Cirrose pode virar câncer?

Pessoas com cirrose têm risco maior de desenvolver câncer de fígado ao longo da vida. Entenda melhor a relação.

Ilustração de silhueta de corpo humano com fígado em destaque. Cirrose aumenta o risco de câncer de fígado

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Publicado em: 31/08/2023

Revisado em: 31/08/2023

Pessoas com cirrose têm risco maior de desenvolver câncer de fígado ao longo da vida. Entenda a relação. 

 

O fígado é um dos órgãos mais resistentes do corpo humano e consegue manter suas funções mesmo quando gravemente lesionado. 

Entretanto, essa capacidade regenerativa pode ser comprometida por determinadas patologias, como a cirrose hepática, uma doença silenciosa que só vai causar sintomas quando o órgão já estiver bastante debilitado. 

A cirrose não se desenvolve de um dia para o outro, mas à medida que o fígado vai sofrendo danos, seja pelo consumo excessivo de álcool, infecções (hepatite B e C) ou dieta gordurosa (esteatose hepática). Então, o dano fica irreversível e o órgão não consegue se recuperar. 

“A cirrose hepática representa o estágio final de fibrose do fígado e se caracteriza pela distorção do tecido normal do órgão e sua substituição por nódulos de regeneração cicatriciais. Esses pacientes tornam-se suscetíveis a inúmeras complicações, incluindo sangramentos gastrointestinais e o desenvolvimento de tumores do fígado”, explica o dr. Artur Ferreira, oncologista da Oncoclínicas de São Paulo. 

Basicamente, a cirrose faz com que o fígado produza tecido de cicatrização (fibrose) no lugar das células saudáveis que compõem o órgão. Como resultado, o fígado encolhe e fica endurecido, o que afeta sua capacidade de processar grandes quantidades de sangue pelas quais é responsável.

Com isso, ele deixa de desempenhar suas funções primordiais como produzir bile (um agente emulsificador de gorduras) e proteínas, auxiliar na manutenção dos níveis normais de açúcar no sangue e metabolizar o colesterol, o álcool e certos medicamentos. 

 

Álcool e danos hepáticos

O abuso do álcool é a principal causa da cirrose. Como o fígado é responsável pela metabolização dessa substância, quando exposto a doses excessivas de álcool, sofre danos em seus tecidos vitais que comprometem seu funcionamento.

“A cirrose hepática causada por abuso do álcool geralmente se desenvolve depois de mais de uma década de etilismo pesado (80 gramas diárias de álcool – 8 copos de chopp)”, complementa o dr. Ferreira. 

Veja também: O fígado e o álcool

 

Risco de câncer de fígado

Muita gente confunde cirrose com câncer, mas é importante destacar que são doenças distintas. Entretanto, uma vez instalada, a cirrose torna-se um importante fator de risco para o surgimento de tumores na região. 

“Cerca de um terço dos pacientes com cirrose poderá desenvolver câncer de fígado durante a vida”, enfatiza o dr. Ferreira. 

Muitos sintomas do câncer podem ser semelhantes aos da cirrose e levar a um diagnóstico equivocado, por isso é importante investigar. Além de falta de apetite, cansaço e náuseas, o paciente pode apresentar fígado e baço aumentados. 

Pacientes com cirrose devem manter um acompanhamento médico constante e fazer exames periódicos de sangue e de imagem. 

 

Prevenção

A melhor forma de prevenir o aparecimento de tumores malignos no fígado é evitar os fatores de risco, especialmente o excesso de álcool e as infecções pelos vírus das hepatites B e C. 

Conheça algumas medidas de prevenção:

 

  • Diminua o consumo de álcool e de alimentos gordurosos;
  • Tome as três doses da vacina contra a hepatite B;
  • Use preservativo em todas as relações sexuais e não compartilhe o uso de seringas como forma de evitar o contato com os vírus das hepatites B e C;
  • Não se automedique. Até remédios comuns como certos analgésicos, tomados em excesso, podem ocasionar danos irreversíveis ao fígado.

 

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