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Por que infarto e AVC são mais frequentes no frio?

A vasoconstrição ajuda a regular a temperatura corporal, mas ao mesmo tempo aumenta a pressão arterial e favorece a ocorrência de problemas cardiovasculares

Elderly woman with short white hair and glasses blowing her nose into a tissue while seated in a green armchair.

Existem fatores de risco bem conhecidos para o desenvolvimento de problemas cardiovasculares — como cigarro, sedentarismo e hipertensão, por exemplo. O que muita gente não sabe, porém, é que o frio também pode favorecer a ocorrência de infartos e acidentes vasculares cerebrais (AVCs)

Segundo informações do Instituto Nacional de Cardiologia (INC), os casos de infarto chegam a aumentar 30% nos meses mais frios, enquanto os de AVC sobem até 20%, especialmente quando as temperaturas estão abaixo de 14 graus.

 

Por que isso acontece?

A maior ocorrência desses problemas no inverno está associada à maneira como o organismo reage às baixas temperaturas. 

“Para manter a temperatura interna, o organismo promove a vasoconstrição, um estreitamento dos vasos sanguíneos. Essa reação ajuda a preservar o calor, mas aumenta a pressão arterial e exige mais do coração, o que pode precipitar infartos e AVCs, especialmente em pessoas com doenças cardiovasculares pré-existentes. Além disso, há maior ativação do sistema nervoso simpático, aumento da frequência cardíaca e maior tendência à formação de trombos”, explica Daniel Marotta, cardiologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo. 

Em resumo, o frio intenso desencadeia efeitos como: 

  • aumento da pressão arterial: a vasoconstrição exige maior esforço do coração, o que eleva a pressão arterial;
  • sangue mais viscoso: a menor ingestão de líquidos nos dias frios favorece a desidratação e aumenta a densidade do sangue, facilitando a formação de coágulos; 
  • mudança de hábitos: no inverno, há uma maior tendência ao sedentarismo e ao aumento no consumo de alimentos gordurosos e calóricos, hábitos que impactam negativamente o sistema cardiovascular;
  • aumento de infecções respiratórias: infecções como gripe e covid-19, mais comuns no inverno, contribuem para descompensações cardiovasculares. 

Veja também: Infarto durante o treino: saiba como identificar os sinais de alerta

 

Quem está mais vulnerável?

O risco é maior no caso de idosos, fumantes, sedentários, indivíduos com colesterol alto, hipertensão, diabetes ou obesidade, além de pacientes com insuficiência cardíaca ou histórico de doenças cardiovasculares. Casos de infarto, AVC e morte súbita em familiares de primeiro grau, especialmente em idade precoce, também sinalizam risco aumentado.

Apesar disso, hábitos saudáveis têm impacto extremamente relevante na prevenção cardiovascular. Controle adequado da pressão arterial, colesterol e glicemia, prática regular de atividade física, alimentação equilibrada, sono adequado e abandono do cigarro conseguem reduzir significativamente o risco cardiovascular ao longo da vida, mesmo em pessoas com predisposição familiar”, afirma o médico. 

 

Como se proteger no inverno?

O especialista recomenda algumas medidas simples para reduzir os riscos:

  • mantenha-se aquecido, principalmente em ambientes abertos;
  • siga praticando exercícios físicos, mesmo que adaptados para ambientes fechados;
  • evite excessos alimentares, priorizando refeições mais leves e nutritivas;
  • hidrate-se regularmente, mesmo sem sede (chás e sopas também são boas opções);
  • acompanhe sua saúde cardiovascular com check-ups regulares, principalmente se fizer parte de algum grupo de risco.

“Além disso, alguns grupos de maior risco também podem se beneficiar da atualização vacinal, especialmente contra gripe, vírus sincicial respiratório (VSR), covid-19 e herpes-zóster, já que infecções podem aumentar a inflamação e favorecer descompensações cardiovasculares”, alerta Marotta. 

 

Cuidados durante o exercício físico 

Em relação ao exercício físico, o ideal é fazer um aquecimento progressivo antes da atividade, evitar exposição abrupta ao frio intenso, utilizar roupas adequadas e manter boa hidratação. 

O cardiologista reforça que pacientes com doenças cardiovasculares devem ter atenção especial ao início súbito de atividades intensas em ambientes frios, pois isso pode aumentar temporariamente a pressão arterial e a demanda do coração.

“Sintomas como dor no peito, falta de ar, tontura ou palpitações durante o exercício devem sempre ser valorizados. Para pessoas sedentárias ou com doenças cardiovasculares conhecidas, a avaliação médica antes do início de atividades físicas mais intensas é a conduta mais segura”, recomenda. 

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