Para que o coração possa exercer a sua função, ele precisa de energia. Essa energia é
extraída de elementos presentes no sangue, como o oxigênio. Quando há um desequilíbrio entre a oferta e o consumo de oxigênio, ocorre a doença cardíaca isquêmica.
Ela pode surgir tanto porque está chegando menos oxigênio do que o necessário para as células quanto porque o músculo cardíaco está consumindo mais oxigênio do que deveria. E o principal causador desse entrave é o acúmulo de gordura nas artérias.
Causas da obstrução
Existem algumas doenças que aumentam o consumo de oxigênio pelo músculo cardíaco, como infecções, hipertireoidismo e hipertensão arterial. A dificuldade de oxigenação também pode ocorrer por uma deficiência no transporte, como em indivíduos com anemia grave ou doenças respiratórias, a exemplo da bronquite e da asma.
No entanto, a maior responsável por esse desequilíbrio é a aterosclerose, uma doença em que uma placa de gordura (ateroma) se forma dentro da artéria, obstruindo a passagem de sangue — e de oxigênio. Entre os fatores de risco para a aterosclerose, estão a hipertensão, diabetes, hipercolesterolemia, tabagismo, sedentarismo, obesidade, entre outros.
A dor no peito acende o sinal de alerta
Os sintomas da doença cardíaca isquêmica costumam ser inespecíficos, manifestando-se através de:
- dor ou desconforto no peito (angina);
- falta de ar;
- suor frio;
- náuseas;
- tontura;
- e fadiga extrema, especialmente durante esforços físicos.
“Geralmente, é uma dor que se parece com um aperto, um peso, uma queimação, uma sensação de sufocamento. A palavra angina vem do latim angor pectoris, que significa angústia no peito. Ela está localizada na região inframamária esquerda, no meio do peito, na região da boca do estômago ou na base do pescoço. Pode se irradiar para o braço esquerdo, para as costas e para a mandíbula e tem que ter uma duração em torno de 15 a 20 minutos. Mais do que isso, a gente já começa a pensar em infarto, ou seja, na morte das células cardíacas por falta de oxigenação”, descreve Miguel Moretti, cardiologista e membro do Conselho Administrativo da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).
É comum que esse conjunto de sinais seja confundido com uma crise de ansiedade, especialmente entre as mulheres. Por isso, é fundamental procurar atendimento médico o quanto antes.
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Diagnóstico: testes de esforço
Quando o paciente relata dor, a avaliação junto à análise de fatores de riscos e o exame físico já garantem o diagnóstico. Portanto, o próximo passo é a realização do cateterismo para saber as causas e o grau da obstrução arterial.
Nos demais casos, a identificação da doença é realizada através de testes de esforço: o ecocardiograma de estresse ou a cintilografia miocárdica. Nesses exames, o objetivo é avaliar o funcionamento do músculo cardíaco sob estresse.
Tratamento
A depender do nível de obstrução arterial, o tratamento pode ser tanto baseado em mudanças no estilo de vida quanto medicamentoso ou cirúrgico. Os principais procedimentos são a angioplastia e a cirurgia de ponte de safena.
“Mas existem pacientes que se realmente implementarem mudanças de hábitos de vida de forma disciplinada e eficiente, podem melhorar muito sem precisar de remédio. Se você tem o hábito de praticar uma atividade física, perfeito. Se você for uma pessoa que come de forma saudável — e não só verduras, legumes e frutas, mas também proteínas e carboidratos na quantidade e horários adequados —, melhor ainda. Atividade física, alimentação saudável e bons hábitos de vida, como lazer e espiritualidade, por exemplo, são extremamente importantes”, destaca o especialista.
Ainda assim, é fundamental consultar o médico periodicamente para avaliar se as taxas de colesterol, pressão e glicemia estão normais. Quando a doença cardíaca isquêmica não é controlada, ela pode progredir para o infarto.
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