Não é obesidade, celulite e nem retenção de líquidos. Muitas vezes confundido com outras condições de saúde, o lipedema é uma doença vascular caracterizada pelo acúmulo de gordura nas pernas e eventualmente nos braços. Ainda subdiagnosticado no Brasil, pode provocar sintomas físicos desconfortáveis, além de interferir na autoestima e saúde mental.
“O lipedema é frequentemente mal compreendido, tanto por pacientes quanto por alguns profissionais de saúde. Não se trata apenas de excesso de peso, mas de uma condição médica específica que causa distribuição anormal de gordura, acompanhada de sintomas como dor, sensibilidade ao toque e facilidade para desenvolver hematomas”, explica Fernando Amato, cirurgião plástico e membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP).
Conheça a seguir 10 mitos e verdades sobre a doença.
1. O lipedema é somente uma questão estética.
Mito. O lipedema é uma doença vascular crônica, que causa sintomas como dor, sensibilidade ao toque, sensação de peso nas pernas, fadiga e equimoses (roxos na pele). Em casos avançados, pode até mesmo comprometer a mobilidade.
2. O diagnóstico de lipedema é clínico.
Verdade. O diagnóstico correto depende de uma boa anamnese (conversa detalhada com o paciente) e exame físico minucioso das partes afetadas. Exames complementares, como ultrassom e ressonância magnética, podem auxiliar no diagnóstico e no planejamento do tratamento.
3. Lipedema e linfedema são a mesma doença.
Mito. Lipedema e linfedema são condições totalmente distintas. Enquanto o lipedema é caracterizado pelo acúmulo desproporcional de gordura nos membros inferiores e superiores, o linfedema tem a ver com o sistema linfático, causando inchaço devido ao acúmulo de líquido.
4. O lipedema atinge principalmente as mulheres.
Verdade. O lipedema afeta predominantemente mulheres e, segundo o médico, desequilíbrios hormonais associados à puberdade, gestação, menopausa e tratamentos de infertilidade podem interferir e piorar a doença. Embora homens também possam desenvolver lipedema (geralmente associado a distúrbios hormonais e metabólicos graves), ele é extremamente raro no sexo masculino.
5. Dieta e exercícios são suficientes para eliminar o lipedema.
Mito. Diferentemente da gordura comum, a gordura do lipedema responde muito pouco às dietas convencionais e exercícios físicos. Hábitos saudáveis são importantes para o controle da condição, mas geralmente não são suficientes como tratamento único.
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6. O lipedema pode impactar a saúde mental.
Verdade. Muitas mulheres com lipedema têm dificuldade para encontrar roupas apropriadas, usar shorts, expor as pernas, ir à praia, socializar, entre outras questões, destaca o especialista.
“Existem alguns trabalhos que mostram até aumento de depressão nessas pacientes. Além disso, elas podem ter dor crônica por conta das pernas estarem muito pesadas e ter dificuldade de locomoção. Isso também pode ter um impacto na qualidade de vida das pacientes”, completa Amato.
7. O tratamento deve ser individualizado e multidisciplinar.
Verdade. O tratamento varia de acordo com o estágio da doença e pode incluir medicamentos, suplementos, dieta adequada, fisioterapia, drenagem linfática, meias compressivas e, em casos específicos, lipoaspiração.
“O tratamento eficaz do lipedema envolve uma equipe de especialistas trabalhando em conjunto”, afirma ele. Cirurgiões, endocrinologistas, nutricionistas e fisioterapeutas, por exemplo, podem estar envolvidos nesse cuidado.
8. A cirurgia plástica é a primeira opção de tratamento.
Mito. O tratamento cirúrgico deve ser a última opção, mas, muitas vezes, é o primeiro recurso a ser procurado. “Somente depois de tentar o tratamento clínico e, de preferência apresentando alguma melhora, mesmo que parcial, deve ser indicada a lipoaspiração para o tratamento do lipedema. É preciso respeitar os limites de gordura a serem retirados durante a cirurgia, que devem ser entre 5% e 7% do peso corporal”, detalha o médico.
9. É possível prevenir o lipedema.
Mito. Não há medidas de prevenção do lipedema, condição que tem forte componente hormonal e hereditário. Contudo, é possível aliviar os sintomas e evitar a progressão da doença através de tratamento e bons hábitos de vida — como alimentação saudável, prática de exercícios físicos e sono de qualidade.
10. O lipedema não tem cura.
Verdade. A condição é crônica e, portanto, não tem cura. Porém, com o tratamento adequado e individualizado, as pessoas diagnosticadas podem viver bem.
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