Câncer

Como fica o tratamento do câncer durante a pandemia?

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A estimativa é que entre 50 mil e 90 mil casos de câncer no Brasil ficaram sem diagnóstico nos dois primeiros meses de pandemia.

 

A chegada da pandemia do novo coronavírus afastou as pessoas não só das ruas, mas também dos serviços médicos e, consequentemente, do diagnóstico de doenças sérias. A estimativa da Sociedade Brasileira de Patologia (SBP) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) é que entre 50 mil e 90 mil casos de câncer no Brasil ficaram sem diagnóstico nos dois primeiros meses de pandemia.

Assim como quem está em tratamento não deve interrompê-lo, quem busca um diagnóstico de câncer também não pode deixá-lo para depois. Isso porque quanto mais cedo se descobre a doença, maior a probabilidade de impedir o avanço do tumor e em alguns casos, a cura.

“Esses três ou quatro meses que o paciente está aguardando, com medo de ir ao hospital e contrair covid-19, podem significar um prejuízo muito grande para o sistema. Nem todos os tumores evoluem rápido, mas alguns, sim”, alerta o dr. Victor Piana, diretor médico do A. C. Camargo, hospital referência no tratamento do câncer que atende pacientes particulares ou pelo SUS, por meio de convênio firmado com a Prefeitura de São Paulo.

Para se ter uma ideia, o câncer de pulmão e o de ovário, por exemplo, são tumores que têm uma característica mais agressiva e que tendem a evoluir mais rápido. Tumores na mama e na próstata, por sua vez, em geral têm uma progressão mais lenta quando diagnosticados precocemente.

Na unidade, o número de novos pacientes caiu cerca de 70% em abril por conta da pandemia e vem se recuperando mês a mês. Na terceira semana de julho, o hospital já atendeu 5.200 pacientes, entre casos novos e retornos.

 

O que é urgente?

 

Se você identificar algum sintoma persistente e duradouro, como uma pinta que não para de crescer ou algum caroço suspeito, é importante procurar ajuda especializada o quanto antes. Por isso, é essencial prestar atenção em si mesmo e observar todos aspectos da própria saúde. “Cada pessoa se conhece. Mudanças bruscas de comportamento do corpo são importantes. Uma perda de peso sem explicação, cansaço, sangramentos em qualquer região e dores que não passam são sinais de alerta”, ressalta Piana.

Apesar de cada região do corpo ter sintomas específicos, alguns sinais gerais que surjam sem explicação podem indicar uma complicação, como:

  • Manchas;
  • Nódulos;
  • Inchaços;
  • Feridas que não cicatrizam;
  • Dormência ou perda da sensibilidade;
  • Dificuldade de mobilidade;
  • Dificuldade na fala.

O A.C. Camargo disponibilidade um site interativo para que o paciente veja os sinais de cada área do corpo que podem ser um alerta para câncer. Há também um canal de dúvidas com médicos para avaliar se você precisa de uma consulta. O serviço é gratuito e foi criado após os especialistas notarem que os pacientes não estavam chegando ao hospital, por conta do medo de contrair o novo coronavírus.

 

O que pode esperar

 

“Aquelas pessoas que iam fazer check up e não apresentam sintomas podem esperar mais um pouco. Todo ano a mulher colhe papanicolaou, faz mamografia. Ela faz o exame, mas não sente absolutamente nada. Esse momento do cuidado pode ser postergado”, indica o dr. Victor. Apesar desses exames serem importantes, no momento, por conta da pandemia, se houver risco de contaminação pelo novo coronavírus ou o paciente fizer parte do grupo de risco, ele pode adiar o exame.

Outro grupo que pode postergar mais um pouco a ida ao hospital é daqueles que já fizeram tratamento de câncer e agora só realizam acompanhamentos periódicos. “Se você faz um retorno semestral ou anual e a data caiu bem agora na pandemia, se você não sente nada, é possível retardar a consulta pra daqui a alguns meses”, indica o médico.

Nos dois casos, o recomendado é conversar com o seu médico e tirar as dúvidas para decidirem juntos. Alguns hospitais estão oferecendo a possibilidade de realizar consultas por vídeochamada (telemedicina), o que reduz o número de consultas presenciais, principalmente de pacientes de outras cidades e estados.

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Sobre o autor: Rafael Machado

Rafael Machado é jornalista e repórter do Portal Drauzio Varella. Tem interesse nas editorias de saúde pública e direitos humanos.

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