O mieloma múltiplo (MM) é um tipo de câncer de medula óssea (tecido esponjoso que preenche a maioria dos ossos) que afeta as células plasmáticas. Acomete quatro em cada 100 mil indivíduos, na maioria idosos entre 65 e 70 anos. É uma doença pouco conhecida, e muitas vezes mal diagnosticada, que provoca anemia e destruição dos ossos.

A eletroforese de proteínas é um exame simples e indolor, capaz de indicar a possível presença da enfermidade, mas ainda não faz parte dos check ups de rotina dos brasileiros. Por conta disso, de acordo com Vânia Hungria, professora adjunta da disciplina de hematologia e oncologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo,  menos de 10% dos pacientes são diagnosticados no estágio inicial da doença.

“No Brasil, infelizmente, não faz parte da rotina dos médicos pedir a eletroforose de proteínas, que ajuda no diagnóstico do mieloma. O procedimento é simples e barato, custa cerca de R$20,00. Além disso, ele também está disponível em grande parte da rede pública”, explica a hematologista.

De acordo com a Fundação Internacional de Mieloma Múltiplo, uma das características da doença é a produção, pelo organismo, de uma proteína única, chamada proteína monoclonal (proteína-M). O único exame capaz de medir a quantidade desse elemento no sangue ou na urina é a eletroforese de proteínas. “Esse exame determina se há ou não uma proteína monoclonal e se ela está acima de 3g/dL, o que constitui o principal critério do diagnóstico. A partir daí é feita uma aspiração da medula, outro procedimento clínico que irá detectar se houve aumento dos plasmócitos, um tipo de célula que produz imunoglobulina, proteína que participa do nosso sistema de defesa. E é através desse processo que podemos chegar a uma conclusão e iniciar o tratamento”, diz Vania.

Ainda segundo a hematologista, os principais sintomas da doença são: dores nas costas, na coluna vertebral e bacia, anemia e fraqueza. “No Brasil, cerca de 80% das pessoas só chegam aos médicos quando estão em estágio avançado da doença. A falta de divulgação sobre a enfermidade também prejudica. Mieloma múltiplo é muito mais frequente que leucemia, que muita gente sabe o que significa”, comenta Vânia Hungria.

O MM ainda não tem cura e o tratamento, que pode ser constituído à base quimioterapia e medicamentos como bortezomibe, talidomida  e  lenalidomida, tem permitido um aumento considerável da sobrevida dos pacientes. “Hoje temos condições de dar mais tempo de vida aos pacientes, e com qualidade de vida, mas para isso é essencial que a doença seja descoberta no início”, finaliza a hematologista.