Tipos de hepatites virais: causas, sintomas, tratamento e prevenção

Hepatite é uma inflamação no fígado. Entre as mais comuns, estão os tipos de hepatites virais: A, B, C, D e E. Saiba diferenciar cada uma.

mulher com olho amarelado sendo examinada. esse pode ser um sinal das hepatites virais

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Publicado em: 18/08/2023

Revisado em: 21/08/2023

Hepatites A, B, C, D e E… Afinal, o que cada uma dessas letras quer dizer? Saiba reconhecer os principais tipos de hepatites virais.

 

Hepatite é um termo genérico para se referir a qualquer inflamação no fígado. Ela pode ser causada por vírus, remédios, ervas, chás, álcool e outros tipos de drogas, bem como doenças autoimunes, metabólicas e genéticas. No entanto, as hepatites mais comuns no Brasil são aquelas causadas por vírus: as do tipo A, B, C, D e E. 

Para todas elas, existem testes gratuitos na rede pública de saúde, que devem ser realizados em caso de suspeita. A dra. Patrícia Almeida, gastroenterologista e hepatologista especialista em transplante hepático, explica a diferença entre cada tipo de hepatite:

 

Hepatite A

 

Causa

A hepatite A é uma doença contagiosa, também chamada de “hepatite infecciosa” e é causada pelo vírus A (VHA).

 

Transmissão

“A transmissão é fecal-oral. O que isso quer dizer? Que você se contamina pela ingestão de alimentos mal lavados, água maltratada ou até mesmo uma bebida com gelo proveniente de água maltratada”, explica a dra. Patrícia. 

Outra forma de transmissão é pelo contato com indivíduos contaminados via sexo anal ou oral-anal. 

 

Sintomas

Na grande maioria dos casos, a hepatite A não causa sintomas. Quando apresenta, eles podem ser:

  • Mal-estar passageiro;
  • Dor abdominal;
  • Náusea;
  • Vômito;
  • Febre;
  • Pele e olhos amarelados (icterícia);
  • Coceira pelo corpo (prurido);
  • Urina de cor escura;
  • E fezes claras ou esbranquiçadas.

 

Evolução da doença

“Mais de 90% dos pacientes se curam sozinhos. Às vezes, eles apresentam uma indisposição que dura alguns dias e logo passa. Nesses casos, a pessoa se recupera naturalmente, sem nenhum medicamento específico”, explica a hepatologista.

Por outro lado, a hepatite A pode evoluir para a forma fulminante da doença, que é quando o funcionamento do fígado fica comprometido e pode ser necessário um transplante de urgência. No entanto, a especialista afirma que isso é algo raro.

 

Diagnóstico

O diagnóstico é realizado através de exame de sangue.

 

Tratamento

Não há um tratamento específico, apenas monitoramento dos sintomas.

 

Prevenção

A prevenção consiste em lavar sempre as mãos, higienizar os alimentos adequadamente, consumir apenas água tratada e evitar contato com regiões onde haja esgoto a céu aberto ou condições precárias de saneamento básico.

 

Vacina

Para a hepatite A, existe uma vacina disponível no calendário vacinal brasileiro. São duas doses que devem ser tomadas com um intervalo de seis meses. 

O imunizante pode ser encontrado nas Unidades Básicas de Saúde para crianças de 15 meses a 4 anos, 11 meses e 29 dias de idade ou nos serviços privados de vacinação para crianças a partir de 12 meses, adolescentes e adultos. Há ainda doses nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE), voltadas para pessoas com condições de risco para hepatite A.

        Veja também: Hepatites: Panorama brasileiro | Raymundo Paraná

 

Hepatite B

 

Causa

A hepatite B também é chamada de “hepatite soro-homóloga” e é uma doença infecciosa causada pelo vírus B (HBV).

 

Transmissão

A hepatite B é considerada uma infecção sexualmente transmissível. O contágio pode ser pelo esperma durante as relações sexuais, sangue pelo compartilhamento de objetos perfurocortantes (como seringas, alicates, lâminas de barbear, etc.) ou leite materno contaminado. 

“A transmissão da hepatite B também pode ser vertical, ou seja, de mãe para filho, principalmente na hora do parto. É por isso que toda mãe deve fazer o teste de triagem no pré-natal e, se tiver a doença, ser acompanhada por um infectologista. Em alguns casos, pode ser necessário o uso de medicação no terceiro trimestre da gravidez. Quando a criança nasce, precisa tomar imunoglobulina e a vacina da hepatite B”, destaca a dra. Patrícia.

 

Sintomas

Os sintomas, quando surgem, são semelhantes aos da hepatite A.

 

Evolução da doença

Em 95% dos casos, a doença é aguda. O paciente se contamina e sofre uma elevação das enzimas do fígado de maneira rápida. A cura costuma ser espontânea ou, em quadros mais graves, evoluir para a forma fulminante, com necessidade de transplante de urgência.

“No entanto, há ainda uma parcela de pacientes cuja doença se cronifica, isto é, o vírus permanece contaminando as células do fígado de maneira silenciosa. Isso acontece quando a infecção aguda não é sanada em até seis meses”, afirma a hepatologista. Na fase crônica, o paciente se torna assintomático e pode vir a desenvolver cirrose ou câncer de fígado, daí a necessidade de realizar o teste de rastreio.

 

Diagnóstico

O teste de rastreio para hepatite B é um exame de sangue específico e gratuito, que pode ser solicitado nos postos de saúde sem a necessidade de prescrição médica.

 

Tratamento

Nos quadros agudos, o tratamento se baseia no acompanhamento dos sintomas. Se houver sinais de que o paciente está perdendo a função do fígado, utilizam-se antivirais, como tenofovir e entecavir. “Se a doença é crônica, existem situações em que a gente trata o vírus e outras em que a gente apenas observa a evolução”, detalha a dra. Patrícia.

 

Prevenção

A prevenção consiste no uso de vacina e preservativos, não compartilhamento de seringas, alicates, lâminas de barbear e objetos perfurocortantes, além de realização do pré-natal adequado nas gestantes.

 

Vacina

A vacina para a hepatite B é destinada a pessoas de todas as faixas etárias e é aplicada, preferencialmente, nas primeiras 12 a 24 horas após o nascimento. 

Para a vacinação rotineira de crianças, são necessárias quatro doses: uma ao nascer e outras aos 2, 4 e 6 meses de vida. Para crianças mais velhas, adolescentes e adultos que não foram vacinados no primeiro ano de vida, são três doses com intervalo de um ou dois meses entre a primeira e a segunda dose e seis meses entre a primeira e a terceira.

O imunizante pode ser encontrado gratuitamente na rede pública na apresentação isolada ou combinada a outras vacinas.

 

Hepatite C

 

Causa

A hepatite C é a “hepatite não A e não B”. Ela é causada pelo vírus C (HCV).

 

Transmissão

A transmissão é semelhante a da hepatite B: via compartilhamento de objetos perfurocortantes contaminados, de mãe para filho durante a gravidez ou através de sexo desprotegido com um indivíduo infectado. A diferença, segundo a dra. Patrícia, é que a contaminação sexual é mais rara do que na hepatite B e acontece principalmente no sexo anal.

 

Sintomas

Quando surgem, os sintomas são iguais aos da hepatite A e B.

 

Evolução da doença

A hepatite C, ainda mais do que a hepatite B, tem um alto risco de se tornar crônica — é o que acontece em mais de 80% dos casos. 

“O paciente se torna um portador assintomático. O vírus fica lá, acumulando cicatrizes e inflamações no fígado de maneira completamente silenciosa. Se não for feita uma triagem ainda na fase inicial, a pessoa pode descobrir já com uma doença avançada, como cirrose ou câncer de fígado”, diz a hepatologista. Algumas das complicações mais comuns são ascites (acúmulo de líquido no abdômen), vômitos com sangue, encefalopatia (perturbação da função cerebral causada por doenças hepáticas), entre outras.

Além disso, uma vez que você se contamina e se cura da hepatite C, ainda pode se contaminar novamente com outra tipagem do vírus.

 

Diagnóstico

Por depender do tipo do vírus e do grau de comprometimento do fígado, a hepatite C exige exames específicos, como biópsia hepática e exames de biologia molecular. 

“A questão é que o vírus C é muito novo, foi descoberto em 1989. Então, todas as pessoas com mais de 40 anos e pacientes pertencentes a grupos de risco [como diabéticos e gestantes, por exemplo] precisam fazer o teste para ver se têm o vírus da hepatite C de forma silenciosa”, aconselha a dra. Patrícia.

 

Tratamento

O tratamento evoluiu muito nos últimos anos, e envolve medicamentos por via oral, com chances de cura de quase 100%, principalmente quando a doença é descoberta ainda no início. 

 

Prevenção

A prevenção é igual à da hepatite B: utilizar preservativos, não compartilhar objetos perfurocortantes e realizar o pré-natal adequado durante a gestação.

 

Vacina

Não existe vacina para a hepatite C.

 

Assista: Tipos de hepatites em 7 perguntas | Lourianne Cavalcante

Hepatite D

 

Causa

A hepatite D é conhecida como “hepatite Delta” ou “hepatite defectiva”. Ela é causada pelo vírus D (VHD), mas necessita da presença do vírus do tipo B para infectar uma pessoa.

 

Transmissão

A transmissão se dá da mesma forma que as hepatites B e C.

 

Sintomas

Quando surgem, os sintomas são iguais aos dos demais tipos de hepatite.

 

Evolução da doença

A hepatite D também pode se cronificar e evoluir para doenças mais graves. A gravidade depende do momento da infecção pelo vírus D, que pode acontecer ao mesmo tempo da pelo vírus B ou após a hepatite B se tornar crônica. No primeiro caso, a manifestação é parecida com a forma aguda da hepatite B; no segundo, o fígado pode sofrer danos mais severos.

 

Diagnóstico

O diagnóstico pode ser feito através de um exame de sangue que detecta anticorpos anti-HDV.

 

Tratamento

“Infelizmente, o tratamento da hepatite D é algo que se avançou pouco nos últimos anos. O que a gente faz hoje é tratar o vírus B e, em alguns casos, usar medicações contra o vírus D. Mas são medicações com muitos efeitos adversos, então acabamos focando no vírus B”, explica a dra. Patrícia.

 

Prevenção

Como depende da hepatite B para se reproduzir, as formas de prevenção são exatamente as mesmas da hepatite B.

 

Vacina

Não existe vacina para a hepatite D.

 

Hepatite E

 

Causa

A hepatite E é uma doença infecciosa causada pelo vírus VHE. Ela não é tão comum no Brasil e costuma ser mais incidente em países da Ásia e da África.

 

Transmissão

A transmissão também é fecal-oral, assim como a da hepatite A. Ou seja, acontece pelo contato sexual desprotegido com alguém infectado, pela ingestão de alimentos mal lavados ou pelo consumo de água maltratada.

 

Sintomas

Quando surgem, os sintomas são iguais aos dos demais tipos de hepatite.

 

Evolução da doença

Esse tipo de hepatite costuma ser mais severa em grávidas, evoluindo para tipos agudos graves.

 

Diagnóstico

O diagnóstico é feito por exame de sangue a fim de detectar anticorpos anti-HEV.

 

Tratamento

O tratamento é baseado no acompanhamento dos sintomas, sem o uso de medicamentos. 

 

Prevenção

A prevenção é a mesma da hepatite A: lavar sempre as mãos, higienizar bem os alimentos, consumir apenas água tratada e evitar contato com regiões com condições precárias de saneamento básico.

 

Vacina

Não existe vacina para a hepatite E.

        Veja também: Hepatites virais: é possível preveni-las

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