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Por que diabetes aumenta risco de doenças cardiovasculares

Paciente faz teste de diabetes com um pequeno furo no dedo.

Quantidade excessiva de açúcar na corrente sanguínea pode levar a lesões de tecidos, ponto central da relação entre diabetes e doenças cardiovasculares.

 

O paciente com diabetes está mais propenso a sofrer infarto e derrame cerebral, mas muitas vezes temos dificuldade de entender a relação entre a doença e complicações tão diferentes. Quem tem diabetes tem algum sintoma diferente ao sofrer um infarto? As mulheres costumam ser as principais vítimas? Durante o último realizado no fim de maio deste ano, fizemos uma entrevista rápida com o  que ministrou uma palestra sobre a relação entre diabetes e doenças cardíacas. A seguir, ele esclarece algumas questões importantes sobre a doença e como ela pode e deve ser evitada.

O diabetes resulta em um número de fatores que aumentam o risco de infarto e AVC. A parede interna ou revestimento interno da artéria (endotélio) perde suas propriedades protetoras, permitindo que células anormais entrem no vaso. Essa disfunção endotelial é a anormalidade inicial na formação de ateroesclerose (placas de gordura). “O metabolismo do diabetes resulta em partículas de gordura que são quimicamente modificadas e tóxicas à parede da artéria. Essas partículas de gordura modificadas e tóxicas são absorvidas pelas células dentro da parede da artéria. Por fim, elas matam essas células, o que resulta em uma reserva de gordura: a placa aterosclerótica”, explica o cardiologista canadense David Fitchett, do Hostpital St. Michael’s, de Toronto, que ministrou palestra em congresso da Sociedade Brasileira de Cardiologia do Estado de São Paulo (SOCESP) realizado em maio de 2016.

 

Veja também: Fatores de risco para diabetes

 

As plaquetas, células sanguíneas que iniciam a formação de coágulos no sangue, são mais aderentes em pacientes com diabetes, aumentando a probabilidade de obstrução do endotélio anormal. O endotélio anormal e a inflamação aumentada dentro da parede da artéria vão resultar em um estado que faz com que o revestimento da artéria tenha maior risco de romper, expondo o sangue à placa gordurosa dentro da parede. Isso é um estimulante poderoso para a formação de coágulos que obstruam a artéria, resultando em infarto (artérias coronárias obstruídas) ou derrame (artérias cerebrais obstruídas).

 

Sintomas de infarto podem ser diferentes em quem tem diabetes

 

Uma parcela dos portadores de diabetes têm sintomas mais brandos durante um infarto, o que pode até levar a não procurar ajuda. “Na verdade, cerca de 20% ou 30% dos pacientes com diabetes têm sintomas atípicos durante o infarto. Muitas vezes, eles apenas se queixam de falta de ar ou tontura. Por isso, muitos não se dão conta de que estão tendo um ataque cardíaco. Na verdade, é fundamental que o paciente com diabetes faça acompanhamento cardiológico frequente”, orienta Fitchett.

Embora seja uma doença crônica, o diabetes pode ser controlado, e em muitos casos a mudança de hábitos é suficiente. Entretanto, pode ser um grande desafio abandonar uma rotina de sedentarismo e má alimentação. “Se você adotar determinado estilo de vida por 30, 50 anos, e tudo estiver indo bem (mesmo que nem tudo vá muito bem do ponto de vista de uma vida saudável), dificilmente você vai mudar. É por isso que temos de começar desde cedo, com as crianças. Educação para a saúde é tão importante, mas nem sempre a discussão sobre a importância de se adotar um estilo de vida saudável faz parte da grade curricular das escolas. Até aulas de educação física foram tiradas de muitas escolas. Conscientizar desde cedo sobre a importância de ter hábitos saudáveis é fundamental”, finaliza o cardiologista.

Sobre o autor: Juliana Conte

Juliana Conte é jornalista, repórter do Portal Drauzio Varella desde 2012. Interessa-se por questões relacionadas a manejo de dores, atividade física e alimentação saudável.

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