Pela primeira vez, a Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou uma diretriz mundial para a prevenção, diagnóstico e tratamento da infertilidade. Ao todo, são 40 recomendações para que a atenção à fertilidade seja mais segura, equitativa e acessível. Entre as sugestões, o texto, divulgado em novembro de 2025, diz que homens também devem ser examinados precocemente.
Segundo Irineu Farina Neto, urologista e doutorando em ciências pelo Programa de Pós-graduação em Urologia na área de Reprodução Humana da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), na rotina dos casais, as diretrizes estabelecem uma mudança significativa: a investigação deve ser conjunta desde o início, substituindo a abordagem antiga que focava exclusivamente na mulher nos primeiros passos da avaliação.
O especialista destaca que esse cuidado evita atrasos que podem comprometer as chances de gravidez. “A principal mensagem da OMS é clara: buscar avaliação especializada cedo faz diferença nas chances de engravidar”, afirma.
Investigação deve ser precoce
Por isso, homens e mulheres devem procurar profissionais capacitados e compreender que cada caso exige uma estratégia individualizada. “O documento amplia o entendimento da infertilidade como uma condição de saúde que afeta homens e mulheres de forma equivalente. A OMS reconhece de maneira mais clara a influência de fatores biológicos, ambientais e sociais no declínio da fertilidade, destacando a necessidade de investigações mais precoces e abrangentes”, pontua o médico.
Para ele, percebe-se assim a importância da individualização do diagnóstico e do tratamento. “As orientações reforçam a importância de considerar o avanço da idade feminina, possíveis alterações hormonais, níveis de estresse oxidativo e os impactos ambientais que afetam o potencial reprodutivo. Com isso, os tratamentos tendem a ser mais precisos, personalizados e baseados em evidências, reduzindo tentativas ineficazes e aumentando a probabilidade de sucesso.”
Outro ponto é o acesso à informação qualificada, visto como parte essencial do cuidado reprodutivo. Aliás, esse foi o propósito da divulgação feita pela OMS: universalizar a informação e orientar condutas em escala global. Desta forma, segundo o urologista, “quanto antes o casal entender seu cenário reprodutivo, maiores serão as possibilidades de construir a família que deseja.”
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Um problema comum em todo o mundo
Cerca de uma em cada seis pessoas em idade reprodutiva no mundo é afetada pela infertilidade, de acordo com a estimativa da OMS. Mesmo assim, na opinião do próprio diretor-geral da organização, Tedros Adhanom Ghebreyesus, o assunto ainda não recebe a atenção devida. “A infertilidade é um dos desafios de saúde pública mais negligenciados de nosso tempo e um importante problema de equidade em nível global.”
Em todo o mundo, muitas famílias sofrem com o problema e elas são a principal motivação para a OMS fornecer essas recomendações. “Milhões de pessoas enfrentam esse processo sozinhas: sem poder arcar com a atenção, recorrendo a tratamentos mais baratos, porém não comprovados, ou sendo obrigadas a escolher entre seu desejo de ter filhos e sua segurança financeira. Chamamos mais países a adaptarem esta diretriz, dando a mais pessoas a possibilidade de uma atenção acessível, respeitosa e baseada na ciência”, completou Tedros.
Para conferir as diretrizes da OMS, clique aqui.
Além de sugerir que informações sobre fertilidade e infertilidade sejam oferecidas à população em idade reprodutiva, assim como aconselhamento para parar de fumar e sobre os riscos de infertilidade associados às infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) quando não tratadas, as diretrizes reforçam o impacto do estilo de vida na fertilidade. Alimentação saudável, controle do peso, sono em dia, prática de atividade física e redução da exposição a toxinas são atitudes promissoras em prol do desejo de engravidar.
Sobre a autora: Luiza Adorna é jornalista, redatora, escritora e aborda assuntos relacionados à saúde.




