qualidade de vida, desde que receba o suporte correto. A conscientização e o tratamento apropriado fazem toda a diferença no bem-estar do paciente.
Veja também: Doença ultrarrara cria ossos extras no corpo: conheça a Fibrodisplasia Ossificante Progressiva
Material aprovado para o público em geral. BR-38404 – Fevereiro/2025
Referências bibliográficas:
1. Bianchi ML. Hypophosphatasia: an overview of the disease and its treatment. Osteoporos Int. 2015 Dec;26(12):2743-57.
2. Rockman-Greenberg C. Hypophosphatasia. Pediatr Endocrinol Rev. 2013;10(suppl2):380-388.
3. Tournis S, Yavropoulou MP, Polyzos SA, Doulgeraki A. Hipofosfatasia. J Clin Med. 2021.Dec 1;10(23):5676.
4. Whyte MP. Hypophosphatasia. In: Glorieux FH, Pettifor JM, Juppner H, eds. Pediatric Bone: Biology & Diseases. 2nd ed. London, UK: Elsevier Inc.;2012:771-794.
5. K. Molecular phenotype of tissue-nonspecific alkaline phosphatase with a proline (108) to leucine substitution associated with dominant odontohypophosphatasia. Mol Genet Metab. 2015 Aug;115(4):180-5.
6. Durrough C, Colazo JM, Simmons JH, Au JR, Hudson M, Black M, de Riesthal M, Dahir K. Characterization of physical, functional, and cognitive performance in 15 adults with hypophosphatasia. Bone. 2021 Jan;142:115695.