Coronavírus

Protetor facial sem o uso da máscara não contém o novo coronavírus

homem coloca protetor facial para evitar contágio pelo novo coronavírus

O uso de protetor facial sem máscara e de máscara com válvula não protegem contra o novo coronavírus, mostra estudo americano.

 

A cena tem sido cada vez mais recorrente: pessoas incomodadas com a máscara no rosto têm preferido usar os protetores faciais, também conhecidos como faceshields, sem máscara facial por baixo. Os equipamentos são mais confortáveis de usar, principalmente por um longo período de tempo, e teoricamente funcionariam como barreiras que impediriam que seu usuário entrasse em contato com gotículas expelidas por outros.

Veja também: Como improvisar uma máscara facial em caso de urgência

Alguns, ainda, têm escolhido as máscaras N95 com válvula, que torna a respiração menos “abafada”, exatamente porque permite que o ar seja expelido com certa facilidade.

No entanto, esses equipamentos não são eficazes para proteger contra o novo coronavírus, que causa da covid-19. É o que mostra um estudo publicado em 1/9/20, na revista “Physics of Fluids”, do Instituto Americano de Física.

Usando um manequim com o rosto coberto com vários equipamentos de proteção diferentes, como máscaras caseiras, cirúrgicas e do tipo N95 (com e sem válvula), além dos protetores faciais, os pesquisadores simularam tosses e espirros para avaliar a dispersão de gotículas de saliva no ar.

Verificou-se que os protetores faciais oferecem proteção contra o jato inicial emitido pela tosse ou pelo espirro, mas as gotículas escapam pela parte inferior do equipamento em 1 segundo, espalhando-se por até 1 metro de distância em 10 segundos.

As máscaras N95 com válvula tampouco impedem a dispersão das gotículas: em menos de 2 segundos, elas escapam pela válvula e se espalham pelo ambiente. Isso é particularmente perigoso em ambientes fechados e com aglomeração.

Já as máscaras cirúrgica, de tecido e a N95 sem válvula, embora permitam que pequena parte do jato saia por cima, impedem a dispersão de gotículas no ambiente, conferindo mais proteção contra o Sars-CoV-2.

O estudo mostrou que uma das marcas da máscara cirúrgica conferia mais proteção que outra analisada, assim como também houve diferença no grau de proteção das máscaras de tecidos testadas. Isso significa que determinadas marcas e tecidos conferem mais proteção que outros.

 

Protetores faciais não substituem o uso de máscara

 

Autoridades de saúde pública da Suíça já alertavam para o risco do uso de protetores faciais sem máscara depois que houve um surto de covid-19 em um hotel local. Pessoas que estavam apenas com os protetores faciais foram infectadas, enquanto ninguém que usava máscara contraiu o vírus.

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) também não recomenda o uso de protetores faciais como substitutos das máscaras.

A Organização Mundial da Saúde recomenda a máscara de três camadas: uma de algodão na parte interna; um filtro (de preferência de polipropileno) na intermediária; e uma de tecido impermeável, de poliéster puro ou misturado com algodão, na parte externa.

As máscaras faciais caseiras são indicadas como uma das principais medidas para conter a disseminação do novo coronavírus, pois funcionam como uma barreira física ao novo coronavírus. Sua eficácia já foi comprovada por vários estudos. No entanto, como todas as máscaras permitem algum grau de vazamento de partículas de saliva que podem conter o vírus da covid-19, é importante evitar aglomerações e manter o distanciamento físico de 1,5 metro de distância. As outras medidas de higiene, como cobrir nariz e boca ao tossir ou espirrar e lavar as mãos, também devem ser mantidas.

 

Sobre o autor: Mariana Varella

Mariana Varella é editora do Portal Drauzio Varella. Formada em Ciências Sociais pela USP, atua na área de jornalismo de saúde, com foco em saúde da mulher. @marivarella